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Austrália avalia proibição de óculos inteligentes em prédios públicos

Publicado 20/09/2026 • 23:59 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Governo australiano avalia restringir óculos inteligentes em escritórios e centros de atendimento administrados pela Commonwealth.
  • Conselhos municipais já criaram regras para impedir gravações com os dispositivos em piscinas e restringir seu uso em outros espaços.
  • Organizações e pessoas com deficiência também defendem os óculos como ferramenta de apoio para cegos e pessoas com baixa visão.
Austrália avalia proibição de óculos inteligentes em prédios públicos

Foto: unsplash

Austrália avalia proibição de óculos inteligentes em prédios públicos

O governo da Austrália avalia proibir o uso de óculos inteligentes em escritórios e centros de atendimento administrados pelo governo federal. A discussão ocorre diante de preocupações relacionadas à privacidade e à segurança. Os dispositivos possuem câmeras capazes de gravar imagens e capturar informações.

A medida, no entanto, ainda não foi adotada. A ministra da Função Pública, Katy Gallagher, pediu ao serviço público australiano orientações sobre a possibilidade de proibir os aparelhos nos locais de trabalho administrados pela Commonwealth, de acordo com o The Guardian.

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Segundo Gallagher, o governo precisa estabelecer regras claras e consistentes para os servidores públicos. Ela também afirmou que a tecnologia avança rapidamente e que as políticas adotadas no ambiente de trabalho precisam acompanhar essas mudanças.

Privacidade preocupa governo da Austrália

Os óculos inteligentes ganharam espaço por reunirem recursos tecnológicos a um acessório de uso cotidiano. A presença de câmeras, porém, levantou dúvidas sobre a possibilidade de registrar pessoas e informações sem consentimento. Um estudo da Universidade de Sydney analisou vídeos feitos com óculos inteligentes e publicados no Instagram.

Segundo o levantamento citado pelo Guardian, 60% da amostra poderia ser classificada como potencial assédio. O debate também chegou a diferentes espaços públicos da Austrália. Enquanto o governo federal avalia uma possível regra para seus órgãos, conselhos municipais passaram a estabelecer restrições específicas.

Cidades já restringem óculos inteligentes

Em agosto, o conselho municipal de Brisbane proibiu o uso dos óculos inteligentes em piscinas. Já o conselho de Yarra, em Melbourne, restringiu a tecnologia em parques infantis, creches e academias. Os conselhos de Sydney e Blacktown também proibiram frequentadores de piscinas de utilizar os dispositivos para fazer gravações.

Mais recentemente, Canterbury-Bankstown, na região de Sydney, adotou uma restrição semelhante para piscinas públicas. As decisões municipais mostram que a discussão sobre o uso dos aparelhos já ultrapassou os ambientes de trabalho.

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Governo não prevê proibição da importação

Apesar das restrições adotadas em determinados locais, o governo federal australiano não decidiu proibir a importação dos óculos inteligentes.

A proposta em análise também não alcançaria automaticamente todos os prédios públicos do país. O foco está nos locais administrados pela Commonwealth, como escritórios de servidores, centros de atendimento do Centrelink e laboratórios da CSIRO.

Escolas e hospitais administrados pelos governos estaduais, por outro lado, poderão estabelecer suas próprias regras. Dessa forma, uma eventual decisão federal não significaria uma proibição automática em todos os espaços públicos da Austrália.

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Tecnologia também tem uso para acessibilidade

A discussão envolve ainda os possíveis benefícios dos dispositivos. A Vision Australia e algumas pessoas com deficiência defendem os óculos inteligentes como ferramenta de apoio para pessoas cegas ou com baixa visão. A procuradora-geral federal, Michelle Rowland, afirmou que pretende conversar com empresas sobre a abordagem adotada para a tecnologia.

Ela também destacou a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a proteção da privacidade e o acesso aos recursos oferecidos pelos aparelhos. Rowland afirmou que o governo não está buscando uma proibição, mas também não descartou nenhuma possibilidade.

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Austrália acompanha restrições internacionais

Outros governos e instituições já estabeleceram restrições para os óculos inteligentes. Tribunais da Inglaterra e do País de Gales, no Reino Unido, e o estado de Nova York, nos Estados Unidos, proibiram a tecnologia em determinados contextos.

Nos Estados Unidos, o órgão de Imigração e Alfândega (ICE) teria classificado os dispositivos como câmeras corporais e proibido seu uso no espaço de trabalho federal. Até agora, porém, nenhum governo nacional proibiu o uso dos óculos inteligentes em todas as suas agências.

Debate ocorre junto com regras para I.A

A discussão sobre os óculos inteligentes também acontece enquanto o governo australiano atualiza suas políticas para novas tecnologias.

Na semana anterior, o Executivo publicou orientações sobre o uso de inteligência artificial no serviço público.As regras indicam que os funcionários não precisam ser consultados sobre todas as novas ferramentas. Entretanto, a participação dos trabalhadores deve ocorrer quando houver grandes iniciativas ou mudanças na forma como realizam suas atividades.

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Além disso, empresas como Commonwealth Bank, Microsoft, AGL, Telstra, Kmart, Blackmores Group e Ramsay Health Care participarão de uma reunião sobre novas diretrizes nacionais para o uso de IA no ambiente de trabalho.

Com a discussão sobre os óculos inteligentes, o governo da Austrália, agora avalia como atualizar as regras do serviço público diante de uma tecnologia que pode ampliar o acesso a determinados recursos, mas também permitir novas formas de gravação em ambientes compartilhados.

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