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China, carros elétricos e tarifas: a combinação que levou a BMW a cortar empregos
Publicado 30/07/2026 • 12:40 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/07/2026 • 12:40 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: unsplash
China, carros elétricos e tarifas: a combinação que levou a BMW a cortar empregos
A BMW decidiu reduzir cerca de 8 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2027, em um movimento que revela a pressão enfrentada pela indústria automotiva do país. A montadora atribui a reestruturação ao novo cenário do setor, marcado pela desaceleração do mercado chinês, pelos altos custos da transição para veículos elétricos e pelo impacto das tarifas comerciais.
O corte ocorrerá por meio de um programa de demissão voluntária negociado entre a empresa e o conselho de trabalhadores. A medida será direcionada principalmente para áreas administrativas e de desenvolvimento, enquanto os funcionários das linhas de produção ficarão fora da iniciativa.
Atualmente, a BMW possui cerca de 150 mil funcionários em todo o mundo. Na Alemanha, a companhia emprega aproximadamente 85 mil trabalhadores permanentes, dos quais cerca de 40 mil poderão receber propostas para aderir ao programa a partir de outubro.
A expectativa é que a maior parte dos desligamentos aconteça em 2027. Com isso, a empresa pretende reduzir custos a partir de 2028, enquanto os gastos relacionados à reestruturação devem aparecer ainda no segundo semestre de 2026. O valor final dependerá da adesão dos funcionários, mas poderá alcançar centenas de milhões de euros.
Leia também: BMW acelera reestruturação e planeja cortar 8 mil empregos na Alemanha até 2027
Um dos principais motivos para a decisão está no desempenho abaixo do esperado no mercado chinês. A China é um dos maiores mercados da BMW, mas a fabricante enfrenta uma combinação de menor demanda, desaceleração econômica e avanço de marcas locais de veículos elétricos.
Em junho, a BMW reduziu sua previsão de lucro para o ano após avaliar que o desempenho na China seria mais fraco do que o previsto. Além disso, as vendas da marca no país caíram 30% no trimestre encerrado em junho, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O cenário reflete uma mudança no mercado automotivo global. Enquanto empresas chinesas ampliam sua participação no segmento de carros elétricos, fabricantes tradicionais europeias precisam acelerar investimentos em tecnologia para competir.
Durante uma reunião com funcionários em Munique, o presidente-executivo da BMW, Milan Nedeljkovic, afirmou que as regras do setor automotivo passaram por mudanças significativas. Segundo participantes do encontro, o executivo destacou que a empresa enfrenta um período difícil, mas que os ajustes são necessários para melhorar a rentabilidade.
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Siga o Times | CNBCA companhia também informou que pretende intensificar medidas de redução de custos. Para a BMW, a adaptação da estrutura interna é uma forma de responder às novas condições do mercado e manter a competitividade.
Leia também: Lucro da Volkswagen cai 12% no semestre com impacto de tarifas, queda de vendas na China e custos de reestruturação
A decisão da BMW acompanha um movimento mais amplo entre as montadoras alemãs. A Volkswagen avalia cortes em suas operações e já anunciou medidas de redução de custos, enquanto a Mercedes-Benz mantém programas de desligamento voluntário.
Além disso, a Porsche, marca pertencente ao Grupo Volkswagen, ampliou seus planos de reestruturação e prevê reduzir cerca de 20% do quadro de funcionários até 2035.
Segundo dados da consultoria EY, a indústria alemã perdeu aproximadamente 124 mil empregos no último ano, com o setor automotivo entre os mais afetados.
Leia também: Volkswagen: CEO admite necessidade de mais 50 mil demissões
Apesar da redução de funcionários na Alemanha, as fabricantes continuam investindo em unidades consideradas mais competitivas. A BMW abriu uma fábrica na Hungria, enquanto a Mercedes-Benz expandiu sua operação em Kecskemét, também na Europa.
Dessa forma, o corte anunciado pela BMW representa não apenas uma redução de quadro, mas uma tentativa da montadora de se adaptar a uma transformação que mudou o equilíbrio da indústria automotiva global. A disputa pelos carros elétricos, a perda de ritmo na China e as novas barreiras comerciais colocaram pressão sobre um setor que durante décadas foi um dos pilares da economia alemã.
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