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Sony Music e Warner processam Anthropic por uso de músicas em I.A

Publicado 02/09/2026 • 06:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Sony Music e Warner acusam Anthropic de usar milhares de músicas protegidas sem autorização.
  • Editoras afirmam que Claude reproduz letras protegidas e pedem até US$ 150 mil (aproximadamente R$ 773 mil) por obra.
  • Processo cita torrents, coleta de letras e dados usados no treinamento dos modelos de I.A.
Sony Music e Warner processam Anthropic por uso de músicas em I.A

Foto: Divulgação

Sony Music e Warner processam Anthropic por uso de músicas em I.A

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell Music abriram uma nova frente na disputa entre a indústria musical e as empresas de inteligência artificial. As editoras processaram a Anthropic, criadora do Claude, sob a acusação de utilizar milhares de músicas protegidas por direitos autorais sem autorização no desenvolvimento e na operação de seus modelos.

De acordo com a The Times Of India, a ação foi apresentada em 28 de agosto no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. Além da Anthropic, o processo cita o CEO da empresa, Dario Amodei, e o cofundador Benjamin Mann como réus.

Segundo as editoras, o catálogo envolvido reúne “dezenas de milhares” de composições. Além disso, a denúncia cita, entre outras, “Eye of the Tiger”, “September”, “Uptown Funk”, “Hallelujah” e “Paper Rings”, de Taylor Swift.

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Sony pode enfrentar disputa de bilhões de dólares

O tamanho do catálogo citado no processo ajuda a explicar o impacto financeiro da disputa. Sony Music Publishing e Warner Chappell pedem até US$ 150 mil (aproximadamente R$ 773 mil) por obra em casos de violação intencional de direitos autorais.

As editoras também solicitam até US$ 25 mil (R$ 128 mil) por cada suposta remoção ou alteração de informações de gerenciamento de direitos autorais. Como a denúncia menciona dezenas de milhares de composições, a exposição teórica pode chegar a bilhões de dólares.

No entanto, esse valor não representa uma condenação. A quantia final, caso o tribunal reconheça alguma infração, dependerá das decisões tomadas durante o processo. As empresas também pedem julgamento por júri, destruição de cópias consideradas infratoras e informações sobre os dados utilizados no treinamento do Claude.

O que Sony e Warner dizem que aconteceu

O processo não questiona apenas a presença de músicas protegidas nos dados usados pela Anthropic. As editoras alegam que a empresa teria obtido esse conteúdo por meios não autorizados e depois feito cópias das obras durante o treinamento e a operação dos modelos.

A denúncia menciona torrents e técnicas de coleta automatizada de conteúdo na internet. Além disso, Sony Music Publishing e Warner Chappell afirmam que a Anthropic coletou letras em sites como Musixmatch e LyricFind e utilizou conjuntos de dados como Common Crawl, The Pile e Books3. As alegações ainda serão analisadas pela Justiça e não representam uma conclusão sobre a responsabilidade da Anthropic.

Claude também entrou na disputa

Outro ponto levantado pelas editoras envolve o conteúdo que o Claude produz depois do treinamento. Segundo a denúncia, o sistema consegue reproduzir letras protegidas por direitos autorais de forma literal ou muito próxima do texto original.

As empresas também alegam que mecanismos de segurança criados após disputas anteriores podem ser contornados quando o usuário faz comandos repetidos.

Por isso, o processo amplia a discussão para além da utilização das obras durante o treinamento. As editoras questionam também a possibilidade de o Claude reproduzir posteriormente conteúdos protegidos para os usuários. Caberá ao tribunal decidir se determinados resultados configuram infração e se a Anthropic pode responder por eles.

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Processo retoma acusações sobre livros

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Para sustentar as alegações sobre a origem dos dados, a denúncia também recorre a informações de uma disputa anterior envolvendo autores e a Anthropic.

Segundo o processo, Benjamin Mann teria usado o BitTorrent para baixar pelo menos 5 milhões de livros da Library Genesis em 2021. A denúncia afirma ainda que funcionários da Anthropic obtiveram pelo menos outros 2 milhões de livros da Pirate Library Mirror em 2022.

As editoras utilizam esse histórico para questionar a forma como a Anthropic teria adquirido materiais protegidos por direitos autorais antes de incorporá-los aos sistemas de inteligência artificial.

Disputa aumenta pressão sobre Anthropic

A nova ação se soma a outros processos envolvendo a Anthropic e editoras musicais. Universal Music Publishing Group, Concord Music Group e ABKCO já haviam levado a empresa à Justiça. BMG e Round Hill Music também apresentaram ações separadas.

Com o processo de Sony Music Publishing e Warner Chappell, editoras ligadas às três principais companhias do setor musical passaram a integrar a disputa judicial contra a Anthropic.

Para as editoras, o debate não envolve necessariamente a existência da inteligência artificial, mas a forma como as empresas obtêm obras protegidas para desenvolver seus sistemas. A denúncia defende que a tecnologia pode coexistir com o mercado musical quando as companhias utilizam conteúdos mediante licenças e acordos.

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Anthropic já enfrentou disputa semelhante

O novo processo também aproveita elementos de uma ação anterior envolvendo autores. Naquele caso, a disputa tratava da aquisição de obras protegidas por direitos autorais a partir de fontes consideradas piratas.

O juiz responsável pelo processo descreveu a conduta alegada como pirataria em larga escala. Posteriormente, a Anthropic concordou com um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,73 bilhões) com os autores para encerrar a disputa.

Agora, Sony Music Publishing e Warner Chappell usam esse episódio como parte do contexto para sustentar suas alegações sobre a obtenção de material protegido por direitos autorais.

O caso ainda está no início e as acusações apresentadas pela Sony Music e pela Warner Chappell terão de ser analisadas pela Justiça dos Estados Unidos. Assim, o processo poderá definir novos parâmetros para o uso de músicas e outros conteúdos protegidos no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

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