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Gastos com I.A disparam e Big Techs assumem compromissos de US$ 3 trilhões
Publicado 30/08/2026 • 23:59 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 30/08/2026 • 23:59 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: unsplash
Gastos com I.A disparam e Big Tech assume compromissos de US$ 3 trilhões
A expansão da inteligência artificial está levando as Big Techs dos Estados Unidos a assumir compromissos financeiros que vão muito além dos gastos apresentados nos balanços trimestrais. Uma análise do The Wall Street Journal mostra que nove grandes companhias acumulam cerca de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 15 trilhões) em obrigações fora do balanço, principalmente relacionadas à infraestrutura necessária para a I.A.
O valor não representa dinheiro que as empresas já gastaram nem uma dívida de US$ 3 trilhões (R$ 15 trilhões)). Trata-se, sobretudo, de compromissos para pagamentos futuros. Entre eles estão contratos de aluguel de data centers, compras de chips e equipamentos e acordos para garantir energia.
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Pelas regras contábeis, determinados compromissos futuros só entram no balanço quando o serviço é prestado, o produto é entregue ou o contrato de arrendamento começa. Assim, uma empresa pode assumir uma obrigação de longo prazo sem registrar imediatamente todo o valor como um passivo.
O levantamento identificou cerca de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,24 trilhões) em contratos de arrendamento que ainda não começaram. Outros US$ 1,9 trilhão (R$ 9,87 trilhões) correspondem a compromissos de compra.
Esses valores cresceram mais rapidamente do que os investimentos tradicionais em infraestrutura. No último ano, as empresas analisadas gastaram cerca de US$ 600 bilhões (R$ 3 trilhões) em despesas de capital, conhecidas como capex.
A Alphabet, controladora do Google, ilustra o tamanho dessa expansão. Em 30 de junho, a companhia acumulava US$ 811 bilhões (R$ 4,2 trilhões) em compromissos de compra e outras obrigações contratuais.
A empresa informou que esses acordos estão ligados principalmente a infraestrutura técnica, estoque e contratos para garantir energia destinada aos data centers. Alguns compromissos relacionados à energia se estendem até 2054. O salto também chama atenção porque, três meses antes, a Alphabet havia informado US$ 332 bilhões (R$ 1,72 trilhão) em compromissos.
A construção de novos data centers exige uma quantidade cada vez maior de equipamentos. Além das estruturas físicas, as empresas precisam garantir chips para treinar e executar modelos de I.A e componentes de memória.
Por isso, grandes companhias fecham contratos antecipados com fornecedores. A estratégia busca garantir acesso ao hardware em um mercado no qual a capacidade de produção pode se tornar um gargalo. A Nvidia, por exemplo, comprometeu-se a realizar US$ 27 bilhões (R$ 140 bilhões) em investimentos em ações entre 26 de abril e o fim de seu ano fiscal, em janeiro de 2027.
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Siga o Times | CNBCO projeto Hyperion, da Meta, na Louisiana, mostra como uma grande infraestrutura pode ser financiada sem que toda a obrigação apareça imediatamente no balanço da companhia. O complexo ocupa uma área equivalente a aproximadamente 1.700 campos de futebol. A Meta é sócia minoritária e também inquilina do empreendimento.
A empresa inicialmente fechou um contrato de quatro anos, com início previsto para 2029, e opções de renovação que podem levar o período a até 20 anos. O compromisso inicial agregado da Meta com os arrendamentos é de aproximadamente US$ 12,3 bilhões (R$ 63,9 bilhões).
Em junho, porém, a companhia informou US$ 347 bilhões (R$ 1,80 trilhão) em obrigações com arrendamentos ainda não iniciados, valor que inclui o Hyperion.
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O tamanho desses compromissos revela uma aposta de longo prazo das Big Techs: a demanda por inteligência artificial continuará crescendo o suficiente para gerar receita capaz de sustentar toda essa infraestrutura. Até agora, a expansão do mercado e a procura por hardware reforçam essa expectativa. Entretanto, existe um risco caso a adoção da tecnologia desacelere ou os retornos financeiros fiquem abaixo do esperado.
Isso porque muitos dos contratos não podem ser cancelados facilmente. As empresas podem, portanto, ficar obrigadas a pagar por data centers, chips e energia mesmo que não consigam utilizar esses recursos de forma rentável. Além disso, Alphabet e Amazon registraram recentemente fluxo de caixa livre negativo, sinal de que os investimentos de capital superaram o dinheiro gerado pelas operações.
Por isso, o desafio para os investidores não está apenas em acompanhar quanto as Big Techs gastam hoje. Também é necessário considerar os compromissos que elas já assumiram para sustentar a corrida pela I.A nos próximos anos.
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