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Fernanda Rocha: Recuperações judiciais exigem atenção redobrada de investidores

Publicado 31/08/2026 • 20:22 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Endividamento assumido no período de juros baixos e mudanças na legislação ajudaram a ampliar os pedidos de recuperação nos últimos anos.
  • Fernanda Rocha recomenda observar a capacidade de pagamento das empresas e evitar concentração excessiva em títulos de um único emissor.
  • Fernanda Rocha recomenda observar a capacidade de pagamento das empresas e evitar concentração excessiva em títulos de um único emissor.

O aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais exige maior cuidado de quem investe em ações e títulos de dívida corporativa, principalmente diante do endividamento acumulado pelas empresas durante o período de juros baixos e da posterior elevação do custo do crédito, segundo Fernanda Rocha, comentarista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC e assessora de investimentos da Montebravo.

Nesta segunda-feira (31), Fernanda afirmou que parte do cenário atual começou a ser construída durante a pandemia, quando a redução das taxas de juros foi acompanhada por uma forte expansão da oferta de crédito.

As empresas acabaram pegando muito mais dívidas com base naquela taxa de juros daquela época, que chegou a ficar em 2% ao ano aqui no Brasil. Digamos que elas se lambuzaram um pouco, acabaram entrando muito forte nessa onda da dívida”, afirmou.

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Crédito barato estimulou endividamento

Fernanda destacou que esse movimento coincidiu com mudanças na legislação de recuperação judicial em 2020, que facilitaram a renegociação das dívidas pelas empresas.

Junta um excesso de crédito com uma flexibilidade na lei das recuperações judiciais e extrajudiciais. A gente está vendo uma onda desde 2022 que entrou numa crescente e não parou mais”, explicou.

A mudança também alcançou o agronegócio, segmento que, segundo a notável, ampliou significativamente sua alavancagem durante o período de maior disponibilidade de recursos.

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Essa lei abrangeu o agro, trouxe essa facilidade também para o universo do agro, que foi um universo que se alavancou muito, pegou muita dívida também nessa mesma fase”, ressaltou.

Retorno muito alto pode indicar risco maior

Para quem investe em títulos corporativos, Fernanda recomenda começar pela avaliação da capacidade da companhia de cumprir suas obrigações financeiras. O retorno oferecido pelo ativo também pode funcionar como um primeiro sinal de atenção.

Não cair na sedução de uma taxa muito alta. Sempre que a taxa, o retorno, é muito alto, a gente sabe que ali também tem um risco muito alto embutido”, alertou.

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Outro cuidado é evitar a concentração excessiva em uma única dívida. Fernanda sugeriu que, no caso de investimentos diretos em títulos de empresas, a exposição seja limitada a uma parcela pequena da carteira.

Já que você está investindo diretamente na dívida de uma empresa, não coloque uma exposição acima de 1% ou 2% do seu patrimônio. Faça exposições pequenas para isso não comprometer a rentabilidade do seu ano, por exemplo”, recomendou.

Uma alternativa para reduzir a exposição individual é investir por meio de fundos, transferindo para um gestor profissional a seleção dos ativos. “A gente tem muitos veículos para investir através de fundos também. Então você não precisa investir diretamente”, pontuou Fernanda.

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Recuperação judicial pode levar anos

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Quando a dificuldade financeira já levou a companhia a buscar proteção judicial, o investidor precisa considerar também o tempo necessário para renegociar e receber os recursos.

Fernanda explicou que, na recuperação judicial, a empresa passa por um processo que envolve credores e o Judiciário para definir as novas condições de pagamento das dívidas. Esse caminho pode se prolongar consideravelmente.

A gente está falando ali de um ano só para passar pela primeira fase, de saber como será esse novo formato de pagamento via juiz. Geralmente, uma recuperação judicial fica nesses trâmites durante uns três anos”, afirmou.

A duração e os custos do processo podem afetar diretamente o retorno de quem possui títulos da companhia. “É um processo bem moroso, bem custoso também, e isso acaba sendo embutido no nosso retorno, acaba comendo um pouco mais do que viria para a gente”, explicou.

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Extrajudicial pode acelerar negociação

Na recuperação extrajudicial, por outro lado, a empresa negocia previamente com grupos de credores e leva o acordo ao Judiciário para homologação. Para Fernanda, esse mecanismo tende a ser mais rápido e menos oneroso.

A recuperação extrajudicial é muito mais rápida. Em 90 dias já se apresenta esse plano e ela também é muito menos custosa”, destacou.

A diferença pode ser relevante para o investidor. “Quando se fala de uma recuperação extrajudicial, a tendência é que você tenha um retorno do capital muito mais rápido e um volume muito maior do que comparado com a judicial”, afirmou.

Isso não significa, porém, que o credor minoritário possa deixar de acompanhar a negociação. Fernanda alertou que condições diferentes entre grupos de investidores podem gerar disputas, principalmente quando determinados termos são mais acessíveis aos grandes credores.

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Muitas vezes essa proposta favorece mais esses credores maiores. E isso é uma coisa que não pode acontecer, porque a lei prevê essa equidade. Tem que ser algo que seja bom para todos, inclusive para aqueles que não estão votando”, explicou.

Investidor precisa acompanhar a negociação

Fernanda citou como exemplo uma negociação na qual determinada alternativa exigia um aporte de R$ 15 milhões, condição praticamente inacessível a um investidor individual. Nesses casos, instituições financeiras podem estruturar veículos para reunir minoritários e permitir o acesso às mesmas condições.

É uma coisa bem interessante para a gente perceber as diferenças quando uma instituição está fazendo esforços acima da média para conseguir que esse minoritário fique em boas condições”, ressaltou.

Por isso, mesmo quando a companhia escolhe uma solução extrajudicial, a recomendação é acompanhar de perto as propostas apresentadas e verificar se os interesses dos diferentes grupos estão sendo preservados.

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Tem que ficar muito atento e cobrar os seus direitos, caso você não ache que ficou justa essa negociação”, concluiu Fernanda.

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