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Cautela da Berkshire reflete risco prolongado na economia real e pode antecipar freio global nos investimentos, diz economista
Publicado 05/05/2026 • 14:40 | Atualizado há 1 uma semana
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Publicado 05/05/2026 • 14:40 | Atualizado há 1 uma semana
KEY POINTS
A postura cautelosa adotada pela Berkshire Hathaway diante do atual cenário global reflete uma percepção de risco prolongado na economia real e pode sinalizar um movimento mais amplo de desaceleração nos investimentos, segundo Gustavo Pessoa, economista e integrante da Comissão de Economia em Debate do Corecon-SP, ao analisar a estratégia da companhia após a transição de comando para Greg Abel.
Em entrevista ao Fast Money, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (5), ele avalia que o comportamento da empresa vai além do mercado financeiro. “A Berkshire representa muito a economia real, e os investidores observam suas decisões para entender o que está por vir”, afirmou, ao destacar o peso global da companhia.
Ele aponta que o aumento do caixa da empresa é um sinal claro dessa leitura mais defensiva. “Esse caixa elevado mostra que a companhia entende que o pior ainda não passou e está se preparando para um cenário mais longo ou até mais adverso”, disse.
Pessoa destaca que a escalada nos preços de energia já ultrapassou o campo financeiro e passou a impactar diretamente a operação das empresas. “Essa instabilidade deixou de ser algo pontual e passou a representar aumento de custos na economia real”, pontuou.
Segundo ele, esse movimento altera a lógica das decisões corporativas. “Muitas empresas estão trocando eficiência por resiliência, o que implica custos operacionais maiores”, explicou.
Esse comportamento, na visão do economista, lembra momentos de crise recentes. “Há um movimento semelhante ao observado na pandemia, com grandes players buscando se posicionar para aproveitar oportunidades futuras”, ressaltou.
Leia também: Sucessor de Buffett, Greg Abel aposta em I.A. e mantém filosofia da Berkshire
O impacto da alta das commodities tende a se espalhar pela economia em etapas. “Primeiro sentimos no setor de energia, depois na indústria e, por fim, no consumidor”, afirmou Pessoa.
Ele avalia que o processo ainda está em curso. “Estamos saindo da fase de impacto energético e entrando na transmissão para a indústria, mas ainda veremos esse efeito chegar à população”, disse.
Segundo o economista, isso deve sustentar pressões inflacionárias mais duradouras. “Essa dinâmica cria uma cadeia de decisões que pode manter a inflação elevada por um período prolongado”, destacou.
A expectativa é de impacto disseminado ao longo da economia. “Não vejo nenhum setor imune a esses impactos de grande repercussão”, afirmou Pessoa.
Para ele, o cenário deve seguir pressionado até o fim do ano. “Teremos um período prolongado de instabilidade, impulsionado principalmente pelo custo da energia”, concluiu.
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