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Zeg recebe rating AA em projeto na Amazônia e mira retomada da confiança no mercado de carbono

Publicado 19/06/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Projeto Vale do Rio Branco, em Roraima, recebeu classificação AA da BeZero Carbon.
  • Carlos Jacob, CEO da Zeg, afirmou que o objetivo é resgatar a credibilidade dos projetos de conservação florestal.
  • Segundo ele, desconfiança sobre créditos de carbono derrubou preços e dificultou o avanço de projetos de alta qualidade.

O projeto Vale do Rio Branco, da Zeg, recebeu classificação AA da BeZero Carbon, em uma avaliação que, segundo a empresa, coloca a iniciativa entre as mais bem avaliadas do mundo em desmatamento evitado.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Carlos Jacob, CEO da Zeg, afirmou que o reconhecimento busca ajudar a recuperar a confiança no mercado de carbono florestal, abalado nos últimos anos por questionamentos internacionais sobre a eficácia de projetos de conservação.

“Há três anos, uma série de reportagens internacionais colocou em xeque esses projetos de conservação florestal”, afirmou. “Empresas que compravam esse tipo de crédito passaram a desconfiar dessa iniciativa.”

Segundo Jacob, a crise de credibilidade afastou compradores, pressionou preços e criou um ciclo negativo para o setor.

“A gente acabou entrando nesse mercado em um ciclo vicioso, com projetos de má qualidade, questionamentos sobre esses projetos, preços baixos, e aí fica muito difícil iniciar projetos de alta qualidade”, disse.

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Desmatamento e emissões

Jacob afirmou que o desmatamento responde por cerca de metade das emissões brasileiras e tem impactos que vão além do carbono, incluindo perda de biodiversidade e mudanças no regime de chuvas.

Segundo ele, a conservação da Amazônia é estratégica para o país, especialmente pelo efeito climático sobre regiões agropecuárias do Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

“Esse é um tema estratégico para o Brasil”, afirmou.

Para enfrentar a crise de confiança no mercado, a Zeg criou o programa Regin, voltado a projetos de alta integridade em conservação florestal. O nome, segundo Jacob, combina uma referência técnica a projetos REDD com a ideia de “redenção”, em inglês.

“O que a gente queria fazer era exatamente isso: o resgate da credibilidade desses projetos de carbono”, disse.

Projeto em Roraima

O projeto Vale do Rio Branco está localizado em Roraima, em uma área de 14 mil hectares, equivalente a cerca de 10 mil campos de futebol. Segundo Jacob, a área havia sido comprada por um produtor de soja, que já tinha solicitado autorização ambiental para desmatamento.

A Zeg, de acordo com o executivo, entrou em contato com o proprietário e conseguiu levá-lo para uma estratégia de conservação florestal.

“A gente conseguiu fazer ele ingressar conosco na jornada da conservação florestal”, afirmou.

Jacob disse que o projeto aplicou as diretrizes do programa Regin e, posteriormente, foi reconhecido pela BeZero Carbon, agência internacional de rating voltada à avaliação da qualidade de créditos de carbono.

“Com essa nota, esse duplo A, isso coloca como a melhor nota já conquistada por um projeto de desmatamento evitado do mundo”, afirmou.

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Resposta ao mercado

Na avaliação do CEO, projetos com alta integridade podem ajudar a reconstruir a confiança de empresas interessadas em compensar emissões e atrair mais capital para a conservação da Amazônia.

“O mundo inteiro pede isso e quer que a Amazônia seja conservada, mas a gente precisa achar rotas para garantir a economia da floresta em pé”, disse.

Jacob afirmou que o desafio agora é fazer com que empresas reconheçam valor econômico em projetos com critérios mais rigorosos.

“Uma vez que o mercado e as empresas que compensam suas emissões deem o valor adequado para essa iniciativa, a gente entende que isso vai incentivar não só a Zeg a seguir nesse caminho, como também outros desenvolvedores”, afirmou.

Segundo ele, a criação de referências de qualidade pode estimular uma rota de maior integridade no mercado de carbono e ampliar áreas de proteção na Amazônia.

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