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Dólar sobe 0,84% e fecha a R$ 5,04 com cautela externa e pressão política
Publicado 19/05/2026 • 18:22 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 19/05/2026 • 18:22 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O dólar subiu com força nesta terça-feira (19) e voltou a fechar acima de R$ 5, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior e a pressão sobre divisas de países emergentes.
A alta veio em meio ao avanço dos rendimentos dos Treasuries, em um ambiente de maior preocupação com a inflação global. A permanência do petróleo acima de US$ 100 por barril, diante do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, reforçou apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode elevar juros ainda neste ano.
No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,84%, a R$ 5,0405. Durante o pregão, a moeda oscilou entre R$ 5,0094 e R$ 5,0580.
Com o resultado, a divisa americana acumula alta de 1,77% frente ao real em maio, após queda de 4,36% em abril. No ano, o dólar ainda recua 8,17%, embora a perda já tenha superado 10% na primeira quinzena do mês, quando a taxa ficou abaixo de R$ 4,90.
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O real esteve entre as moedas que mais perderam valor frente ao dólar nesta terça-feira, ao lado do dólar australiano e do won sul-coreano.
Operadores observam que a moeda brasileira costuma apresentar oscilações mais intensas em dias de aversão a risco, o que dificulta separar o peso dos fatores externos e domésticos sobre o câmbio.
“O petróleo até caiu hoje, mas segue em nível bem elevado. A tendência é que não haja espaço para redução dos juros pelo Federal Reserve neste ano. Pode ser até que seja necessária uma alta. Isso pressiona as curvas de juros nos EUA e puxa o dólar para cima em todo o mundo”, afirmou Fabrizio Velloni, economista-chefe do Group Holding USA.
O petróleo fechou em leve queda, ainda refletindo o recuo de Donald Trump, na segunda-feira (18), sobre a intenção de atacar o Irã. O Brent caiu 0,73%, a US$ 111,28 o barril.
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Siga o Times | CNBCNesta terça, porém, Trump voltou a adotar tom ambíguo e disse que uma nova ação militar pode ocorrer na próxima semana caso não haja acordo com Teerã.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operou em leve alta e voltou a superar os 99 mil pontos, com máxima de 99,434 pontos. As taxas dos Treasuries subiram em bloco, e o rendimento do título de 10 anos chegou a 4,68% na máxima.
Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado passou a atribuir probabilidade majoritária a uma alta de juros pelo Fed ainda neste ano.
“A percepção predominante é de que uma inflação mais resistente reduziu significativamente o espaço para cortes de juros no curto prazo, aumentando inclusive os receios de uma postura mais conservadora do Fed no próximo encontro, sob a nova liderança de Kevin Warsh”, afirmou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, em nota.
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Além do cenário externo desfavorável, o real também foi afetado por ruídos políticos no Brasil, em especial pela desidratação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Após a revelação de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, surgiu nesta terça a informação de que o pré-candidato visitou Vorcaro no fim de 2025.
O encontro ocorreu depois de o ex-banqueiro deixar um período de dez dias de detenção. Flávio disse que, ao perceber a gravidade dos fatos envolvendo o Master, foi ao encontro de Vorcaro para colocar “um ponto final” na história do financiamento à produção cinematográfica.
“A candidatura de Flávio perdeu força e o mercado começa a cogitar se vai surgir uma terceira via e se ela teria força para superar o atual governo. A questão fiscal, que estava adormecida, deve voltar ao debate. Vamos ter mais volatilidade no câmbio à medida que as eleições se aproximarem”, disse Velloni.
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