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Correção das ações de tecnologia aumenta cobrança por resultados concretos dos investimentos em IA

Publicado 30/06/2026 • 19:30 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Mercado reavalia expectativas sobre inteligência artificial após forte valorização das ações de tecnologia.
  • Empresas continuam investindo pesado em IA, sustentadas por lucros e não apenas por capital de investidores.
  • Retorno financeiro e ganhos de produtividade passam a ser os principais focos da nova fase do ciclo da IA.

A recente correção das ações de tecnologia representa uma reavaliação das expectativas do mercado em relação à inteligência artificial, e não o fim do ciclo de expansão da tecnologia, afirmou Goldwasser Neto, CEO da Mogno, em entrevista nesta terça-feira (30) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, investidores começam a exigir evidências mais concretas de geração de receita e eficiência após o forte avanço dos papéis do setor.

“Eu acredito que seja apenas uma correção de valores. De longe, não vejo nenhum tipo de risco de bolha nos próximos meses. O que há é uma realização de lucro de vários investidores que fizeram bastante dinheiro nos últimos meses”, afirmou.

Na avaliação do executivo, o cenário atual difere da bolha das empresas de internet dos anos 2000 porque as grandes companhias de tecnologia financiam seus investimentos principalmente com recursos gerados por suas próprias operações.

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Fundamentos sólidos

Segundo Goldwasser, as principais empresas do setor continuam apresentando forte capacidade financeira para sustentar os investimentos em inteligência artificial.

Ele destacou que os aportes previstos pelas Big Techs devem superar US$ 700 bilhões (R$ 3,63 trilhões) neste ano, apoiados pela geração de caixa das próprias companhias.

“Os fundamentos econômicos estão muito sólidos. Na maioria dos casos, essas empresas têm lucro suficiente para cobrir esses investimentos. Não estamos falando apenas de dinheiro vindo de investidores”, disse.

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Comparação com as pontocom

Para o executivo, a comparação com a crise das empresas de internet no início dos anos 2000 possui diferenças importantes.

Ele explicou que, embora ambos os momentos tenham sido marcados por expectativas elevadas, hoje as empresas contam com modelos de negócio mais consolidados e resultados financeiros consistentes.

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“No primeiro momento costuma-se superestimar o impacto da tecnologia no curto prazo e subestimar o impacto no longo prazo. Essa superestimativa explica parte da correção que estamos vendo agora”, afirmou.

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Segundo Goldwasser, os benefícios econômicos da inteligência artificial devem aparecer de forma mais consistente ao longo dos próximos anos.

Busca por eficiência

Apesar do volume recorde de investimentos, o executivo avalia que o mercado ainda busca entender quais modelos de negócio serão efetivamente capazes de transformar inteligência artificial em geração consistente de lucro.

“Ainda estamos em um ciclo de muito investimento e pouca visibilidade sobre quais cadeias de valor realmente vão fazer dinheiro. Existe uma expectativa muito grande de ganho de eficiência, mas pouca capacidade real de gerar essa eficiência na prática”, afirmou.

Ele acrescentou que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para implementar projetos bem-sucedidos de IA e formar equipes com conhecimento especializado.

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Próxima etapa

Na avaliação de Goldwasser, parte das demissões anunciadas recentemente por grandes empresas também está relacionada à necessidade de liberar recursos para novos investimentos em inteligência artificial.

“Vemos empresas desligando pessoas em massa usando a IA como argumento, mas muitas vezes esse movimento parece estar mais ligado à necessidade de abrir espaço no orçamento para investir em inteligência artificial do que à substituição efetiva desses profissionais pela tecnologia”, concluiu.

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