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JBS, Marfrig e Minerva entram no radar após decisão da UE sobre carne brasileira; mercado teme perdas bilionárias de frigoríficos 

Publicado 12/05/2026 • 21:41 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • União Europeia é o segundo maior mercado das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, tendo movimentado US$ 1,8 bilhão em importações do setor em 2025
  • Analistas apontam riscos de pressão sobre preços de exportação, aumento de custos operacionais, necessidade de auditorias extras, impacto reputacional e compressão das margens dos frigoríficos
  • Mercado avalia que ainda há espaço para negociação diplomática antes da entrada em vigor das restrições, prevista para setembro, mas especialistas alertam para desafios estruturais da pecuária brasileira, como rastreabilidade incompleta e dificuldades de adaptação de pequenos produtores
Gado de corte no pasto

Foto: Embrapa

Gado no pasto

O anúncio de que a União Europeia pode deixar de comprar a carne brasileira bateu em cheio nas ações dos frigoríficos nacionais. Na sessão desta terça-feira (12), que teve recuo do Ibovespa em geral, as produtoras de carne penaram: as ações da JBS, maior frigorífico do mundo, recuaram 3,47%. A BRF, principal do mercado nacional, cedeu 5,38%, enquanto a Minerva caiu 1,16%. A única excessão foi a Marfrig, em alta de 0,30%, em razão da sua carteira de vendas.

A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Segundo o anúncio desta tarde, o Brasil foi excluído da lista de países que cumprem as normas sanitárias do bloco por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. 

“Quando o investidor vê uma notícia como essa, a leitura imediata é de potencial impacto em receita, margens e redirecionamento comercial. Ainda que a Europa não seja, para alguns frigoríficos, o principal destino, trata-se de um mercado premium, com melhor remuneração em determinadas categorias”, diz Marcos Pelozato, consultor do mercado de food service.

Ele afirma que, caso a  decisão dos europeus se mantenha, o impacto deve ser sentido nas seguintes frentes:

  • Pressão sobre preços de exportação
  • Aumento de custo operacional para adequação
  • Necessidade de auditorias extras
  • Reestruturação logística
  • Risco reputacional internacional
  • Compressão de margens de lucro no curto prazo

“O ponto central é que esse tipo de barreira não afeta só a venda, mas toda a previsibilidade operacional”, afirmou. 

O peso do boi gordo  

De acordo com o Ministério da Agricultura, a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando US$ 1,8 bilhão em negócios ao longo de 2025. A carne bovina liderou as exportações em valor, com receita de US$ 1,048 bilhão e embarques de 128 mil toneladas. 

O bloco europeu foi o terceiro principal destino da proteína bovina brasileira, atrás apenas de China e Estados Unidos. As vendas de carne de frango ao mercado europeu também tiveram peso relevante, somando US$ 762 milhões e volume de 230 mil toneladas no período.

Outros produtos do agronegócio brasileiro também mantiveram presença nas exportações para os europeus. O mel, por exemplo, gerou US$ 6 milhões em receitas, com embarques de aproximadamente mil toneladas.

O campo, o mercado e o mundo  

As ações reagiram de imediato à possibilidade de um player importante deixar as carteiras de compradores das companhias nacionais. Afinal, o volume de negociações entre o Brasil e o bloco europeu é expressivo o bastante a ponto de ser insubstituível – não há outro player global capaz de absorver a oferta que gera um caixa de cerca de R$ 2 bilhões por ano.

Porém, segundo Gustavo Bertotti, diretor de renda variável da Fami Capital, outros fatores entraram na equação. O primeiro deles é a desvalorização geral do mercado brasileiro. Na sessão, o Ibovespa registrou perdas de 0,86%, voltando à casa dos 180 mil pontos, depois de um mês de abril eufórico que beirou os 200 mil.

Com o foco dos investidores institucionais ao redor do mundo voltando-se para o setor de tecnologia, o mercado brasileiro como um todo deixou de ser interessante devido à nossa baixa exposição a este segmento. Nesta terça, o fluxo foi de R$ 29,13 bilhões. 

Com o fluxo estrangeiro reduzido, ou com seu sinal invertido, a bolsa brasileira, num geral, é penalizada.

O aspecto geopolítico também pesa. Com a indefinição do rumo da guerra entre Estados Unidos e Irã, os efeitos da paralisia no Estreito de Ormuz crescem a cada dia, o que reduz as expectativas de crescimento global. Segundo Bertotti, mercados emergentes como o brasileiro acabam sendo mais vulneráveis.

Além disso, há a trajetória decadente do preço do dólar. Uma vez que os frigoríficos são empresas exportadoras, que vendem seus produtos em dólar, a queda da moeda americana diante do real prejudica suas transações. 

A vaca não foi pro brejo (ainda) 

O tempo corre em favor dos brasileiros. A restrição do mercado europeu passa a valer a partir de 3 de setembro, o que dá tempo para negociar e, eventualmente, adaptar-se. Bertotti diz que o mercado do continente depende muito do produto brasileiro, que destaca-se pela qualidade. “Então, é uma questão diplomática. Já passamos por problemas parecidos e sobrevivemos”, afirma. 

Caso seja necessário recuar, entretanto, o quadro persiste. Pelozato avalia que a dimensão da cadeia pecuária brasileira impõe obstáculos adicionais ao cumprimento integral das exigências internacionais, especialmente no mercado europeu. Segundo ele, a estrutura do segmento no Brasil é marcada por forte pulverização e heterogeneidade entre os produtores, o que dificulta a padronização total dos processos.

Entre os principais desafios apontados está a rastreabilidade do rebanho. Parte dos produtores ainda opera com sistemas de controle considerados incompletos, sobretudo nos elos indiretos da cadeia pecuária.

Outro entrave citado pelo especialista é o custo de adequação às normas ambientais e sanitárias, na medida em que p cumprimento das exigências demanda investimentos elevados em tecnologia, auditorias, certificações e mecanismos de governança.

Também há uma assimetria entre grandes e pequenos produtores. “Grandes grupos conseguem absorver exigências com mais facilidade; produtores menores sofrem mais”, ele diz.

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