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Protagonistas: Mulheres não devem esperar estar prontas para buscar liderança, defende Cynthia Diaféria, presidente da UCB Brasil

Publicado 09/10/2026 • 21:10 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • Cynthia Diaféria assumiu a presidência da UCB Brasil em 2025, tornando-se a primeira mulher a comandar a operação da biofarmacêutica no país.
  • Executiva defende maior participação feminina na liderança e afirma que profissionais não devem esperar estar totalmente preparadas para buscar uma promoção.
  • À frente da companhia, presidente pretende ampliar o acesso a tratamentos inovadores nas áreas de neurologia e imunologia, envolvendo os sistemas público e privado de saúde.

A ampliação da presença feminina em cargos de liderança depende de oportunidades, redes de apoio e da disposição das profissionais para assumir novos desafios, avaliou Cynthia Diaféria, presidente da UCB Brasil, em entrevista ao programa Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Primeira mulher a comandar a operação brasileira da biofarmacêutica, ela defende que as executivas não esperem preencher todos os requisitos de uma posição para disputar espaços de decisão.

Farmacêutica de formação, Cynthia assumiu a presidência da UCB Brasil em 2025, depois de construir uma carreira de quase três décadas na indústria, com passagens por Pfizer, Janssen e Novartis. Agora, tem como desafio ampliar a presença da companhia no mercado brasileiro, com foco em inovação e nas áreas de neurologia e imunologia.

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“Não esperar estar pronta para comunicar, para buscar esse lugar”, recomendou a executiva às mulheres que desejam avançar profissionalmente. Para ela, demonstrar interesse por novas responsabilidades é tão importante quanto desenvolver as competências necessárias para exercê-las.

Experiência internacional marcou trajetória profissional

A ascensão de Cynthia começou com uma oportunidade temporária na Pfizer, inicialmente prevista para durar três meses. Contratada para uma função técnica na área regulatória, ela recebeu o incentivo de um gestor para conhecer outras atividades da empresa, incluindo o setor comercial, desenvolvimento de negócios e marketing. A experiência abriu caminho para sua carreira executiva.

“Esse ano foi o que transformou de verdade a carreira, já movimentando para uma área mais conectada com comercial, com desenvolvimento de negócios e, mais à frente, com produto e marketing”, contou a presidente da UCB Brasil, ao recordar a importância de ter recebido apoio para explorar novas funções.

Uma das principais mudanças ocorreu quando a executiva decidiu disputar uma diretoria regional com atuação internacional, mesmo depois de ouvir que ainda não estava totalmente preparada para o cargo. Ela conseguiu a posição e se mudou para o México, onde permaneceu por quatro anos, experiência que considera decisiva para desenvolver sua autoconfiança.

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“Ele falou: ‘Não te vejo pronta para diretora ainda regional, mas não tem ninguém na região que conhece mais desse negócio e do produto do que você. Eu te apoio nessa candidatura’”, relembrou. A executiva explicou que a conversa a levou a reconhecer os pontos que precisava desenvolver, sem abandonar a oportunidade.

O retorno ao Brasil representou outra mudança importante. Cynthia assumiu a liderança de uma unidade de negócios e se tornou a primeira mulher a ocupar uma cadeira dessa natureza na estrutura executiva da empresa em que trabalhava. Até então, havia mulheres em áreas como recursos humanos e jurídico, mas não no comando das unidades comerciais.

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“Foi um outro momento em que eu sentei e falei: é uma cadeira maior, tinha um desafio grande, times grandes. Essa liderança foi um grande aprendizado para mim, de falar: efetivamente a gente consegue sentar numa posição, desenvolver times e trazer resultados”, relatou.

Inovação precisa chegar aos pacientes

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À frente da UCB Brasil, a executiva considera que o crescimento da indústria farmacêutica precisa estar acompanhado de soluções que permitam aos pacientes acessar novos tratamentos. Ela destacou que o desenvolvimento de medicamentos envolve desafios que vão além da pesquisa científica e da comercialização dos produtos.

“A gente tem que atuar como parceiros e na construção para que a inovação chegue de forma sustentável para os pacientes que mais precisam”, afirmou. Segundo Cynthia, o processo exige diálogo com gestores dos sistemas público e privado, sociedades médicas, associações de pacientes e responsáveis pelo financiamento dos tratamentos.

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A presidente também ressaltou a necessidade de reduzir o tempo entre o aparecimento dos sintomas, o diagnóstico e o atendimento especializado. Para ela, as empresas farmacêuticas devem participar da construção de caminhos que facilitem o acesso à informação e permitam que os pacientes recebam os tratamentos adequados no momento necessário.

Liderança feminina e redes de apoio

A experiência de ser a primeira mulher a presidir a UCB Brasil também trouxe à executiva a responsabilidade de ampliar a representatividade feminina na organização. Ela afirmou que o setor de saúde já apresenta uma participação expressiva de mulheres e destacou a presença feminina nos cargos de liderança da companhia, sem apresentar percentuais específicos.

Ao longo da carreira, Cynthia contou com o apoio de gestores homens e mulheres, que contribuíram para seu desenvolvimento e a incentivaram a assumir novas responsabilidades. Ela defendeu a importância dessas relações profissionais, especialmente em ambientes nos quais os homens historicamente ocuparam a maior parte das posições de comando.

“A gente precisa ter essa conexão, essa rede de quem você confia, de quem você se inspira, para ajudar a olhar além da posição atual em que a gente atua e os caminhos que a gente persegue”, explicou. A executiva também recomendou que as mulheres preservem sua identidade, em vez de tentar reproduzir modelos tradicionais de liderança.

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Para a presidente da UCB, assumir o protagonismo na carreira não significa buscar reconhecimento individual, mas construir oportunidades que também beneficiem outras pessoas. Ela considera que o avanço profissional deve estar associado à capacidade de desenvolver equipes e abrir espaço para novas lideranças.

“Para mim, ser protagonista é você ter a condução da sua jornada. Não é seu centro, mas você tem grandes atores ao seu redor para que esse protagonismo aconteça”, afirmou, ao defender que cada profissional assuma responsabilidade pelas próprias escolhas.

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Ao encerrar a entrevista, Cynthia Diaféria destacou que uma liderança bem-sucedida também precisa contribuir para o crescimento de quem está ao redor. “Fazer com que todos brilhem e abrir esse caminho para que outros protagonistas surjam na nossa sequência”, concluiu.

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