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Possível onda de IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic pode redefinir mercado global de tecnologia, diz especialista

Publicado 19/05/2026 • 12:33 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • Leandro Benincá afirma que estreia das gigantes em Wall Street será “prova de fogo” para medir o apetite real do mercado por inteligência artificial.
  • Especialista vê mistura de fundamentos sólidos e risco de bolha tecnológica em meio à corrida global por IA e infraestrutura computacional.
  • Mudanças nas regras da Nasdaq e da S&P 500 podem acelerar entrada automática das empresas nos principais ETFs do mundo.

A possível abertura de capital de gigantes como SpaceX, OpenAI e Anthropic em Wall Street pode marcar uma das maiores ondas de IPOs da história e testar o apetite global por empresas ligadas à inteligência artificial e tecnologia avançada. Para Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital, o movimento representa uma nova fase da corrida tecnológica mundial, misturando potencial de transformação econômica com riscos típicos de bolhas de mercado.

Em entrevista nesta terça-feira (19) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele comentou o cenário envolvendo as futuras estreias na bolsa americana. “Vai ser o teste para cardíacos.”

Segundo Benincá, o mercado atravessa um momento semelhante a outros ciclos históricos de euforia tecnológica, nos quais setores emergentes atraem forte volume de capital, mas também elevam o risco de excessos e fracassos. “De tempos em tempos a gente tem algum setor que desponta muito forte e acaba trazendo junto suas bolhas, mas também grandes revoluções do mercado”, destacou.

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Na avaliação do especialista, a atual corrida por inteligência artificial se diferencia por envolver empresas já consolidadas operacionalmente e com forte presença econômica. Ele citou a combinação entre infraestrutura espacial da SpaceX e o avanço das plataformas de IA como elementos centrais desse novo ciclo tecnológico. “Tecnologia e inteligência artificial são o grande bam-bam-bam do momento dos investimentos”, ressaltou.

Mercado testa valuations

Benincá afirmou que os futuros IPOs representarão o primeiro grande teste público para avaliar se o mercado realmente aceita os valuations bilionários atribuídos às gigantes privadas de inteligência artificial. Segundo ele, até agora o financiamento dessas empresas vinha majoritariamente de investidores privados e fundos fechados. “Quando a gente vai para um IPO, coloca essa prova de fogo para o mercado”, explicou.

O especialista destacou que o prospecto da SpaceX, previsto para divulgação nos próximos dias, deve servir como primeiro grande termômetro para o mercado entender a geração de caixa e a lucratividade real da companhia de Elon Musk. “Agora a gente vai saber de verdade quanto a SpaceX deu de lucro e quanto esses milhares de satélites realmente trazem de caixa para a empresa”, afirmou.

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Segundo Benincá, existe potencial para que a abertura de capital da SpaceX supere até mesmo a da petroleira saudita Saudi Aramco, considerada atualmente a maior da história. “Pode realmente ser o maior IPO da história”, pontuou.

Bolha ou revolução?

Ao comentar o debate sobre uma possível bolha envolvendo inteligência artificial, Benincá afirmou que o cenário atual apresenta características muito diferentes das empresas de tecnologia do início dos anos 2000. Segundo ele, as principais companhias do setor atualmente geram receita, lucro e capacidade de autofinanciamento. “Não é só apresentação de PowerPoint como na bolha da internet de 2000”, observou.

O especialista destacou que empresas como NVIDIA, Microsoft e a própria xAI conseguem financiar internamente seus projetos de inteligência artificial, o que reduz parte dos riscos tradicionalmente associados a bolhas especulativas. Ainda assim, ele reconheceu que a elevada concentração das chamadas “Magnificent 7” nos índices americanos reacende alertas semelhantes aos vistos antes do estouro da bolha da internet.

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Para Benincá, o cenário atual se tornou ainda mais atípico devido às recentes mudanças regulatórias da Nasdaq e às discussões dentro da S&P 500 sobre flexibilização de critérios para inclusão de empresas recém-listadas nos índices.

ETFs podem turbinar demanda

O consultor explicou que uma nova regra da Nasdaq, chamada de “Fast Entry”, passou a permitir que empresas gigantes recém-listadas ingressem no índice em apenas 15 pregões, desde que atinjam valor de mercado elevado. Segundo ele, isso pode provocar uma onda automática de compras pelos principais ETFs do mundo. “Todos os ETFs do mundo passam a comprar essa ação quase imediatamente”, afirmou.

Benincá destacou ainda que a S&P 500 discute flexibilizar exigências de lucratividade para empresas de mega capitalização, o que poderia permitir a entrada quase automática de empresas como OpenAI e Anthropic no principal índice americano mesmo sem lucro consolidado. “A gente tem uma regra ‘antibolha’ se desenvolvendo muito rápido”, observou.

Segundo ele, esse novo ambiente pode gerar um fluxo massivo de capital institucional para as ações dessas companhias logo após as estreias em bolsa.

Capital existe, mas pode migrar

Ao analisar se existe dinheiro suficiente no mercado global para absorver IPOs dessa magnitude, Benincá afirmou que o capital disponível hoje é elevado, mas que a grande dúvida será de onde os investidores retirarão recursos para financiar as novas posições. “O capital existe. A questão é de onde ele vai sair”, explicou.

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O especialista lembrou que questionamentos semelhantes surgiram durante a abertura de capital da Saudi Aramco em 2019, operação que posteriormente acabou sendo relativizada diante do crescimento acelerado das gigantes de tecnologia. “Empresa com valuation de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) era uma novidade em 2019. Hoje já existe uma lista delas”, destacou.

Para Benincá, o prospecto da SpaceX deve ser acompanhado de perto pelo mercado justamente por oferecer uma visão mais concreta da geração de receita e lucro dentro desse novo ciclo tecnológico. “Até agora era só PowerPoint e número na tela. Agora o mercado vai enxergar os balanços de verdade”, concluiu.

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