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Live Nation e Ticketmaster são condenadas por monopólio; entenda impactos no preço dos shows
Publicado 15/04/2026 • 21:45 | Atualizado há 5 horas
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Publicado 15/04/2026 • 21:45 | Atualizado há 5 horas
KEY POINTS
Foto: AFP
Live Nation e Ticketmaster são condenadas por monopólio; entenda impactos no preço dos shows
Um júri federal de Nova York decidiu nesta quarta-feira (15) que a Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster operaram ilegalmente como um monopólio no mercado de venda de ingressos para shows nos Estados Unidos. O veredito, resultado de um julgamento que durou seis semanas, reconheceu que a empresa sufocou a concorrência, cobrou valores abusivos dos consumidores e violou leis antitruste federais e estaduais.
Entre as conclusões do júri, está a de que a Ticketmaster cobrou dos fãs, em média, US$ 1,72 a mais por ingresso do que o praticado em um mercado competitivo. A decisão encerra a fase de julgamento, mas está longe de definir o destino definitivo da empresa. O juiz ainda precisará determinar as medidas corretivas cabíveis, e advogados de ambos os lados foram orientados a propor um cronograma para as próximas etapas do processo.
Mas, afinal, os ingressos para shows podem ficar mais baratos? Para responder a essa pergunta, é preciso entender primeiro a relação entre a empresa e a Ticketmaster, e como esse modelo moldou o mercado global de eventos.
A estrutura atual do setor começou a ser desenhada em 2010, quando a Live Nation passou a controlar a Ticketmaster, conforme a APNews. Desde então, a companhia estava presente em praticamente todas as etapas de um show:
Na prática, isso criou um modelo verticalizado, ou seja, a mesma empresa atua do início ao fim do processo.
Segundo o próprio governo americano, a empresa chegou a controlar mais de 80% da venda de ingressos em grandes locais. A acusação central é que essa concentração reduziu a concorrência e abriu espaço para aumento de taxas e preços ao consumidor.
O julgamento concluiu que a empresa adotou práticas que limitaram a competição e impactaram diretamente o bolso dos fãs. Um dos pontos destacados foi a cobrança adicional por ingresso, atribuída ao poder de mercado da companhia.
O caso ganhou força depois de uma série de episódios que expuseram as falhas do sistema. O mais emblemático foi o caos na venda de ingressos para a “Eras Tour” de Taylor Swift, em 2022, quando milhões de fãs enfrentaram grandes filas virtuais, erros no sistema e preços altos no mercado de revenda. A própria artista se manifestou na época, afirmando ter perguntado diversas vezes à Ticketmaster se a empresa conseguiria lidar com a demanda e ter recebido garantias de que sim.
Além disso, o controle sobre locais e promoções teria dificultado a entrada de concorrentes, criando um ambiente com menos opções para artistas, casas de shows e consumidores.
O veredito desta quarta não é o primeiro capítulo desta batalha jurídica. Em março de 2026, o Departamento de Justiça havia chegado a um acordo preliminar com a Live Nation, criando um fundo de indenização de US$ 280 milhões para os estados. Os críticos, porém, chamaram o valor de pouco. Procuradores de diversos estados, incluindo Nova York e Califórnia, rejeitaram o acordo, o que culminou no veredito de hoje.
“Esta é uma vitória histórica para artistas, fãs e casas de shows. Este veredito mostra até onde os estados podem ir para proteger seus residentes de grandes corporações”, afirmou Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia.
Leia também: Após reclamações de fãs, Procon-SP pede esclarecimentos à Ticketmaster sobre ingressos de Harry Styles
Ainda não há definição sobre as punições, mas existem alguns cenários possíveis:
Especialistas apontam que, se houver divisão da empresa ou aumento da concorrência, o mercado pode ganhar mais opções e eficiência ao longo do tempo.
A professora de direito antitruste da Harvard Law School, Rebecca Haw Allensworth, afirmou em entrevista ao NBC News que o governo pode buscar uma separação estrutural da companhia, o que abriria espaço para mais competição no setor.
A resposta dos especialistas é cautelosa. As medidas corretivas que o juiz poderá adotar devem se concentrar na estrutura do setor e na abertura do mercado à concorrência, não diretamente nos preços. A expectativa é que, com mais competidores no mercado, plataformas como SeatGeek e AXS ganhem espaço, o que, em tese, criaria pressão para a redução de taxas e preços ao longo do tempo.
Ainda assim, especialistas ouvidos pela APNews apontam que o problema vai além da estrutura de mercado. O mercado de revenda amplamente desregulamentado nos EUA, onde bots compram ingressos em massa para revendê-los com grandes margens de lucro, é apontado como um dos principais responsáveis pelos preços altos, e não está no escopo direto desta ação judicial. Para uma mudança real na experiência do fã, seriam necessárias leis mais rígidas de combate à revenda e limites mais abrangentes para as taxas de serviço.
“O cenário ideal seria aquele em que todos os fãs e todos os envolvidos no ramo soubessem que os artistas definem os preços, e que, uma vez definidos pelos artistas, é basicamente isso que os fãs vão pagar”, afirmou Bill Werde, diretor do programa de negócios musicais Bandier da Universidade de Syracuse.
Já Rebecca Haw se mantém mais otimista, afirmando que, se o governo vencer essa ação de monopolização, vão “argumentar por algum tipo de divisão, seja entre a Live Nation e a Ticketmaster, seja dentro da própria Live Nation, talvez separando os serviços de promoção das casas de shows”.
Isso significa que, para os consumidores, “a expectativa seria de mais opções, preços mais baixos, uma melhor experiência de compra de ingressos e menos falhas no sistema de emissão de bilhetes”, afirmou ela.
As próximas etapas do processo poderão incluir desde o pagamento de indenizações até a venda de anfiteatros ou, no cenário mais extremo, a separação entre a Live Nation e a Ticketmaster. Por ora, o veredito marca uma virada jurídica, mas o efeito no bolso de quem compra ingressos ainda deve demorar.
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