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Efeito “Venda em maio e vá embora” já pressiona a bolsa brasileira, mas estrangeiro mantém apetite e sustenta mercado
Publicado 04/05/2026 • 22:25 | Atualizado há 2 horas
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KEY POINTS
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Embora a euforia do começo de abril tenha feito os investidores pularem de alegria com a proximidade dos 200 mil pontos, uma correção forte atingiu o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que recuou para 185 mil pontos na sessão desta segunda-feira (4). Há duas semanas em ritmo de queda, muitos investidores se perguntam: e se não for só um resgate de lucros?
O que tudo indica, segundo os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Ibovespa antecipou um movimento clássico do mês de maio: o Sell in May and go away (venda em maio e vá embora, numa tradução livre).
O movimento, ligado à sazonalidade do mercado, é um reflexo da conjuntura macroeconômica que levou os investidores a voltar os olhares para o mercado americano, em detrimento do brasileiro.
“O dinheiro está sempre indo para algum lugar, ele não fica bem distribuído entre os ativos do mundo. Os ativos competem entre si. As bolsas emergentes competem com as commodities, e com as moedas, e com as taxas de juros…”, explica Arthur Horta, analista da The Link Investimentos.
Ele explica que o mercado americano deixou de ser o foco dos investidores por volta de outubro de 2025, quando o fluxo de capital se voltou para os mercados emergentes, como do Brasil. Com o início da guerra, porém, cresceu a percepção de que as empresas americanas ficaram baratas demais, o que fez os investimentos voltaram para lá.
O “Sell in May and go away” é um ditado do mercado financeiro tradicional que sugere que investidores devem vender suas ações em maio e retornar apenas meses depois, geralmente no fim do ano. A origem da expressão remonta à Londres do século XIX, quando operadores deixavam o mercado durante o verão europeu, período de menor atividade econômica e liquidez. A frase completa, menos conhecida, diz “Sell in May and go away, and come back on St. Leger’s Day”, em referência a uma tradicional corrida de cavalos britânica que ocorre em setembro.
Na prática, a ideia se baseia em um padrão histórico observado em alguns mercados, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, em que o desempenho das bolsas tende a ser mais fraco entre maio e outubro, enquanto o período de novembro a abril costuma registrar ganhos mais consistentes. Esse comportamento estaria ligado a fatores sazonais, como férias no hemisfério norte, menor volume de negociações e uma redução no apetite por risco ao longo desses meses.
Apesar da popularidade, a estratégia não é uma regra fixa e enfrenta críticas. O mercado é influenciado por múltiplas variáveis, como política monetária, crescimento econômico e eventos geopolíticos, o que pode invalidar padrões sazonais. Ainda assim, o “Sell in May” segue como uma referência cultural no mercado financeiro de que, às vezes, até o calendário tenta ditar o ritmo do dinheiro, embora raramente tenha a palavra final.
Para especialistas, a antecipação do chamado “sell in May” no Brasil reflete menos um padrão sazonal e mais uma resposta direta ao ambiente internacional.
Segundo Leonardo Baldez, economista e CEO do grupo ISF Soluções Financeiras, o movimento foi puxado principalmente pelo investidor estrangeiro. Ele explica que “o investidor internacional dita o ritmo da bolsa brasileira e, quando reduz exposição a risco, o impacto aparece aqui antes do calendário tradicional”.
Na avaliação dele, a combinação de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, aumento da aversão ao risco global e uma bolsa que já vinha de forte recuperação abriu espaço para realização de lucros. Muitos gestores estavam posicionados em ativos brasileiros, aproveitando juros elevados e valuations mais atrativos, o que acelerou a saída quando esse cenário começou a se inverter, ele explica.
A recente queda do Ibovespa também é explicada por um conjunto de fatores externos e domésticos. Baldez afirma que “juros elevados nas economias desenvolvidas reduzem a liquidez global e tornam ativos mais seguros, como títulos americanos, mais competitivos”, diminuindo o fluxo para mercados emergentes. No Brasil, a revisão das expectativas para a trajetória de juros impactou setores mais sensíveis ao crédito, como varejo e construção.
Beny Fard, sócio da B8 Partners, complementa que houve uma reprecificação relevante dos ativos, com investidores mais seletivos. Segundo ele, “o mercado passou a priorizar qualidade de balanço e maior visibilidade de lucros antes de assumir risco”, em um contexto em que parte das ações já operava com múltiplos mais elevados após uma sequência de valorização.
O cenário geopolítico também entra na equação. A guerra no Irã adiciona incerteza e pressiona o comportamento dos investidores. Baldez afirma que “em momentos de tensão há uma migração para ativos mais seguros, o que reduz o fluxo para mercados emergentes como o Brasil”. Para ele, esse ambiente não impede uma alta no longo prazo, mas aumenta a volatilidade e dificulta movimentos mais consistentes.
Apesar do cenário mais desafiador, o patamar de 200 mil pontos para o Ibovespa segue no radar, ainda que com mais cautela. Baldez pondera que “é preciso uma combinação de fatores que ainda não está totalmente alinhada”, citando a necessidade de continuidade na queda de juros, maior previsibilidade fiscal e melhora nas expectativas de crescimento.
Fard, entretanto, reforça que o mercado está menos disposto a antecipar esse movimento. Segundo ele, “ainda há potencial, mas o investidor está mais criterioso e focado em execução”, o que indica uma trajetória possivelmente mais gradual, com períodos de ajuste ao longo do caminho.
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