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Ações da SpaceX esfriam, mas contratações na economia espacial seguem aquecidas
Publicado 27/06/2026 • 19:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/06/2026 • 19:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
É evidente que há dinheiro a ser ganho no espaço. A histórica oferta pública inicial de ações da SpaceX transformou a empresa em uma companhia avaliada em US$ 2 trilhões (R$ 10,36 trilhões). E, embora as ações da empresa de Elon Musk tenham recuado em relação ao pico registrado após o IPO, o crescimento da economia espacial continua impulsionando um novo mercado de trabalho para os americanos.
A economia espacial cresce nos Estados Unidos e no restante do mundo a um ritmo anual de 9%, segundo o Fórum Econômico Mundial. Nos Estados Unidos, a produção bruta da economia espacial aumentou quase US$ 51,5 bilhões (R$ 266,8 bilhões) entre 2012 e 2023. O valor total do setor atingiu o recorde de US$ 613 bilhões (R$ 3,18 trilhões) no segundo trimestre de 2025, de acordo com a Space Foundation.
À medida que a economia espacial cresce, ela impulsiona a criação de empregos em todo o país. Apenas no setor privado, mais de 373 mil trabalhadores atuam em empregos ligados à economia espacial, segundo as estimativas mais recentes do Bureau of Economic Analysis, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Embora isso ainda represente uma pequena parcela da força de trabalho privada do país, o segmento cresce rapidamente. O emprego no setor espacial aumentou 27% na década encerrada em 2024, superando com folga o crescimento de 14% registrado no emprego total do setor privado e acelerando seu ritmo nos anos mais recentes. Apenas entre 2019 e 2024, o mercado de trabalho da economia espacial cresceu 18%.
Os trabalhadores mais jovens, em particular, têm desempenhado um papel importante nesse crescimento. Segundo o Censo dos Estados Unidos, quase metade dos novos empregos criados na economia espacial é ocupada por profissionais com menos de 35 anos, o que elevou em 3% a participação desse grupo na força de trabalho do setor entre 2014 e 2024. Na maior parte das principais áreas de atuação da economia espacial, houve aumento da participação de trabalhadores jovens. Isso significa que o setor não apenas cresce, mas também contraria a tendência de redução da participação de jovens observada em outros segmentos acompanhados pelo Censo, incluindo serviços profissionais e mídia.
Dean Boerner, cientista-chefe de dados da Revelio Labs, constatou em uma pesquisa recente, baseada na análise de dezenas de milhares de vagas anunciadas por centenas de empresas da economia espacial, que o setor vem superando significativamente o mercado de trabalho em geral na oferta de oportunidades profissionais.
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“As vagas abertas por empresas que atuam na economia espacial aumentaram mais de 40% em relação ao mesmo período do ano passado até este mês (e, de forma geral, permaneceram elevadas ao longo de todo este ano, na comparação com 2025)”, afirmou Boerner. “No conjunto do mercado de trabalho dos Estados Unidos, as vagas caíram cerca de 5%, tornando o avanço das oportunidades no setor aeroespacial particularmente expressivo”, acrescentou.
A remuneração nas atividades ligadas ao setor aeroespacial é atrativa. O setor espacial privado registra uma folha salarial anual combinada de cerca de US$ 57,9 bilhões (R$ 300 bilhões), com salários anuais medianos que variam conforme a ocupação, mas normalmente ficam entre US$ 100 mil (R$ 518 mil) e US$ 135 mil (R$ 699,3 mil). No entanto, os salários-base representam apenas uma parte dos pacotes de remuneração oferecidos pelas empresas privadas. Grandes empregadores do setor costumam conceder opções de compra de ações, permitindo que funcionários invistam antecipadamente em empresas que podem se tornar grandes companhias de capital aberto. No caso do histórico IPO da SpaceX, milhares de funcionários atuais e antigos tornaram-se milionários da noite para o dia graças às ações que já possuíam. Mais de 100 pessoas passaram a ter patrimônio superior a US$ 1 bilhão (R$ 5,18 bilhões).
“Esse mercado de trabalho é competitivo, frequentemente com milhares de candidatos disputando cada vaga de nível inicial”, afirmou Dave Baldwin, diretor de aquisição de talentos da Firefly Aerospace, empresa que abriu capital em agosto do ano passado.
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Ainda assim, milhares de vagas nessas empresas permanecem abertas diariamente. Apesar dos cargos atrativos e das perspectivas positivas em um setor cada vez mais lucrativo, o crescimento do emprego na economia espacial não tem acompanhado o ritmo de expansão da indústria. Nos últimos anos, empresas do setor espacial enfrentam processos prolongados de contratação, alta rotatividade de funcionários e escassez persistente de mão de obra. Um dos principais motivos é que o trabalho depende fortemente de profissionais altamente qualificados, especialmente nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
Estimativas recentes indicam que mais da metade dos empregos da economia espacial no setor privado exige habilidades em STEM, aproximadamente o dobro da média nacional. Embora essas competências sejam essenciais, elas representam um desafio para empresas que buscam recrutar e reter talentos. Apenas cerca de um quarto da força de trabalho americana possui formação formal em STEM, e uma parcela ainda menor conta com a formação técnica específica necessária para a produção aeroespacial. Para empresas que ampliam sua atuação na economia espacial, isso significa competir continuamente por um grupo restrito de profissionais com as habilidades necessárias para sustentar as operações atuais e o crescimento de longo prazo.
A própria SpaceX, em seu formulário S-1 apresentado antes do IPO, reconheceu esse cenário como um risco potencial para investidores. A empresa afirmou depender da capacidade de recrutar e reter funcionários com avançadas habilidades técnicas e de engenharia e alertou que a intensa concorrência por esses profissionais pode elevar custos e comprometer cronogramas de desenvolvimento e produção.
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O documento também destaca que o atual mercado de trabalho aquecido prejudicou a capacidade da empresa de contratar profissionais qualificados, incluindo engenheiros, especialmente para sua divisão de inteligência artificial (IA), reforçando os desafios trazidos pela rápida expansão da economia espacial.
Dados da Revelio Labs mostram a dimensão do problema, apontando uma diferença de 45 pontos percentuais entre o volume de vagas abertas no setor espacial e no restante da economia: enquanto as oportunidades na economia espacial cresceram 40%, o total de vagas nos Estados Unidos caiu 5%.
Diversos grandes empregadores do setor aeroespacial estão entre os que mais enfrentam dificuldades para contratar. A Lockheed Martin possui o segundo maior número de vagas abertas entre todas as empresas, com 10.614 postos, um aumento de mais de 5 mil vagas em relação ao mesmo período do ano passado. A RTX Corp. lidera o ranking global, com 12.871 vagas abertas.
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Siga o Times | CNBCSegundo Dean Boerner, os cargos mais procurados são, nesta ordem: engenheiro de segurança, especialista em segurança da informação, engenheiro de integração, engenheiro de confiabilidade e engenheiro de hardware. Todos exigem, no mínimo, bacharelado em área relacionada.
Um relatório de 2025 da Aerospace Industries Association (AIA), elaborado em parceria com a McKinsey & Co., constatou que a taxa de rotatividade da indústria aeroespacial entre 2021 e 2024 foi de quase 16%, mais de 10% superior à registrada em qualquer outro setor. Além disso, 76% das organizações associadas à AIA relataram dificuldades persistentes para contratar engenheiros.
Os desafios também atingem funções essenciais da manufatura. Cinquenta e seis por cento das organizações afirmaram enfrentar dificuldades para contratar profissionais qualificados para a produção industrial. Quase 30% do trabalho realizado na economia espacial está relacionado à manufatura especializada, responsável pela produção de veículos espaciais, armamentos espaciais e satélites.
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Os satélites, em especial, vêm impulsionando o crescimento recente à medida que o mercado espacial desloca seu foco da exploração para a comercialização, pelo menos no curto prazo. Em 2024, segundo estimativas da Space Foundation, os produtos e serviços espaciais comerciais responderam por bem mais da metade do valor total da economia espacial, impulsionados principalmente pela evolução e expansão da tecnologia de satélites.
Essa tendência é sustentada pelo valor dos dados obtidos por satélites para a economia global, permitindo, por exemplo, otimizar rotas de frotas, melhorar cadeias globais de suprimentos, aumentar a eficiência da capacidade industrial das empresas e ampliar seu alcance junto aos consumidores.
No entanto, a indústria espacial não detém exclusividade sobre os profissionais de que precisa.
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“O desafio é que existe um número limitado de maquinistas, soldadores e técnicos para atender à demanda”, afirmou Dave Baldwin. “Além do setor aeroespacial, indústrias como a automotiva, de semicondutores e de biotecnologia competem pelos mesmos profissionais qualificados”, acrescentou.
Para a Firefly Aerospace e outras empresas da economia espacial, investir na formação de novos profissionais desde os estágios iniciais tornou-se uma questão estratégica. O relatório da AIA revelou que, entre as empresas com dificuldades para contratar e reter funcionários, apenas 20% adotaram medidas para desenvolver ou ampliar programas de treinamento. A criação desses programas ficou atrás de iniciativas como bônus por indicação de funcionários, ampliação das áreas geográficas de recrutamento e mudanças nos modelos de remuneração.
“É fundamental que empresas espaciais comerciais façam parcerias com escolas de ensino médio, faculdades comunitárias e universidades para desenvolver programas baseados em habilidades e ampliar a oferta de mão de obra qualificada”, afirmou Baldwin. “Na Firefly, ampliamos esses esforços, oferecendo experiência prática em programas de lançamento, missões lunares e operações no espaço. Também disponibilizamos treinamentos e programas de aprendizagem para ajudar veteranos militares a ingressar no mercado de trabalho por meio do programa DoD SkillBridge.”
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O Club for the Future, fundação voltada à educação criada em 2019 pela empresa espacial Blue Origin, de Jeff Bezos, afirma que sua missão é inspirar as futuras gerações a seguir carreiras em STEM e ajudar a construir o futuro da vida no espaço.
Desde 2021, a fundação destinou dezenas de milhões de dólares a programas educacionais e organizações beneficentes ligadas ao setor espacial. Praticamente todos os grandes fabricantes privados do setor aeroespacial mantêm programas de estágio ao longo de todo o ano, embora essas oportunidades sejam extremamente disputadas e menos frequentes entre empresas de menor porte.
Embora as ações da SpaceX continuem sujeitas à volatilidade, a empresa está cada vez mais integrada ao mercado e deverá ser incluída em breve no índice Nasdaq 100. Se as projeções otimistas sobre a companhia se confirmarem, os investimentos em educação feitos hoje deverão gerar benefícios para empregadores e trabalhadores nas próximas décadas.
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O investidor inicial da SpaceX, Ron Baron, afirmou que a empresa crescerá mais rapidamente do que muitos imaginam. O gestor bilionário disse recentemente à CNBC que não vendeu nenhuma ação no IPO e espera que a companhia alcance um valor de mercado mínimo de US$ 20 trilhões (R$ 103,6 trilhões) em 10 anos.
“Normalmente, nossa economia dobra de tamanho aproximadamente a cada dez anos”, afirmou Baron à jornalista Becky Quick, da CNBC. “O que ele acredita é que, com as inovações e o trabalho que está desenvolvendo, conseguirá fazer a economia crescer dez vezes em dez anos, e não apenas dobrar de tamanho.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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