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Protagonistas: Saúde mental no trabalho é responsabilidade coletiva, diz conselheira de executivos C-Level Gabriela Viana
Publicado 11/06/2026 • 21:26 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 11/06/2026 • 21:26 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
A saúde mental no ambiente de trabalho precisa ser tratada como uma responsabilidade coletiva, e não como um problema exclusivo do indivíduo ou das empresas, afirmou Gabriela Viana, psicoterapeuta, conselheira e especialista em saúde mental no ambiente corporativo.
Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Gabriela disse que o tema ainda é cercado por dois extremos: a banalização do sofrimento psíquico e o silêncio provocado pelo tabu.
“A gente começou a disputar de quem é o tema da saúde mental. Ele é coletivo”, afirmou.
Gabriela construiu uma carreira de cerca de 30 anos no mercado corporativo, com passagens por empresas como Motorola, Google, Xiaomi e Adobe. Depois de anos na área de tecnologia e comunicação, decidiu fazer uma transição para a psicoterapia, área que já estudava havia mais de duas décadas.
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Segundo ela, a mudança de carreira começou quando percebeu que usava palavras como “aguentar” para se referir aos próprios projetos profissionais. A perda dos pais em um intervalo curto também acelerou a decisão.
“Eu não tenho mais cinco anos para fazer o que eu quero fazer. Eu preciso fazer agora”, disse.
Hoje, Gabriela atua em três frentes: treinamentos de saúde mental para empresas, psicoeducação para famílias e pacientes, e atendimento em consultório com foco em trauma. Segundo ela, o repertório construído no mundo corporativo ajuda a compreender as pressões vividas por profissionais e organizações.
A ex-executiva disse que muitas empresas ainda precisam alinhar expectativas sobre o papel que ocupam na saúde mental dos funcionários. Para ela, parte do setor de tecnologia reforçou por anos uma cultura de envolvimento excessivo, com discurso de pertencimento que confundia empresa e vida pessoal.
“Na tecnologia, a gente sofreu muito disso. Acho que tem que haver uma meia culpa”, afirmou.
Gabriela também disse que parte do mundo corporativo ainda confunde alta performance com exaustão. Segundo ela, a geração que hoje ocupa parte relevante dos cargos de liderança se sacrificou em nome do trabalho, enquanto profissionais mais jovens demonstram relação diferente com carreira, empresa e tempo.
“A nossa geração se sacrificou no altar do trabalho”, afirmou.
Na avaliação dela, a nova geração tem menos apego à ideia de passar muitos anos na mesma empresa, mas ainda enfrenta um desalinhamento entre o desejo de crescer e a disposição para lidar com as exigências do ambiente corporativo.
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Siga o Times | CNBCGabriela afirmou que mulheres costumam enfrentar pressão adicional, porque ainda precisam abrir espaço em ambientes mais restritos e acumular mais papéis fora do trabalho.
“Para mulheres ainda é um pouco pior, porque a gente sabe que tem que cavar espaços mais restritos”, disse.
Ao comentar o avanço da inteligência artificial, Gabriela afirmou que não acredita em substituição completa do ser humano. Para ela, a IA pode reorganizar funções e automatizar processos, mas não replica dimensões humanas como consciência, amor, finitude e vínculo.
“A IA não morre, não ama e, portanto, não pode substituir os seres humanos”, afirmou.
Para Gabriela, a principal habilidade para o futuro do trabalho será a capacidade de se relacionar. Ela disse que comunicação, presença e leitura das pistas sociais continuarão sendo centrais em ambientes profissionais.
“A principal habilidade é se relacionar. É o relacionamento”, disse.
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A psicoterapeuta defendeu o modelo híbrido como uma forma de conciliar conforto individual e convivência. Segundo ela, a presença física ajuda a captar sinais que não aparecem da mesma forma em interações mediadas por tecnologia.
Gabriela também alertou para a busca por relações sem conflito, seja com inteligência artificial ou em vínculos excessivamente controlados. Para ela, relações humanas exigem complexidade, fricção e vulnerabilidade.
“Tudo que vale a pena é complexo”, afirmou.
Questionada sobre o que significa ser protagonista da própria história, Gabriela disse que a ideia está ligada a alinhar pensamento, sentimento e ação, sem tentar reproduzir a trajetória de outras pessoas.
“É você definir aquilo que é a sua história, que não é de mais ninguém”, afirmou.
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