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Emissão de US$ 25 bilhões em títulos da SpaceX gera forte demanda; e uma possível dor de cabeça para investidores

Publicado 29/06/2026 • 08:40 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • A SpaceX levantou US$ 25 bilhões em uma emissão de dívida na semana passada.
  • Analistas alertam que a operação pode aumentar o risco de concentração em carteiras com múltiplas classes de ativos.
  • Na oferta, a SpaceX emitiu títulos em cinco diferentes tranches, com vencimentos entre 2031 e 2056.
O que justifica um valuation de mais de US$ 2 trilhões para a SpaceX (5)

Foto: reprodução

A incursão da SpaceX no mercado de dívida, com uma captação de US$ 25 bilhões na semana passada, parece ter sido bem recebida pelos investidores em renda fixa, gerando uma demanda expressiva pela oferta.

Mas uma das maiores emissões de títulos já realizadas por uma empresa ligada à inteligência artificial, menos de duas semanas após o IPO da SpaceX, também destacou as intensas necessidades de financiamento do grupo, seus planos de investimentos em capital e futuras obrigações de refinanciamento — além de levantar desafios de diversificação para os investidores.

Por que a SpaceX recorreu ao mercado de dívida

A companhia acessou o mercado de títulos em 22 de junho, anunciando uma oferta de notas sênior sem garantia. Fontes ouvidas pela CNBC afirmaram que a empresa inicialmente pretendia captar US$ 20 bilhões, valor posteriormente ampliado para US$ 25 bilhões. A SpaceX informou que os recursos líquidos serão usados para quitar integralmente os empréstimos pendentes de sua linha de crédito ponte, pagar taxas e despesas relacionadas e destinar o restante a finalidades corporativas gerais.

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A empresa recebeu cerca de US$ 90 bilhões em pedidos de compra dos investidores, segundo pessoas familiarizadas com a operação ouvidas anteriormente pela CNBC. Elas pediram anonimato porque os detalhes da captação são privados.

Apesar da forte demanda pelos títulos, a operação pareceu preocupar investidores em ações. Os papéis da SpaceX recuaram mais de 13% na semana, após uma forte valorização desde o IPO.

Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da IG, afirmou que a SpaceX terá cada vez mais de “trabalhar duro para ser ouvida”, acrescentando que há diversas ofertas de empresas mais lucrativas disputando a atenção dos investidores.

“Investidores em ações são uma coisa, mas os investidores em títulos são os adultos na sala”, disse Beauchamp à CNBC por e-mail. “A SpaceX pode encontrar dificuldades, mas acredito que o mercado consiga absorver a emissão como um todo.”

“O momento certamente não é dos melhores, mas já vimos episódios breves de pânico como este antes, e no fim das contas o mercado costuma seguir em frente.”

Christopher Della Fave, vice-presidente sênior de mercados de capitais da Post Oak Group, destacou: “Duas semanas após o maior IPO da história, a SpaceX já está recorrendo ao mercado de dívida enquanto carrega um prejuízo líquido de US$ 5 bilhões e despesas de capital que mais do que dobraram na comparação anual.”

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Por que os títulos da SpaceX levantam dúvidas sobre diversificação

Della Fave afirmou que os prejuízos e os elevados investimentos da SpaceX não são, isoladamente, motivo de preocupação, já que “empresas de crescimento intensivas em capital costumam operar sob forte pressão financeira”.

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No entanto, ele ressaltou um “problema estrutural” que, segundo ele, os investidores não estariam precificando adequadamente.

“Ter ações da SpaceX e títulos da SpaceX não é diversificação”, afirmou. “É o mesmo risco de execução distribuído em dois instrumentos diferentes.”

“A Starlink precisa ganhar escala. A Starship precisa funcionar. Tanto a tese de investimento em ações quanto a capacidade de pagamento da dívida dependem disso. Na construção de portfólio, tratamos toda a exposição à SpaceX como uma única posição concentrada, independentemente do instrumento, da mesma forma que se avaliaria qualquer aposta em uma única empresa de tecnologia disfarçada de alocação multiclasse.”

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A emissão bilionária de dívida significa que muitos investidores passaram a estar expostos à companhia por duas classes de ativos distintas: ações, após o IPO de 12 de junho, e agora títulos corporativos.

“Praticamente todos os investidores já possuem exposição ao setor de tecnologia dos EUA, e a função dos títulos em uma carteira deveria ser justamente promover diversificação”, afirmou Julian Howard, chefe de multiativos da Gam, à CNBC.

Ele observou que o título de dez anos da SpaceX está sendo negociado com um spread relativamente apertado de 1,4 ponto percentual sobre os títulos equivalentes do Tesouro americano.

Na operação, a empresa estruturou a emissão em cinco tranches, com vencimentos entre 2031 e 2056. As taxas variam de 5,35% para os papéis com vencimento em 2031 a 6,65% para os títulos que vencem em 2056.

“Embora esses retornos estejam confortavelmente acima da inflação, o risco é que os spreads aumentem caso haja qualquer sinal de que a SpaceX não conseguirá atingir suas ambiciosas metas de receita, ou se as perspectivas para tecnologia e inteligência artificial se deteriorarem”, acrescentou.

No longo prazo, a SpaceX enfrenta dois grandes desafios nos mercados, segundo Mike Coop, diretor de investimentos da Morningstar.

“Primeiro, a oferta de ações deve aumentar à medida que investidores iniciais reduzirem suas posições e realizarem ganhos”, disse ele à CNBC.

“Segundo, o preço atual parece elevado diante da enorme incerteza sobre as perspectivas da empresa, que parte de uma situação de fortes prejuízos e necessidade de investimentos maciços em capital.”

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