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Wall Street precisará aprender a economia dos tokens antes dos IPOs de IA; SpaceX oferece prévia
Publicado 10/06/2026 • 16:15 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/06/2026 • 16:15 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Quando OpenAI e Anthropic finalmente deixarem a fase confidencial de preparação para seus IPOs e tornarem públicos seus prospectos, os investidores serão inundados por referências a um termo ainda pouco familiar em Wall Street: tokens.
Os tokens são a nova moeda da inteligência artificial. É por meio deles que as grandes empresas de modelos de IA recebem pagamentos. Eles também são a base do trabalho dos desenvolvedores, que utilizam tokens para criar aplicativos. O desafio é que converter tokens em dólares – a moeda que os investidores entendem – não é simples.
“É um trabalho em andamento para todos nós navegarmos nesse novo terreno”, afirmou Gil Luria, analista de tecnologia da D.A. Davidson. Ele acompanha empresas como Amazon, Microsoft e Alphabet, que passaram a mencionar tokens com frequência em teleconferências de resultados ao longo do último ano.
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A OpenAI informou na segunda-feira que protocolou confidencialmente seu prospecto junto à Securities and Exchange Commission (SEC), uma semana após a Anthropic fazer o mesmo. Junto com o IPO da SpaceX, previsto para esta semana, essas ofertas podem estar entre as maiores da história, tornando essencial a compreensão do papel dos tokens. Assim como a computação em nuvem transformou o mercado de software há mais de duas décadas, a era da IA está mudando profundamente a forma como empresas pagam e recebem por tecnologias que se tornaram críticas.
Sempre que um usuário do ChatGPT, do Claude ou de outro serviço de IA cria uma planilha, gera uma imagem ou desenvolve um aplicativo por meio de comandos de texto, um determinado número de tokens é consumido. Um token equivale, em média, a cerca de três quartos de uma palavra.
As empresas desenvolvedoras de modelos vendem assinaturas que incluem cotas de tokens e também oferecem acesso às suas APIs, cobrando os clientes de acordo com o consumo.
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A OpenAI permite algum uso gratuito de modelos de programação por meio do aplicativo Codex, enquanto a Anthropic disponibiliza a ferramenta Claude Code para assinantes pagos. As duas empresas comercializam planos individuais que chegam a US$ 200 por mês. Quando os usuários ultrapassam sua cota, precisam pagar por tokens adicionais.
A OpenAI divulga em seu site os preços de seus modelos. No caso do GPT-5.5, a empresa cobra US$ 5 por 1 milhão de tokens de entrada – correspondentes à pergunta do usuário – e US$ 30 por 1 milhão de tokens de saída, referentes à resposta gerada pelo modelo. A Anthropic adota preços semelhantes para seu modelo Claude Opus 4.8, cobrando US$ 25 por 1 milhão de tokens de saída.
Para quem ainda não está familiarizado com o conceito, a equação pode parecer complexa. Felizmente para os investidores, empresas como a fabricante de chips Cerebras e a SpaceX, controladora da xAI, incluíram explicações detalhadas sobre tokens em seus prospectos de abertura de capital.
Leia também: O que é uma “rede de parceiros de IA” e por que ela virou essencial para abrir uma IPO?
O prospecto da Cerebras menciona tokens 23 vezes, enquanto o documento da SpaceX contém 62 referências, incluindo definições no glossário.
Ao definir o termo, a SpaceX afirma que um token “se refere às unidades básicas de texto ou imagem processadas e geradas por um modelo de IA, utilizadas para medir a atividade da inteligência artificial”.
Mais adiante, a companhia acrescenta que um token “representa a unidade fundamental de dados consumidos e produzidos pelos modelos modernos de IA, correspondendo, por exemplo, a palavras, imagens, áudio ou outras modalidades”.
Embora a SpaceX, que deve estrear na Nasdaq nesta sexta-feira, discuta amplamente o tema dos tokens, eles ainda têm impacto limitado em seus resultados financeiros. Aproximadamente 70% da receita do primeiro trimestre veio do negócio de internet via satélite Starlink, enquanto a divisão espacial respondeu por outros 13%. A área de IA representou os 17% restantes, embora ainda opere com prejuízo e concentre a maior parte dos investimentos da companhia.
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A divisão de IA da SpaceX atua em um mercado dominado por OpenAI, Anthropic e Google. Seus modelos Grok 4.3 e Grok Build 0.1 ainda não figuram entre os mais utilizados na plataforma OpenRouter.
Por causa de sua posição no setor, os tokens se tornaram uma métrica cada vez mais relevante para o Google. Consumidores e empresas utilizam os modelos Gemini, enquanto desenvolvedores acessam ferramentas por meio da infraestrutura de nuvem da companhia, que compete com Amazon Web Services (AWS) e Microsoft Azure.
Durante a divulgação de resultados em abril, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou que os modelos da empresa processam atualmente mais de 16 bilhões de tokens por minuto por meio do uso direto de APIs pelos clientes, acima dos 10 bilhões registrados no trimestre anterior.
Pichai acrescentou que, nos últimos 12 meses, 330 clientes da divisão de nuvem processaram mais de 1 trilhão de tokens, enquanto 35 clientes ultrapassaram a marca de 10 trilhões de tokens.
Para Scott Breitenother, cofundador e CEO da startup de IA Kilo Code, o principal ponto ausente nas discussões sobre tokens é o retorno financeiro obtido pelas empresas.
“O volume de tokens é uma métrica útil de direção, mas as empresas se preocupam, no fim das contas, com impacto e retorno sobre investimento”, afirmou.
O Google não relaciona diretamente o uso de tokens à receita, mas sua divisão de nuvem vive um momento de forte expansão. A receita do segmento cresceu 63% no primeiro trimestre, alcançando US$ 20 bilhões, enquanto o lucro operacional mais do que dobrou para US$ 6,6 bilhões.
Leia também: IPO da SpaceX será teste para apetite do mercado por empresas de IA
Esses resultados mostram uma demanda crescente por serviços de IA, mas dizem pouco sobre OpenAI e Anthropic, já que essas empresas não vendem infraestrutura de nuvem. Pelo contrário: elas dependem fortemente dela para hospedar seus modelos.
Nesse contexto, o prospecto da Cerebras pode ser especialmente útil para investidores. A fabricante de chips, concorrente da Nvidia em um segmento específico do mercado de IA, abriu capital em maio e ofereceu ao mercado uma das primeiras oportunidades de avaliar uma empresa focada exclusivamente em inteligência artificial.
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Seguir no GoogleComo fabricante de hardware, a Cerebras atua diretamente na geração de tokens. A empresa afirma que seu chip atual é 58 vezes maior que o processador B200 da Nvidia, contendo 19 vezes mais transistores e 250 vezes mais memória.
Leia também: SpaceX fecha parceria de peso com Google antes de potencial IPO
A companhia resume o papel dos tokens em seu prospecto da seguinte forma: “Modelos mais inteligentes combinados com inferência rápida tornam a IA mais produtiva. Como os tokens são a forma pela qual a IA converte computação em inteligência, o consumo de tokens cresce exponencialmente. E, como a Cerebras gera tokens mais rapidamente, acreditamos estar extremamente bem posicionados para vencer nesse mercado.”
A missão da empresa é desenvolver hardware suficientemente avançado para que companhias como OpenAI e Anthropic o utilizem em aplicações de ponta. Em janeiro, a Cerebras assinou um acordo para fornecer mais de US$ 10 bilhões em capacidade computacional à OpenAI até 2028.
Para que os modelos de negócios da OpenAI e da Anthropic funcionem, essas empresas precisam gerar receita suficiente com o consumo de tokens para pagar toda a infraestrutura fornecida por Nvidia, Cerebras e provedores de nuvem, além de cobrir suas demais despesas. Por enquanto, essa conta ainda não fecha.
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A SpaceX afirma em seu prospecto que seu sucesso operacional dependerá da eficiência com que utilizar sua capacidade computacional. Segundo a companhia, ela possui atualmente uma “vantagem de custo por token”, em parte graças à rápida expansão de sua infraestrutura.
Diferentemente da OpenAI e da Anthropic, a empresa possui seus próprios grandes centros de dados, incluindo duas instalações na região de Memphis, no Tennessee.
A companhia descreve sua estratégia integrada verticalmente como “de pás a tokens”, afirmando que consegue “treinar e aprimorar modelos de fronteira com menor custo e maior velocidade, acelerando ciclos de desenvolvimento e eliminando gargalos externos”.
Leia também: Por que a corrida do IPO entre OpenAI e Anthropic pode mudar o futuro da I.A? Entenda
Apesar dessas vantagens, os benefícios ainda não aparecem plenamente nos resultados. Atualmente, a SpaceX opta por alugar parte da capacidade de seus data centers, além de utilizá-los para seus próprios modelos.
Em maio, a Anthropic comprometeu-se a pagar US$ 1,25 bilhão por mês à SpaceX durante três anos pelo uso da instalação Colossus 1, da xAI.
Na semana passada, a SpaceX informou que o Google pagará US$ 920 milhões por mês até meados de 2029 para utilizar 110 mil GPUs da Nvidia.
A empresa está alugando sua infraestrutura mesmo oferecendo o modelo Grok 4.3 por preços significativamente inferiores aos cobrados pela OpenAI e pela Anthropic por milhão de tokens.
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Segundo Scott Breitenother, da Kilo Code, isso não significa falta de interesse pelo produto. “Não quer dizer que a demanda não exista. Mas sugere que ainda há casos de uso em que as organizações preferem outros modelos de ponta, apesar do custo mais elevado”, afirmou.
A SpaceX não respondeu ao pedido de comentário feito pela reportagem.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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