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Caso Master pode elevar prêmio de risco e afastar investimentos do Brasil, diz consultor da API Capital Leandro Benincá

Publicado 08/09/2026 • 17:07 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Leandro Benincá afirma que os efeitos econômicos do caso Master ainda são praticamente imperceptíveis e dependerão de uma deterioração da confiança nas instituições.
  • Sinais de contágio poderiam aparecer em alta do câmbio, abertura da curva de juros, aumento do spread de crédito e redução do fluxo de capital para o país.
  • Para o consultor, o mercado não precisa enxergar o fim da crise, mas precisa perceber um caminho previsível, com investigações e decisões dentro das regras.

A crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não foi incorporada de forma relevante aos preços dos ativos brasileiros, mas pode começar a produzir efeitos econômicos caso aumente a percepção de incerteza sobre o funcionamento das instituições. A avaliação é de Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Benincá afirmou que, até agora, os desdobramentos permanecem concentrados principalmente nas esferas jurídica e institucional.

“Isso não está realmente no preço ainda”, afirmou. “O mercado não precifica briga política. O que o mercado precifica são as consequências econômicas da briga política, que ainda não estão na mesa.”

Segundo o consultor, o ponto de virada ocorreria se o episódio começasse a afetar a confiança, elevando o custo do crédito, reduzindo investimentos ou pressionando o câmbio e os juros.

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Incerteza pode aumentar preço do risco

Benincá afirmou que o primeiro impacto de uma crise institucional não aparece diretamente sobre a atividade econômica, mas sobre o prêmio exigido pelos investidores.

“O impacto do caso Master não é diretamente na economia, ele vai diretamente em cima do preço do risco”, disse.

Segundo ele, sinais de deterioração poderiam aparecer caso investidores passassem a exigir uma remuneração maior para manter recursos no Brasil.

“Se o câmbio começar a ser afetado porque o real vai valendo menos, se o risco institucional começa a refletir na curva de juros, a gente começa a enxergar que fica mais caro emprestar dinheiro para o Brasil”, afirmou.

O mesmo movimento poderia chegar à concessão de crédito.

Na avaliação do consultor, uma crise passaria a ter dimensão econômica quando bancos começassem a cobrar spreads maiores, empresas adiassem projetos e investidores estrangeiros reduzissem a disposição de trazer capital para o país.

“Crédito vem de acreditar, de dar confiança. Precisa-se de confiança”, disse.

Bolsa também poderia sentir aumento do risco

Benincá afirmou que uma elevação relevante do prêmio de risco teria potencial para pressionar a bolsa brasileira.

Segundo ele, juros maiores elevam a taxa usada pelos investidores para descontar os fluxos futuros das empresas, reduzindo a atratividade relativa das ações.

“Se o prêmio de risco, a taxa de desconto, começa a aumentar porque o risco aumentou muito, o que estava barato na bolsa automaticamente começa a virar caro”, afirmou.

Nesse cenário, acrescentou, o Brasil também poderia enfrentar menor entrada de recursos externos e saída de capital doméstico.

“A gente está conjecturando que ele vá refletir. Ele ainda não refletiu na economia, na minha opinião”, disse.

Mercado quer previsibilidade

Para evitar que a crise institucional avance para a economia, Benincá considera fundamental que os desdobramentos tenham um caminho compreensível para os investidores.

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“O mercado nem precisa enxergar a saída. Basta que ele saiba que o fim do túnel existe”, afirmou.

Na avaliação do consultor, investigações conduzidas dentro das regras, esclarecimento dos fatos e previsibilidade para casos futuros seriam suficientes para reduzir parte da incerteza.

“A gente precisa só enxergar que existe um caminho previsível, existe previsibilidade para uma saída dessa crise institucional. Não precisa nem sair dela ainda”, disse.

Benincá acrescentou que uma resposta institucional considerada adequada pelo mercado poderia evitar que o episódio ultrapassasse as questões envolvendo o Master e as autoridades citadas.

“Se as regras forem realmente seguidas, a gente tem um caso que fica só ali nessa esfera jurídica”, afirmou. “Se isso se espalha para a economia, contamina o cesto todo.”

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Eleição não explica sozinha alta da bolsa

Questionado sobre a valorização recente da bolsa brasileira e a influência das pesquisas eleitorais, Benincá mostrou cautela com a tese de que o movimento seja explicado principalmente pela corrida presidencial.

“Eu sou meio cético ao movimento eleitoral, movimento de pesquisa eleitoral”, afirmou.

Para ele, o fechamento da curva de juros pode ter peso maior sobre a alta das ações.

“Esse indicativo de que a curva começa a se fechar é muito bom para a bolsa e pode ser isso mais do que talvez as pesquisas”, disse.

O consultor avaliou que movimentos baseados apenas em levantamentos eleitorais tendem a ser frágeis, especialmente diante da quantidade de pesquisas e da volatilidade das expectativas.

Juros altos começam a ser tratados como “novo normal”

Benincá também afirmou que investidores reduziram a disposição de apostar antecipadamente em uma queda mais forte da Selic.

“Na nossa visão como investidores, a gente cansou de acreditar nessa história. A gente está esperando essa queda de juros já há mais de ano”, disse.

Segundo ele, o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de taxas elevadas por um período mais prolongado, tanto no Brasil quanto no exterior.

“Parece que o mercado realmente está precificando que juros de dois dígitos vieram para ficar, juros americanos mais altos do que a gente estava acostumado vieram para ficar também”, afirmou.

Para Benincá, o maior problema para os investidores não é necessariamente um cenário adverso, mas a falta de previsibilidade.

“O ruim para o mercado é o imprevisível. Quando a gente prevê que vai ser ruim, a gente se protege do ruim”, disse.

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