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Nvidia entra em nova fase da IA, com retorno bilionário sob pressão

Publicado 26/08/2026 • 15:51 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mercado espera crescimento próximo de 97% na receita da Nvidia em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
  • Expansão da infraestrutura de IA aumenta demanda por chips, GPUs e data centers, mas retorno dos investimentos ganha importância.
  • Igor Baliberdin avalia que ainda é cedo para falar em bolha e vê uma segunda fase da economia da inteligência artificial.

A economia da inteligência artificial está entrando em uma segunda fase, na qual o retorno sobre os bilhões investidos em chips, GPUs, data centers e modelos de IA passa a ganhar importância, na avaliação do especialista em tecnologia Igor Baliberdin. Para ele, essa mudança ocorre em meio à expectativa por mais um forte crescimento da Nvidia, que divulga seu balanço nesta quarta-feira (26).

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Baliberdin afirmou que as projeções para a fabricante de chips fazem sentido diante da atual demanda do setor, embora ressalte a velocidade das transformações no mercado. “Eu acho que acaba caindo muito nessa questão da especulação, né? Mas sim, eu acho que faz sentido”, afirmou.

A expectativa apresentada para o balanço é de uma receita próxima de US$ 92 bilhões (R$ 473,8 bilhões), quase o dobro do resultado de um ano antes. Caso a projeção de crescimento de aproximadamente 97% se confirme, será o quinto trimestre consecutivo de forte expansão dos resultados da companhia.

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Ainda é cedo para falar em bolha

O ritmo de crescimento da Nvidia e os investimentos bilionários realizados em torno da inteligência artificial têm levantado questionamentos sobre uma eventual bolha no setor. Baliberdin, no entanto, avalia que ainda é cedo para fazer essa associação.

“Eu acho que é muito difícil a gente falar em bolha”, disse. Segundo ele, o avanço acelerado pode provocar desequilíbrios no mercado, principalmente pela forte procura por componentes eletrônicos e pelo elevado custo necessário para investir nessas tecnologias.

Para Baliberdin, classificar o atual ciclo da IA dessa maneira seria precipitado, sobretudo diante da velocidade das transformações no segmento. “Eu acho que é perigoso a gente falar nisso agora, porque, como as coisas estão mudando muito rapidamente, eu entendo que a gente ainda vai ter uma outra etapa antes disso acontecer”, explicou.

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Na visão do especialista, um dos pontos que precisam ser acompanhados nesse processo é o impacto da procura por infraestrutura de IA sobre a disponibilidade de componentes destinados a outros segmentos da economia.

Demanda por IA pode afetar oferta de chips

Questionado sobre o risco de a concentração de investimentos em componentes de alta capacidade destinados à inteligência artificial afetar a oferta para produtos mais tradicionais, como computadores e celulares, Baliberdin lembrou que problemas semelhantes já atingiram outras indústrias.

“Isso aconteceu inclusive alguns anos atrás com relação aos chips para poder ser aplicados nos carros”, recordou. Para ele, o forte aquecimento da inteligência artificial exige atenção aos possíveis efeitos da disputa por componentes eletrônicos sobre outros setores.

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Baliberdin relaciona esse cenário à velocidade com que os investimentos empresariais em IA vêm crescendo. O aumento dos recursos destinados à tecnologia, porém, não significa necessariamente que as companhias conseguirão obter resultados na mesma proporção.

“Investir bilhões em GPUs, data centers e modelos não garante sozinho vantagem competitiva. Então, no fim, o que importa é o retorno: mais receita, menos custos, mais produtividade ou novos mercados”, destacou.

Retorno ganha peso na segunda fase da IA

Baliberdin citou dados do relatório AI Index, da Universidade Stanford, segundo os quais o investimento empresarial em inteligência artificial dobrou em 2025, enquanto os ganhos de produtividade ainda aparecem de maneira mais clara em tarefas específicas do que na economia como um todo.

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“Isso mostra bem o momento que a gente está vivendo”, pontuou. Na leitura do especialista, a diferença entre o crescimento dos aportes e os resultados efetivamente obtidos pelas companhias ajuda a explicar a transição para uma nova etapa do setor.

“Eu penso que a gente está entrando numa segunda fase da economia da IA. A primeira foi a corrida pela infraestrutura, mas, nesse momento, a pergunta é: qual é o retorno que as empresas vão conseguir gerar sobre todo esse capital investido?”, afirmou.

Essa nova etapa, segundo Baliberdin, coloca a capacidade de gerar resultados concretos no centro das atenções. “No fim, o que importa é o retorno: mais receita, menos custos, mais produtividade ou novos mercados”, frisou. Para ele, transformar os aportes bilionários em ganhos efetivos será um dos pontos decisivos para as companhias ligadas à cadeia de inteligência artificial.

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O especialista ressalta que ainda há diversos fatores a serem compreendidos antes de apontar consequências mais definitivas, inclusive sobre uma eventual escassez de componentes. “Tem muita coisa aí no meio do caminho que a gente precisa identificar para poder começar a apontar caminhos para que esse problema, por exemplo, da falta desses componentes não afete empresas como um todo”, concluiu.

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