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Acordo UE-Mercosul deve ter impacto limitado sobre a pecuária francesa
Publicado 17/12/2025 • 08:56 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 17/12/2025 • 08:56 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
O impacto do acordo entre UE-Mercosul sobre a pecuária europeia, especialmente a francesa, tende a ser limitado, em contraste com o principal argumento utilizado pela França para se opor ao tratado de livre comércio. A avaliação é do estudo “Acordo União Europeia-Mercosul: Consequências para o setor pecuário da UE”, publicado no Journal of Agricultural Economics, que analisa os efeitos econômicos do acordo.
Segundo os autores, o impacto negativo sobre a renda do setor pecuário europeu seria “fortemente atenuado” pelas salvaguardas incluídas no texto, sobretudo pelas cotas tarifárias.
Em modelos que incorporam efeitos macroeconômicos mais amplos, como criação de empregos e crescimento induzido pela maior integração comercial, o resultado para o setor agroalimentar europeu como um todo pode até se tornar positivo, com alta estimada de 0,11%.
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No caso da França, um dos principais focos de resistência ao acordo, o estudo aponta que os efeitos sobre a produção doméstica seriam marginais. Dois fatores explicam esse resultado. O primeiro é a forte preferência do consumidor francês por produtos locais. De acordo com os dados analisados, a carne bovina originária do Mercosul responde por apenas 0,2% do consumo total na França, percentual bem inferior ao observado na Alemanha, onde chega a 3,4%.
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Siga o Times | CNBCO segundo fator são as salvaguardas de volume previstas no acordo. A oferta adicional de carne bovina do Mercosul está limitada por cotas de importação, o que reduz o risco de uma entrada expressiva de produtos sul-americanos no mercado europeu. “Não encontramos efeitos negativos fortes nos países que atualmente se opõem à ratificação, em particular a França, porque seus consumidores preferem alimentos domésticos”, afirmam Gohin e Matthews no estudo.
Os impactos, no entanto, não são homogêneos dentro da UE. Alemanha e Polônia aparecem como os países mais afetados, com quedas estimadas de 0,6% e 0,9%, respectivamente, na renda de seus setores pecuários. No caso alemão, a maior abertura ao consumo de carne importada amplia a concorrência. Já a Polônia tende a sofrer com o chamado “desvio de comércio”, uma vez que sua carne, hoje destinada ao mercado alemão, poderia perder espaço para produtos do Mercosul.
Para os países do Mercosul, os ganhos também são mais moderados do que aqueles projetados em cenários de liberalização ampla. Sob as regras atuais do acordo, a renda do setor pecuário do bloco aumentaria cerca de 0,78%, bem abaixo do potencial de 10,99% estimado em um cenário sem restrições.
As cotas negociadas ilustram esse caráter mais cauteloso do acordo. A UE estabeleceu uma cota adicional de 99 mil toneladas de carne bovina, em equivalente peso carcaça, com tarifa reduzida de 7,5%. Para a carne de aves, o volume foi fixado em 180 mil toneladas com tarifa zero. Nesse caso, o estudo aponta que pode haver aumento das importações totais, já que o Brasil atualmente utiliza quase integralmente as cotas existentes.
Na conclusão, os autores avaliam que os temores de um colapso da pecuária europeia são exagerados. Segundo o estudo, o setor agroalimentar da UE pode, inclusive, se beneficiar indiretamente do acordo, a partir do aumento de renda gerado pela abertura de mercados em outros segmentos da economia, como manufaturados e serviços.
A análise foi conduzida por Alexandre Gohin, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE), da França, e por Alan Matthews, professor do Trinity College Dublin, na Irlanda.
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