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Protagonistas: Líder que não desenvolve a equipe está errando, diz Erika Magalhães, diretora executiva de Gente e Gestão da Camil

Publicado 16/10/2026 • 21:13 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Erika Magalhães afirma que ouvir e desenvolver profissionais são prioridades e alerta para líderes que temem o brilho de suas equipes.
  • Diretora da Camil relata desafios de integrar culturas após cinco aquisições em quatro anos e preservar a identidade das marcas.
  • Executiva defende rede de apoio, pausas e aceitação das vulnerabilidades para conciliar carreira, família e vida pessoal.

O desenvolvimento dos profissionais e a atenção aos sinais dados pela equipe são responsabilidades centrais de uma liderança, afirmou Erika Magalhães, diretora executiva de Gente e Gestão da Camil Alimentos, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, no programa Protagonistas. A executiva defendeu que o desempenho de um gestor depende também da capacidade de fazer outras pessoas crescerem.

“Se só o líder brilha, tem alguma coisa errada. Ele só está ali brilhando porque ele tem uma equipe muito boa”, afirmou Erika, ao criticar gestores que deixam de desenvolver talentos por receio de perder espaço. “Você brilha se seu time brilha. Se você não tem um time que brilha, você também não vai brilhar”, acrescentou.

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Com mais de 27 anos de carreira, passagens por empresas como Ambev, Noble Group e Libra Terminais e formação em psicologia, administração e finanças, a executiva está há quase oito anos na Camil. A companhia reúne aproximadamente 7.500 colaboradores e atua em seis países. “Eu gosto muito de ouvir o que meu time tem a me dizer. Eu não acho que eu sou a dona da verdade”, disse.

Integração de culturas após aquisições

O crescimento da Camil trouxe uma das experiências mais desafiadoras de sua trajetória. “Teve um momento na Camil que a gente chegou a fazer cinco aquisições em quatro anos”, relatou. Mesmo tendo acompanhado fusões e aquisições em outras empresas, Erika destacou a intensidade das mudanças vividas na fabricante de alimentos.

“Fazer a sinergia dessas culturas, eu acho que é a parte mais difícil”, afirmou. Para ela, integrar trabalhadores aos processos administrativos é uma etapa operacional, mas aproximar equipes de histórias diferentes exige sensibilidade. “A gente adquire uma empresa, a gente não pode chegar impondo diretamente a nossa cultura”, explicou.

A executiva defendeu a preservação da identidade das empresas incorporadas ao grupo. “É Camil, mas é Mabel. É Camil, mas é Coqueiro. É Camil, mas é União”, exemplificou. “A gente, quando adquire, precisa tomar muito cuidado para não destruir valor”, ressaltou, ao lembrar que os funcionários também construíram suas trajetórias nessas organizações.

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A atuação internacional amplia o desafio de gestão. Além do Brasil, Erika citou Chile, Peru, Equador, Uruguai e Paraguai. “O desafio de fazer sinergia cultural em outros países é outro. É diferente de você fazer no Brasil”, disse. A empresa busca padronizar procedimentos em áreas como tecnologia, gestão de pessoas e ética, sem eliminar as particularidades locais.

Liderança exige escuta e interesse genuíno

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Ao definir seu estilo de gestão, Erika destacou a escuta, a autonomia e o aprendizado contínuo. “Eu gosto de ouvi-los e eu gosto de dar liberdade para eles criarem e se desenvolverem”, afirmou sobre os integrantes de sua equipe. “A gente precisa aprender o tempo todo. Eu acho que somos sempre aprendizes de alguma coisa”, completou.

Uma das falhas mais graves, em sua avaliação, é ignorar mudanças de comportamento que podem indicar dificuldades no trabalho. “O líder precisa estar atento aos sinais”, afirmou. “Ele precisa se preocupar com o time dele”, acrescentou, defendendo que o interesse pelos profissionais seja genuíno, e não limitado à cobrança por resultados.

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A segunda falha apontada pela diretora é o receio de preparar profissionais capazes de conquistar destaque. “Ter medo de desenvolver pessoas por achar que alguém pode querer brilhar mais que ele”, descreveu. Erika também defendeu o reconhecimento das equipes: “Você tem que fazer referência ao seu time também. Isso também é reconhecer um bom desempenho, um bom trabalho”.

Carreira, arte e protagonismo feminino

Além do trabalho executivo, Erika mantém um ateliê de pintura e promove oficinas voltadas a mulheres. “A arte veio muito forte para mim na pandemia e trouxe esse cuidado comigo mesma”, contou. Ela descreveu a atividade como uma oportunidade de pausa em uma rotina que também inclui a família.

Ao comentar a presença feminina nos espaços de decisão, a executiva afirmou ter orgulho da própria trajetória. “Hoje em dia, estar nesse lugar de voz onde eu não me calo quando eu vejo que mulheres podem estar perdendo o seu poder”, disse. “Eu estimulo mulheres a terem poder, porque eu acho que isso é muito importante”, acrescentou.

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Para conciliar trabalho e maternidade, Erika contou com a ajuda da mãe quando o filho era pequeno. “Tem que ter rede de apoio. Eu tive”, afirmou. Na avaliação da diretora, reconhecer a necessidade de ajuda faz parte da construção de uma carreira sem desconsiderar a vida pessoal.

O conselho final foi aceitar que nem sempre será possível atender a todas as exigências. “Aceitar as nossas vulnerabilidades”, respondeu ao ser questionada sobre o que faz diferença na vida das mulheres. “Vai ter dias que não vai dar certo. Vai ter prato que vai ter que cair”, disse, defendendo que os momentos de dificuldade sejam encarados sem a cobrança de perfeição.

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