Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Target tenta recuperar famílias que migraram para Walmart começando pelo setor de bebês
Publicado 10/05/2026 • 18:00 | Atualizado há 3 dias
Ações de Boeing, veículos elétricos e chips ficam no radar durante negociações entre Trump e Xi
CEO da Allegiant defende modelo de baixo custo após conclusão da compra da Sun Country
SoftBank registra ganho de US$ 46 bilhões com aposta bilionária na OpenAI
Ações da Cisco disparam 17% após salto em pedidos de IA, apesar de corte de 4 mil empregos
CEO da Nvidia se junta à viagem de Trump à China após ligação do presidente dos EUA
Publicado 10/05/2026 • 18:00 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Melissa Repko / CNBC
A Target já vende muitos artigos para bebês, incluindo fraldas e roupas. No entanto, está tentando renovar seu departamento infantil para atrair mais vendas de famílias ocupadas
Além dos corredores de fraldas e roupas infantis, consumidores da Target agora encontram em algumas lojas da rede marcas de bebês tradicionalmente vendidas em boutiques especializadas.
Em cerca de 200 lojas, o equivalente a aproximadamente 10% da operação da varejista, os clientes podem testar carrinhos, cadeirinhas de automóvel e cadeiras de alimentação fora das caixas. Entre os produtos disponíveis estão itens de marcas premium, como um carrinho da UPPAbaby vendido por cerca de US$ 1 mil (R$ 4,9 mil).
A empresa também ampliou sua oferta de produtos infantis com quase 2 mil novos itens, disponíveis nas lojas físicas e no comércio eletrônico.
As chamadas “baby boutiques”, implementadas nos últimos dois meses, fazem parte de uma estratégia mais ampla da companhia para renovar suas lojas e reconquistar um público considerado central para o negócio: as famílias com rotina corrida, que vêm migrando para concorrentes como o Walmart.
O desempenho da iniciativa será acompanhado de perto porque poderá indicar se o novo CEO da empresa, Michael Fiddelke, conseguirá cumprir a promessa de encerrar a sequência de três anos de queda nas vendas da rede. A companhia divulgará os resultados do primeiro trimestre em 20 de maio, o primeiro período completo sob a gestão do executivo.
Leia também: “Setor infantil nos EUA depende de 90% a 95% da China”, diz CEO da MacroBaby
Em entrevista à CNBC, a diretora de merchandising da empresa, Cara Sylvester, afirmou que famílias com crianças de até cinco anos gastam o dobro do consumidor médio da Target. Segundo ela, famílias com filhos em diferentes faixas etárias também visitam as lojas duas vezes mais do que a média dos clientes.
Ela afirmou que a companhia percebeu a relevância desse público ao revisar suas operações após Fiddelke assumir a liderança do plano de recuperação.
“Vemos uma oportunidade enorme na Target de aprofundar nossa relação com famílias ocupadas e nos tornarmos sua primeira escolha para ainda mais necessidades do dia a dia”, disse Sylvester.
A estratégia inclui melhora na qualidade dos produtos, renovação da experiência nas lojas e expansão de serviços de conveniência, como retirada e entrega no mesmo dia, em uma tentativa de impulsionar vendas e enfrentar a concorrência de Walmart e Amazon.
Leia também: Tensão em Minneapolis: Target fala em ‘violência dolorosa’, mas evita embate direto com Trump
A rede informou em março que espera voltar a crescer em vendas anuais neste ano. Segundo a companhia, as vendas líquidas devem subir cerca de 2% em relação ao ano anterior, com crescimento previsto em todos os trimestres.
Apesar da queda no tráfego de consumidores em lojas e no site da empresa nos últimos quatro trimestres consecutivos, a companhia vê sinais de recuperação no fluxo de clientes, segundo dados da empresa de análise Placer.ai.
Ainda assim, a Target enfrenta desafios em seu plano de recuperação. Entre eles estão a concorrência mais intensa, a ameaça de boicote promovida por um sindicato de professores e o risco de aumento nos preços dos combustíveis reduzir os gastos dos consumidores.
Segundo Simeon Gutman, analista de varejo do Morgan Stanley, o aumento nos preços da gasolina pode ampliar a chamada “economia em K”, marcada pela diferença crescente entre os gastos de consumidores de renda mais alta e mais baixa.
Ele afirmou que o Walmart vem conseguindo compensar perdas entre consumidores com menos recursos graças ao crescimento de clientes mais ricos, algo que, segundo ele, não ocorre da mesma forma na Target.
Leia também: Amazon planeja megaloja física nos EUA e desafia Walmart e Target
Ainda assim, Gutman disse ver sinais positivos nas mudanças feitas pela companhia para renovar lojas e categorias de produtos, o que pode ampliar o fluxo de consumidores.
O investimento da Target na reformulação do setor infantil – o maior feito pela empresa nessa categoria em mais de uma década – acontece em um momento de queda na taxa de natalidade dos Estados Unidos.
Segundo dados preliminares do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde ligado ao CDC, o número de nascimentos caiu de 4,32 milhões em 2007 para 3,61 milhões em 2025, redução de aproximadamente 16% em 18 anos.
Pesquisadores associam a queda a fatores como redução da gravidez na adolescência e adiamento da maternidade.
Mesmo assim, Sylvester afirmou que a companhia precisava mudar a maneira como se conecta com famílias, começando justamente pelo setor infantil.
Leia também: Com novo CEO, Target busca recuperar seu diferencial de estilo perdido
Segundo ela, pesquisas internas mostram que consumidores tendem a reduzir o número de lojas onde fazem compras após terem filhos, por conta da falta de tempo. Isso faz com que conquistar esse público possa significar não apenas mais vendas de fraldas e lenços umedecidos, mas também de alimentos e roupas.
Sylvester acrescentou que o setor de bebês é prioritário porque representa uma forma de conquistar a confiança de pais de primeira viagem, consumidores considerados estratégicos para diversas categorias da empresa.
A Target é atualmente a terceira maior varejista dos Estados Unidos no segmento de bebês, segundo a consultoria Numerator.
O Walmart lidera o setor com 27% de participação, seguido pela Amazon, com 24,4%, e pela própria Target, com 17,6%, considerando os 12 meses encerrados em fevereiro.
Nos últimos dois anos, porém, a participação da Target caiu de 18,6%, enquanto o Walmart ampliou sua fatia, passando de 25,4%. A Amazon permaneceu praticamente estável.
A empresa não revelou quanto está investindo especificamente nas “baby boutiques”, mas informou em março que pretende gastar cerca de US$ 5 bilhões (R$ 24,6 bilhões) em despesas de capital neste ano fiscal, mais de US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões) acima do exercício anterior.
Leia também: Em alta, cards de Pokémon e esportes impulsionam Target e Walmart antes das festas de fim de ano
Os recursos serão destinados à abertura e reforma de lojas.
Sylvester afirmou que a empresa pretende expandir as boutiques infantis para mais unidades, embora ainda não tenha definido um cronograma.
Em apresentação para investidores realizada em março, Sylvester reconheceu que a empresa perdeu parte da conexão com famílias. “Nosso desempenho nos últimos anos não correspondeu às expectativas. E isso é nossa responsabilidade”, afirmou.
Ela acrescentou: “Perdemos a clareza e a disciplina que faziam da Target um lugar amado por famílias ocupadas”.
Gutman afirmou que o setor de bebês está “intrinsecamente ligado ao sucesso da Target”, porque funciona como porta de entrada para vendas maiores e participação mais ampla nos gastos dos consumidores. “É uma dessas categorias em que acredito que eles têm capacidade de vencer – e deveriam vencer”, disse.
Leia também: Trump vai se reunir com executivos da Walmart, Target e Home Depot para discutir tarifas
Segundo Sylvester, as novas áreas infantis representam um avanço em relação ao formato anterior da Target.
Ela afirmou que o setor agora se parece mais com uma loja especializada e curada, desenhada para simplificar decisões de compra consideradas complexas para pais.
Além das marcas premium, a rede ampliou a presença de itens da marca própria Cloud Island, que inclui roupas, babadores e lençóis para berço.
Nas novas boutiques, consumidores podem empurrar, dobrar e levantar carrinhos antes da compra, experiência que se tornou menos comum após o fechamento de redes especializadas como Buybuy Baby e Babies R Us.
A varejista também está testando um serviço de consultoria infantil em parceria com a Tot Squad, que oferece orientação gratuita para clientes compararem produtos ou montarem listas de presentes para bebês.
Leia também: Millie Bobby Brown, estrela de ‘Stranger Things’, ainda faz compras na Target: ‘Cresci sem dinheiro
O serviço está disponível presencialmente nas boutiques e também online.
Mercados de produtos usados, como o Facebook Marketplace, também são apontados como ameaça competitiva, já que consumidores conseguem encontrar marcas premium com descontos elevados.
A marca WildBird, especializada em carregadores de bebê, passou a vender seus produtos nas lojas da Target em março.
Segundo o cofundador e CEO da empresa, Nate Gunn, a expansão marca a primeira grande entrada da companhia em lojas físicas.
Ele afirmou que o crescimento das redes sociais aumentou o número de marcas disponíveis, mas também ampliou a confusão dos consumidores, especialmente no setor infantil. “Os consumidores estão mais frustrados para comprar, embora seja mais fácil do que nunca”, afirmou.
Leia também: Amazon supera Walmart em receita e já fatura quase o equivalente a todas as empresas da Bolsa
Segundo Gunn, os corredores infantis da Target pareciam “ultrapassados” e “comoditizados” em comparação com outras áreas das lojas.
Ele acredita, porém, que as boutiques podem fortalecer a relação da empresa com famílias que frequentam as unidades para passear e consumir outros produtos. “Gostaria de ver a Target explorar ainda mais o que a diferencia do Walmart”, disse. “No Walmart, entro procurando o menor preço possível. Na Target, procuro uma experiência mais premium, mas ainda acessível.”
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Mais lidas
1
Dívidas dos clubes brasileiros batem R$ 16 bilhões em 2025; veja ranking
2
Linha do tempo: como os sócios da Naskar abandonaram a sede e sumiram com o dinheiro de investidores
3
BC multa Banco Topázio em R$ 16,2 milhões, veta operações com cripto e põe outras instituições no radar
4
Por que a Enjoei decidiu encerrar a Elo7? Entenda o que levou ao fechamento
5
Rombo contábil de R$ 5 bilhões na Aegea afeta Itaúsa e adia planos de IPO