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Ouro despenca para mínima de dois meses à medida que perde força como proteção contra a inflação
Publicado 28/05/2026 • 06:33 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 28/05/2026 • 06:33 | Atualizado há 58 minutos
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Foto: Freepik.
Os preços do ouro caíram para o menor nível em dois meses nesta quinta-feira (28), à medida que novas incertezas sobre o rumo da guerra entre Estados Unidos e Irã fortaleceram o dólar e impulsionaram os preços do petróleo.
Às 4h43 (horário de Brasília), o ouro à vista era negociado em queda de cerca de 1,6%, a US$ 4.385,85 por onça. Os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos com vencimento mais próximo recuavam 1,3%, para US$ 4.389,70. O movimento levou os preços do metal ao menor patamar desde 26 de março.
A queda ocorreu em meio à valorização do dólar, o que torna o ouro cotado na moeda norte-americana mais caro para investidores internacionais.
Leia também: Ouro cai abaixo de US$ 4.500 com impasse entre EUA e Irã no radar
Apesar da pressão recente, estrategistas do UBS reforçaram sua visão otimista para o ouro em relatório divulgado nesta quinta-feira. Segundo o banco, o metal precioso perdeu força durante a guerra entre Irã e Estados Unidos devido ao receio de que os preços elevados de energia levem o Federal Reserve e outros bancos centrais a adotarem políticas monetárias mais restritivas. Ainda assim, o UBS avalia que o ouro deve recuperar impulso à medida que diminuírem as expectativas de novas altas de juros.
Recentemente, o UBS reduziu sua projeção para o preço do ouro no fim do ano para US$ 5.500 por onça. Antes, a estimativa era de US$ 5.900.
“Continuamos positivos em relação às perspectivas para o ouro e seguimos vendo o metal precioso como uma fonte de diversificação dentro dos portfólios”, afirmou Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth Management.
“Embora o desempenho de curto prazo permaneça sensível às manchetes envolvendo Estados Unidos e Irã, aos preços da energia, aos rendimentos dos títulos norte-americanos e ao dólar, a tese de médio prazo continua sustentada pela demanda dos bancos centrais, diversificação de reservas, elevados níveis de dívida global e pela perspectiva de uma política monetária mais branda do Fed mais adiante neste ano.”
Leia também: Ouro perde força no curto prazo, mas segue como proteção em meio a tensões geopolíticas
O Bank of America projeta atualmente o ouro em US$ 5.093 por onça no fim do ano — cerca de 16% acima do preço à vista registrado nesta quinta-feira. Depois disso, o banco prevê recuo para US$ 4.925 por onça até o fim de 2027.
“O ouro estava sobrecomprado, mas ainda pouco presente nas carteiras dos investidores”, afirmaram analistas do BofA em relatório enviado a clientes na terça-feira. “Os preços corrigiram depois que as compras intensas via ETFs perderam força no outono. O ambiente macroeconômico mais amplo, incluindo as políticas econômicas não convencionais dos Estados Unidos, continua favorável, então vemos risco de alta para nossas projeções.”
A equipe do Bank of America alertou que uma valorização sustentada do dólar, juros reais mais altos e aumento da oferta de ouro reciclado podem representar riscos de queda para essas estimativas.
Em relatório publicado na terça-feira, estrategistas da Kepler Cheuvreux disseram estar ampliando sua exposição ao ouro, destacando que o metal “continua altamente correlacionado aos preços do petróleo”.
Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, afirmou à CNBC por e-mail nesta quinta-feira que os fatores por trás da queda do ouro “já vinham se formando há algum tempo”.
“Os investidores estão preocupados que a guerra entre Irã e Estados Unidos esteja se prolongando e que a inflação esteja seguindo apenas uma direção: para cima”, disse. “Embora tradicionalmente o ouro e outros metais preciosos sejam vistos como proteção contra a inflação, eles não geram renda. Quando os juros estão baixos, os investidores tendem a ignorar isso, mas, com taxas de juros provavelmente mais altas e inflação elevada, os investidores se sentem mais confortáveis com ativos que ao menos ofereçam algum rendimento.”
Leia também: Ouro fecha em baixa após ataque americano contra Irã
Os rendimentos dos títulos públicos na Europa, nos Estados Unidos e no Japão avançavam nesta quinta-feira, em meio às incertezas sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o que reacendeu temores inflacionários.
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Seguir no GoogleO fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o comércio global, manteve os preços do petróleo elevados durante toda a guerra, alimentando preocupações sobre pressões mais amplas nos preços.
A prata também operava sob pressão nesta manhã. O metal à vista caía 2,4%, para US$ 72,85 por onça, enquanto os contratos futuros recuavam 2,4%, mantendo-se pouco acima de US$ 73.
Ouro e prata registraram fortes altas em 2025, com ganhos de 66% e 135%, respectivamente, ao longo do ano. No entanto, os metais passaram a apresentar negociações muito mais voláteis em 2026, com os futuros da prata sofrendo, no fim de janeiro, a maior queda diária desde os anos 1980.
A platina à vista recuava 1,7%, para US$ 1.884,95 por onça, enquanto o paládio caía 1,7%, para US$ 1.366,70.
Em uma série de relatórios publicados nesta semana, Daniel Hynes, analista sênior de commodities do ANZ, atribuiu a queda dos metais à retomada das hostilidades no Oriente Médio, que vêm obscurecendo as perspectivas para os juros, além da valorização do dólar.
“O ouro caiu pelo segundo dia consecutivo diante das preocupações de que o conflito no Oriente Médio prolongue a inflação e mantenha os juros elevados”, afirmou na sexta-feira. “Nem mesmo a possibilidade de um acordo de paz na região parece aliviar essas preocupações inflacionárias. A situação é agravada pela recente alta nos preços dos alimentos nos Estados Unidos, resultado da combinação de condições climáticas adversas, tarifas e redução do rebanho bovino.”
Nesta quinta-feira será divulgado o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos referente a abril, indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Economistas consultados pela Dow Jones projetam alta mensal de 0,5% e avanço anual de 3,8%.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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