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Atrasos em FIDCs acendem alerta sobre qualidade do crédito
Publicado 31/08/2026 • 18:43 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 31/08/2026 • 18:43 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O atraso na divulgação de informações por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ainda não representa, isoladamente, um problema relevante diante do tamanho do mercado, mas pode sinalizar uma piora na qualidade dos ativos escolhidos pelos gestores, segundo Humberto Aillon, professor de mercado financeiro na Fipecafi.
Em entrevista nesta segunda-feira (31) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Aillon afirmou que a expansão acelerada dos FIDCs aumentou também a complexidade de acompanhamento do setor. Segundo o professor, o patrimônio líquido desses fundos já superou R$ 850 bilhões, enquanto o mercado tem avançado a taxas superiores a 22% a 25%.
“O mercado de FIDCs cresceu muito, especialmente no último ano, ano e meio. Tem crescido a taxas acima de 22% a 25%”, afirmou Aillon. Para ele, o avanço ocorreu em meio também às mudanças regulatórias trazidas pela Resolução CVM 175.
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Em julho, 46 fundos administrados por 12 instituições estavam atrasados na entrega de informações. Aillon ponderou que, diante da dimensão alcançada pela indústria, esse número não é suficiente para indicar sozinho uma deterioração generalizada do segmento.
“Quando a gente olha o total de FIDCs e olha esse número de 46 fundos que estão em atraso, esse número por si só não é alarmante. Ele realmente é um número imaterial, dado o tamanho do patrimônio líquido dos FIDCs”, explicou.
O crescimento acelerado, porém, trouxe desafios adicionais para o acompanhamento do mercado. “Os agentes reguladores realmente não conseguiram acompanhar todo o processo de governança, acompanhamento da qualidade desses fundos, receber essas informações e fiscalizar”, apontou.
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Para Aillon, o principal sinal de atenção está na composição das carteiras de alguns dos fundos atrasados. Segundo ele, há FIDCs expostos a companhias que entraram em recuperação judicial, o que pode indicar uma redução na qualidade da seleção dos créditos.
“Dado o volume dos FIDCs, a qualidade da alocação caiu. Acho que esses são os dois pontos realmente relevantes para esse cenário”, afirmou.
O avanço da inadimplência e das recuperações judiciais no país acrescenta outra fonte de preocupação. Segundo Aillon, alguns FIDCs já apresentam quedas expressivas de rentabilidade, e a expectativa é de que o movimento alcance outras carteiras.
“Tem diversos FIDCs que já estão apresentando uma queda na rentabilidade muito expressiva e a expectativa é que tenhamos vários FIDCs que também tenham essa performance de queda na rentabilidade, exatamente por conta dessa pressão das recuperações judiciais”, ressaltou.
O professor citou a Casas Bahia como exemplo de companhia relacionada a estruturas de FIDC e destacou que o aumento das dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas pode atingir os créditos que servem de lastro para esses fundos.
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Siga o Times | CNBC“A gente provavelmente pode esperar que vai ter um impacto bem relevante em várias cotas de FIDCs, a curto e médio prazo, pelo menos é a nossa expectativa olhando esse panorama de mercado”, disse Aillon.
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Embora um FIDC tenha uma estrutura diferente de uma debênture, Aillon afirmou que investir em direitos creditórios não significa necessariamente estar mais protegido contra problemas financeiros envolvendo empresas relacionadas aos ativos do fundo.
Nos FIDCs, o dinheiro captado é direcionado para a aquisição de determinados direitos de crédito. No exemplo da Casas Bahia mencionado durante a entrevista, esses recursos estavam relacionados a recebíveis e à concessão de crédito para consumidores.
“Qual é o lastro de um FIDC? Exatamente a qualidade do produto final em que ele está alocando. Qual é a destinação daquele FIDC?”, explicou o professor.
Por isso, o risco depende das características de cada fundo e dos créditos adquiridos. Aillon destacou ainda que o investidor precisa observar o tipo de cota em que está aplicando, já que a posição na estrutura do fundo influencia a exposição às eventuais perdas.
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“Você tem que entender muito bem qual é a cota, qual é o tipo de cota em que você está investido, se é uma cota sênior, se é uma cota subordinada e realmente qual é a qualidade dos ativos que aquele FIDC tem investido”, pontuou.
Outro ponto de atenção é a existência de FIDCs que investem em outros FIDCs, estrutura que, segundo Aillon, dificulta identificar até onde podem se espalhar os efeitos de uma deterioração dos créditos.
“Você tem FIDCs que investem em outros FIDCs. Então, aí realmente você começa a entrar numa situação do que a gente chama de risco sistêmico”, alertou.
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Nesse cenário, uma piora na qualidade dos créditos de determinada empresa pode atingir mais de uma estrutura financeira. “A gente às vezes acaba perdendo um pouquinho a visibilidade até onde pode ir essa quebradeira do mercado, quais são os impactos efetivos”, explicou.
Para Aillon, é justamente essa complexidade que torna os atrasos na prestação de informações um sinal que merece acompanhamento, mesmo que os 46 fundos identificados em julho ainda representem uma parcela pequena do mercado.
“Esse atraso nas informações é a nossa preocupação, porque isso pode virar uma tendência e a gente ter um efeito um pouquinho mais grave em rentabilidade, enfim, em perda real dos FIDCs”, concluiu.
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