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CEO da Spirit Airlines atribui colapso à falta de tempo: “Simplesmente ficamos sem pista”
Publicado 04/05/2026 • 18:29 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/05/2026 • 18:29 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Leslie Josephs / CNBC
Um cartaz da Spirit Airlines em um ônibus de transporte do aeroporto de LaGuardia no dia em que a companhia aérea encerrou suas atividades.
A Spirit Airlines encerrou suas operações após anos de dificuldades e uma segunda recuperação judicial em menos de um ano, em um processo marcado pela incapacidade de garantir financiamento e pela pressão de custos crescentes. A avaliação é do CEO Dave Davis, que resumiu o desfecho da companhia. “Nós simplesmente ficamos sem pista”, afirmou.
Segundo ele, a empresa ainda acreditava em uma recuperação recente. A companhia planejava sair da recuperação judicial em meados de 2026, e, dias antes da escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, havia otimismo interno. “No fim de março, início de abril, ficou claro que seria difícil atravessar esse período”, disse, ao destacar que o preço do petróleo superava US$ 100 (R$ 499,0) por barril.
Na tentativa de evitar o colapso, a companhia buscou apoio do governo americano. Executivos da Spirit chegaram a dialogar com autoridades, incluindo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, em busca de alternativas.
Leia também: “Boa sorte, meu amigo”: os bastidores das últimas horas da Spirit Airlines
Uma das propostas envolvia apoio financeiro relevante. O governo trabalhava em um plano de empréstimo de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões), que poderia resultar em uma participação de até 90% da União na empresa.
O plano, no entanto, não avançou. Credores apresentaram uma contraproposta, e as partes não chegaram a um acordo, segundo Davis. “Ficou claro que não daria certo”, afirmou. “Acho que ficamos sem tempo”, reiterou.
O encerramento da companhia teve efeitos imediatos no mercado. Cerca de 17 mil trabalhadores, diretos e indiretos, foram afetados, de acordo com a empresa.
Com a saída da Spirit, concorrentes reagiram rapidamente. Outras companhias passaram a atender passageiros com bilhetes emitidos e a ajustar suas operações, ocupando o espaço deixado pela empresa.
A Spirit enfrentava desafios estruturais há anos. Concorrência de companhias maiores, tentativas de fusão fracassadas, aumento de custos e alta do combustível pressionaram o modelo de negócios.
Leia também: Como a companhia Spirit Airlines criou um modelo que o setor copiou e, 34 anos depois, faliu
A empresa havia entrado novamente com pedido de recuperação judicial em agosto, mesmo após medidas como redução de voos, devolução de aeronaves Airbus e afastamento de tripulantes.
Davis também citou o impacto de decisões passadas. Ele afirmou que, se a aquisição pela JetBlue Airways não tivesse sido barrada, “a empresa provavelmente não estaria na situação atual”.
O ambiente competitivo também mudou ao longo dos anos. Companhias tradicionais passaram a adotar práticas de baixo custo, como tarifas básicas sem serviços e cobrança de extras, o que afetou empresas como a Spirit.
“Não havia exemplo melhor disso do que a Spirit”, disse Davis, ao comentar o avanço do modelo no passado. “O cenário mudou completamente”, acrescentou.
Outro fator apontado foi a estrutura financeira dos concorrentes. Grandes companhias contam com programas de cartão de crédito que geram receitas adicionais e ampliam a capacidade de enfrentar choques, como a alta do combustível.
Nos últimos dias de operação, a empresa buscou soluções de última hora. Davis alternava entre Washington e a sede da companhia, na Flórida, tentando fechar um acordo.
Leia também: Spirit Airlines encerra operações após fracasso em resgate financeiro em meio a colapso da guerra
A comunicação interna foi limitada. Tripulantes e funcionários só foram informados das últimas operações quando os voos já estavam próximos do pouso, segundo o executivo.
“Não é possível anunciar com antecedência que você vai encerrar as operações”, explicou. “Isso precisa ser feito de forma ordenada e ao mesmo tempo”, completou.
Davis permanecerá na companhia durante o encerramento. Ele ficará responsável pela devolução de aeronaves arrendadas, venda das próprias e transição de ativos, com apoio de cerca de 130 funcionários.
Ao falar sobre o futuro, o executivo indicou continuidade no setor. “Eu amo aviões e gosto da indústria, então provavelmente nunca vou deixá-la”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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