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Publicado 11/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Magnific
A inteligência artificial já virou fator de inflação global, dizem analistas
A inteligência artificial entrou de vez na economia global e já começa a influenciar o custo de vida. Enquanto empresas de tecnologia aceleram investimentos de bilhões de dólares em infraestrutura e centros de dados para sustentar novos sistemas de I.A., analistas entendem que esse movimento já pressiona a inflação global.
A expansão acontece em meio a outros fatores que elevam preços, como aumento dos custos de energia provocado pela guerra entre EUA e Irã. Além disso, a corrida pelo domínio da inteligência artificial também está aumentando gastos com eletrônicos, energia e serviços digitais.
Leia também: Veja a empresa considerada a mais preparada para a era da I.A.
O avanço da inteligência artificial aumentou consideravelmente a demanda por chips usados em centros de dados. Como consequência, empresas enfrentam escassez de componentes e custos maiores para produzir notebooks, smartphones, carros elétricos, consoles de videogame, aparelhos de streaming e computadores.
A título de comparação, a Nintendo anunciou recentemente reajuste de preços em seu novo console portátil. Segundo a empresa, o impacto adicional nos custos deve chegar ao equivalente a US$ 624 milhões neste ano (aproximadamente R$ 3,2 bilhões na cotação atual), incluindo gastos com chips e tarifas comerciais.
Além disso, segundo o The Washington Post, executivos de empresas como Apple, Dell, Ford e o bilionário Elon Musk, dono da Tesla e SpaceX, também passaram a alertar sobre aumento de custos e dificuldade para obter semicondutores.
Os centros de dados necessários para manter ativos os modelos de inteligência artificial consomem grandes volumes de eletricidade. Em estados americanos como Maryland, entidades de defesa do consumidor afirmam que o crescimento desses empreendimentos já eleva as contas de luz.
Segundo estimativas locais, apenas custos relacionados à manutenção da confiabilidade da rede elétrica adicionam cerca de US$ 10 por mês nas contas residenciais.
Além disso, o impacto também chegou ao setor educacional. A Universidade de Maryland anunciou a demissão de 84 funcionários e citou, entre os fatores, o aumento expressivo das despesas com energia.
Além do aumento no preço da energia, os consumidores começaram a sentir aumentos em aplicativos e plataformas digitais. Uma análise do Goldman Sachs mostrou que softwares como Microsoft Office, Duolingo e ferramentas da Adobe registraram aumentos de preços de até 50% nos últimos 18 meses.
O Duolingo, plataforma de ensino online, aumentou o preço da assinatura principal de cerca de US$ 85 (R$ 440) por ano para aproximadamente US$ 96 (R$ 497), embora usuários antigos mantenham valores anteriores.
Conforme citado, as principais empresas fabricantes de eletrônicos também registraram alta nos produtos, inclusive no Brasil. Além da Nintendo, a Sony também elevou consideravelmente o valor do PlayStation.
O modelo mais básico da geração cinco passou de R$ 4.499,90 para R$ 5.099,90, já o modelo Pro, passou de R$ 6.999,90 para R$ 7.499,90. A alta nos valores dos componentes também foi apontada como principal fator do aumento no preço.
Leia também: O novo ouro da I.A. não são os modelos, mas os canais de venda
O aumento nos preços não deixou nem mesmo as empresas que lideram a corrida pela inteligência artificial escaparem da pressão. Meta e Microsoft anunciaram recentemente investimentos adicionais de bilhões de dólares para ampliar centros de dados.
A Nvidia também enfrenta restrições na cadeia de produção e reportagens indicam dificuldades para lançar atualizações de chips por falta de componentes.
Na Apple, a demanda por computadores usados para executar ferramentas de IA esgotou rapidamente,modelos como o Mac Mini. A empresa deixou de vender a versão mais barata e o modelo de US$ 799 (R$ 4,1 mil) passou a ser a alternativa de entrada.
De forma geral, o avanço da inteligência artificial oferece benefícios à tecnologia em geral. Entretanto, a rapidez nos avanços e a necessidade de utilizar mais energia e mais componentes também impactam na vida dos consumidores e das empresas.
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