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Ameaças do Irã a empresas de Elon Musk ampliam tensão geopolítica, mas capacidade de ação gera dúvidas

Publicado 11/06/2026 • 20:37 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Segundo o professor Danilo Porfírio, as declarações têm caráter predominantemente retórico e buscam pressionar Washington em meio às tensões e negociações envolvendo os dois países.
  • O especialista avalia que há dúvidas sobre a capacidade do Irã de transformar as ameaças em ações concretas, diante do desgaste militar acumulado após meses de confrontos.
  • A principal preocupação não seria um ataque direto a empresas de Musk, mas o eventual incentivo a ações isoladas de simpatizantes do regime iraniano contra interesses ligados aos Estados Unidos.

As recentes ameaças do Irã contra empresas ligadas a Elon Musk adicionaram um novo elemento à crise entre Teerã e Washington. Embora o discurso represente uma escalada na disputa entre os dois países, ainda há incertezas sobre a capacidade iraniana de transformar as declarações em ações concretas.

Para o professor de Direito e Relações Internacionais Danilo Porfírio, estudioso do Oriente Médio, a inclusão de Musk como alvo da retórica iraniana está ligada a dois temas considerados estratégicos pelo regime. Um deles é a relação entre as empresas do bilionário e as Forças Armadas americanas. O outro envolve o acesso à informação dentro do Irã.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC , o especialista afirmou que a atuação da Starlink no país é vista por Teerã como uma ameaça ao controle estatal sobre as comunicações.

“Existe um ponto muito sensível, que é a autorização do Elon Musk para utilização dos recursos da Starlink pela população iraniana. A ação busca romper as restrições impostas pelo governo ao acesso à informação”, afirmou.

Na avaliação de Porfírio, esse aspecto pode ser ainda mais relevante para as autoridades iranianas do que a própria cooperação tecnológica entre empresas de Musk e o aparato militar dos Estados Unidos.

O especialista pondera, contudo, que as ameaças feitas até agora têm caráter predominantemente político. Para ele, o objetivo é aumentar a pressão sobre Washington em um momento em que as negociações e os confrontos militares seguem ocorrendo paralelamente.

“Essas medidas funcionam como instrumentos de intimidação. São formas de tentar persuadir os Estados Unidos a recuarem de determinadas posições e abrir espaço para um processo de negociação”, disse.

Apesar disso, ele alerta para um possível risco indireto. Em vez de ataques convencionais contra empresas ou instalações específicas, a preocupação estaria na eventual inspiração de ações isoladas por simpatizantes do regime.

“O que me preocupa é o incentivo a ações de soldados solitários. O Irã já teve experiências desse tipo no passado e esse é um cenário que merece atenção”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio a questionamentos sobre o que restou da capacidade militar iraniana após meses de confrontos e sucessivas ofensivas atribuídas a Estados Unidos e Israel. Porfírio destaca que essa é uma variável fundamental para avaliar a credibilidade das ameaças.

“O Irã já enfrenta dificuldades significativas em suas forças regulares. Por isso, é legítimo questionar até que ponto teria condições de direcionar recursos para atingir empresas privadas”, observou.

Outro ponto levantado durante a análise envolve a infraestrutura tecnológica instalada no Oriente Médio. Países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Turquia concentram dezenas de centros de dados que sustentam operações digitais globais, incluindo serviços associados à Starlink.

Embora, em tese, algumas dessas estruturas estejam ao alcance de armamentos iranianos, o especialista considera prematuro concluir que exista uma ameaça operacional imediata.

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“É preciso separar a retórica da capacidade efetiva de execução. Ainda não está claro o quanto o Irã consegue transformar esse discurso em ações concretas”, afirmou.

Para Porfírio, os próximos dias serão decisivos para determinar se as declarações permanecerão no campo da pressão política ou se representarão uma mudança mais profunda na dinâmica do conflito.

“O risco existe, mas o principal desafio agora é entender o que realmente sobrou da capacidade operacional dos dois lados. Só então será possível medir o alcance dessas ameaças”, concluiu.

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