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JBS, Marfrig e Minerva entram no radar após decisão da UE sobre carne brasileira; mercado teme perdas bilionárias de frigoríficos
Publicado 12/05/2026 • 21:41 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/05/2026 • 21:41 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Embrapa
Gado no pasto
O anúncio de que a União Europeia pode deixar de comprar a carne brasileira bateu em cheio nas ações dos frigoríficos nacionais. Na sessão desta terça-feira (12), que teve recuo do Ibovespa em geral, as produtoras de carne penaram: as ações da JBS, maior frigorífico do mundo, recuaram 3,47%. A BRF, principal do mercado nacional, cedeu 5,38%, enquanto a Minerva caiu 1,16%. A única excessão foi a Marfrig, em alta de 0,30%, em razão da sua carteira de vendas.
A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Segundo o anúncio desta tarde, o Brasil foi excluído da lista de países que cumprem as normas sanitárias do bloco por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária.
“Quando o investidor vê uma notícia como essa, a leitura imediata é de potencial impacto em receita, margens e redirecionamento comercial. Ainda que a Europa não seja, para alguns frigoríficos, o principal destino, trata-se de um mercado premium, com melhor remuneração em determinadas categorias”, diz Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial
Ele afirma que, caso a decisão dos europeus se mantenha, o impacto deve ser sentido nas seguintes frentes:
“O ponto central é que esse tipo de barreira não afeta só a venda, mas toda a previsibilidade operacional”, afirmou.
De acordo com o Ministério da Agricultura, a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando US$ 1,8 bilhão em negócios ao longo de 2025. A carne bovina liderou as exportações em valor, com receita de US$ 1,048 bilhão e embarques de 128 mil toneladas.
O bloco europeu foi o terceiro principal destino da proteína bovina brasileira, atrás apenas de China e Estados Unidos. As vendas de carne de frango ao mercado europeu também tiveram peso relevante, somando US$ 762 milhões e volume de 230 mil toneladas no período.
Outros produtos do agronegócio brasileiro também mantiveram presença nas exportações para os europeus. O mel, por exemplo, gerou US$ 6 milhões em receitas, com embarques de aproximadamente mil toneladas.
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Siga o Times | CNBCAs ações reagiram de imediato à possibilidade de um player importante deixar as carteiras de compradores das companhias nacionais. Afinal, o volume de negociações entre o Brasil e o bloco europeu é expressivo o bastante a ponto de ser insubstituível – não há outro player global capaz de absorver a oferta que gera um caixa de cerca de R$ 2 bilhões por ano.
Porém, segundo Gustavo Bertotti, diretor de renda variável da Fami Capital, outros fatores entraram na equação. O primeiro deles é a desvalorização geral do mercado brasileiro. Na sessão, o Ibovespa registrou perdas de 0,86%, voltando à casa dos 180 mil pontos, depois de um mês de abril eufórico que beirou os 200 mil.
Com o foco dos investidores institucionais ao redor do mundo voltando-se para o setor de tecnologia, o mercado brasileiro como um todo deixou de ser interessante devido à nossa baixa exposição a este segmento. Nesta terça, o fluxo foi de R$ 29,13 bilhões.
Com o fluxo estrangeiro reduzido, ou com seu sinal invertido, a bolsa brasileira, num geral, é penalizada.
O aspecto geopolítico também pesa. Com a indefinição do rumo da guerra entre Estados Unidos e Irã, os efeitos da paralisia no Estreito de Ormuz crescem a cada dia, o que reduz as expectativas de crescimento global. Segundo Bertotti, mercados emergentes como o brasileiro acabam sendo mais vulneráveis.
Além disso, há a trajetória decadente do preço do dólar. Uma vez que os frigoríficos são empresas exportadoras, que vendem seus produtos em dólar, a queda da moeda americana diante do real prejudica suas transações.
O tempo corre em favor dos brasileiros. A restrição do mercado europeu passa a valer a partir de 3 de setembro, o que dá tempo para negociar e, eventualmente, adaptar-se. Bertotti diz que o mercado do continente depende muito do produto brasileiro, que destaca-se pela qualidade. “Então, é uma questão diplomática. Já passamos por problemas parecidos e sobrevivemos”, afirma.
Caso seja necessário recuar, entretanto, o quadro persiste. Pelozato avalia que a dimensão da cadeia pecuária brasileira impõe obstáculos adicionais ao cumprimento integral das exigências internacionais, especialmente no mercado europeu. Segundo ele, a estrutura do segmento no Brasil é marcada por forte pulverização e heterogeneidade entre os produtores, o que dificulta a padronização total dos processos.
Entre os principais desafios apontados está a rastreabilidade do rebanho. Parte dos produtores ainda opera com sistemas de controle considerados incompletos, sobretudo nos elos indiretos da cadeia pecuária.
Outro entrave citado pelo especialista é o custo de adequação às normas ambientais e sanitárias, na medida em que p cumprimento das exigências demanda investimentos elevados em tecnologia, auditorias, certificações e mecanismos de governança.
Também há uma assimetria entre grandes e pequenos produtores. “Grandes grupos conseguem absorver exigências com mais facilidade; produtores menores sofrem mais”, ele diz.
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