Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Lucro da Natura despenca 92,1% no segundo trimestre
Publicado 10/08/2026 • 20:29 | Atualizado há 1 hora
OpenAI conclui venda de ações no valor de US$ 7 bilhões antes de possível IPO
Nvidia articula plano de US$ 500 bilhões para financiar infraestrutura de IA
Ações da SpaceX se recuperam e se aproximam do preço do IPO de US$ 135
OpenAI amplia iniciativa Daybreak de cibersegurança à medida que ameaças de agentes de IA evoluem
Negócio de licenciamento imobiliário de Trump no exterior dispara para US$ 59,5 milhões com pagamentos de incorporadoras do Golfo
Publicado 10/08/2026 • 20:29 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Divulgação
A Natura registrou lucro líquido de R$ 35 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 92,1% ante os R$ 446 milhões obtidos pelas operações continuadas no mesmo período do ano passado. Considerando o resultado consolidado, que incluía operações descontinuadas na base de comparação, o lucro recuou 82%, de R$ 196 milhões para R$ 35 milhões.
A receita líquida somou R$ 5,17 bilhões, retração de 9,1% na comparação anual. Em moeda constante, a queda foi de 7,1%. O resultado foi pressionado principalmente pelo desempenho no Brasil, onde problemas de disponibilidade de produtos, consumo mais fraco e um efeito tributário temporário atingiram as vendas.
O Ebitda foi de R$ 620 milhões, com margem de 12%. Na comparação com o Ebitda recorrente do segundo trimestre de 2025, houve queda de 22,2%, enquanto a margem recuou 2 pontos percentuais. O resultado refletiu, entre outros fatores, o descasamento tributário no Brasil, despesas com rescisões e a perda de alavancagem operacional provocada pela redução das vendas.
Leia também: Semana decisiva de balanços traz JBS, Banco do Brasil, Natura e outras 100 empresas listadas; veja o calendário
Para o CEO da companhia, João Paulo Ferreira, embora esse desempenho represente um desvio temporário na restauração do crescimento pleno da companhia, a tese fundamental do negócio permanece inalterada. “Temos um negócio construído sobre marcas fortes, distribuídas através de um modelo único em mercados de alto potencial, e apoiado por uma equipe comprometida, inovadora e focada na execução. Uma combinação poderosa para geração de crescimento financeiro, com margens altas e forte retorno”.
A receita líquida no Brasil caiu 14,8%, para R$ 3,07 bilhões. A marca Natura registrou retração de 14,5%, enquanto a receita da Avon caiu 22,5% no país.
Um dos principais problemas foi a indisponibilidade de produtos, relacionada ao processo de estabilização de um novo sistema de planejamento, à atualização do SAP e à realocação de volumes depois do fechamento da fábrica de Interlagos. A companhia prevê uma normalização gradual do abastecimento ao longo do segundo semestre.
As vendas brasileiras também foram afetadas por um descasamento tributário temporário ligado a mudanças no regime de substituição tributária do ICMS em São Paulo, com impacto estimado em aproximadamente 2 pontos percentuais sobre a receita líquida.
Leia também: Acionistas da Natura pedem assembleia para dispensar OPA após entrada da Advent
No canal de venda por relações, a receita recuou 15,9%, acompanhada de queda de 2,6% na base de consultoras de beleza. O digital apresentou retração de 11,7%, enquanto a receita do varejo caiu 3%. As vendas mesmas lojas recuaram 4,3%. Ao fim de junho, a Natura contava com 1.098 lojas no Brasil, 74 a mais do que um ano antes.
O Ebitda das operações brasileiras ficou em R$ 504 milhões, queda de 23,8%, com margem de 16,4%, ante 18,4% no mesmo trimestre de 2025. Excluído o efeito tributário temporário, a contração da margem seria menor.
Mercados hispânicos avançam
O desempenho fora do Brasil ajudou a compensar parcialmente a retração do principal mercado da companhia. Nos países hispânicos da América Latina, a receita líquida ficou praticamente estável em reais, com avanço de 0,7%, para R$ 2,1 bilhões. Em moeda constante, houve crescimento de 7,2%.
Leia também: Natura: S&P Global revisa perspectiva para negativa e cita pressão sobre caixa e operação
A marca Natura avançou 12,3% em moeda constante nesses mercados, enquanto a Avon cresceu 4,7%. Excluindo a Argentina, o crescimento da operação hispânica chegou a 10,9%, apoiado principalmente pelo desempenho do México.
O Ebitda da região alcançou R$ 160 milhões, com margem de 7,6%. Na comparação com a margem recorrente do segundo trimestre do ano passado, houve expansão de 2,2 pontos percentuais, principalmente por ganhos de eficiência nas despesas gerais e administrativas.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Os desafios operacionais no trimestre decorreram de ajustes necessários para pavimentar o caminho para o crescimento futuro dos negócios, como investimentos em capacidades digitais e logísticas e realinhamento entre os canais venda direta, online e de franquia, embora o desabastecimento de produtos tenha sido superior ao inicialmente previsto”, comentou João Paulo Ferreira.
Leia também: Natura e Avon chegam ao Full da Shopee com estratégia para transformar consultoras em afiliadas e multiplicar ganhos
A forte queda do lucro foi explicada principalmente pela piora do resultado financeiro. A linha ficou negativa em R$ 297 milhões, ante resultado positivo de R$ 23 milhões um ano antes.
A deterioração de aproximadamente R$ 320 milhões decorreu sobretudo dos custos de liquidação de derivativos e de uma base de comparação favorável em 2025, quando houve efeitos cambiais contábeis relacionados a um empréstimo entre empresas do grupo.
A companhia também contabilizou despesas tributárias de R$ 65 milhões e R$ 23 milhões em despesas com rescisões ligadas à reorganização.
Leia também: Natura vai perder até 10% do faturamento após falhas no sistema de gestão, que causaram ‘escassez severa de produtos’
Desde que o novo modelo operacional foi anunciado, no fim de 2025, as despesas com rescisões chegaram a R$ 263 milhões. Segundo o balanço, cerca de 85% da redução planejada na estrutura já foi executada.
A Natura encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 3,9 bilhões, redução de R$ 179 milhões em relação ao primeiro trimestre. A alavancagem ficou em 2,06 vezes, ligeiramente abaixo do nível registrado nos três primeiros meses do ano.
O fluxo de caixa livre para a firma somou R$ 342 milhões, R$ 23 milhões abaixo do registrado um ano antes. Já o fluxo de caixa livre das operações continuadas ficou praticamente neutro, ante geração de R$ 160 milhões no segundo trimestre de 2025.
A melhora de R$ 501 milhões no capital de giro ajudou a compensar a redução do lucro e as maiores saídas relacionadas a depósitos judiciais e pagamentos de demandas tributárias, cíveis e trabalhistas.
Leia também: Natura cria startup para vender bioingredientes da Amazônia a outras empresas
Após os problemas registrados no primeiro semestre, a Natura revisou suas ambições para 2026. A própria administração atribuiu boa parte das dificuldades recentes a problemas de execução, além dos efeitos do ambiente macroeconômico.
A companhia afirmou que recuperar a margem rapidamente exigiria reduzir investimentos em áreas como marketing, pesquisa e desenvolvimento e construção de marca. Por isso, decidiu manter esses gastos e passou a trabalhar com uma recuperação gradual das receitas brasileiras, ao mesmo tempo em que busca preservar o crescimento dos mercados hispânicos.
Para o ano, a Natura ainda prevê geração positiva de fluxo de caixa livre para a firma, superior à de 2025, além de manter a alavancagem dentro da faixa considerada adequada pela companhia.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Caso ‘Master capixaba’: mercado vê rombo multimilionário em operação da Apex Partners para compra da CVC
2
BYD processa portal jornalístico e tenta calar reportagem sobre origem chinesa da marca
3
PF pede bloqueio de bens da Gerdau após meses de contaminação em praia de Salvador
4
Futebol italiano perde espaço na elite europeia em meio a crise financeira e estrutural
5
Master Capixaba: Apex Partners – sócia da CVC – consegue proteção judicial para não pagar R$ 985 milhões em dívidas