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BYD contrata ex-diplomata húngaro suspeito de espionagem para Rússia na União Europeia
Publicado 21/07/2026 • 15:18 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 21/07/2026 • 15:18 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
reprodução X @FM_Szijjarto
Peter Szijjarto deixou o parlamento húngaro para cargo na montadora chinesa em meio a acusações de vazamento de dados da UE a Sergey Lavrov.
A fabricante chinesa de carros elétricos BYD contratou o ex-chanceler húngaro Péter Szijjarto para a diretoria de relações externas do grupo, dias depois de ele deixar o mandato parlamentar na Hungria. A movimentação reacende suspeitas de espionagem envolvendo o repasse de informações da União Europeia à Rússia, atribuído a Szijjarto por fontes húngaras e russas.
Segundo o governo húngaro, a entrada do ex-ministro de relações exteriores na montadora chinesa se somam ao histórico de proximidade entre o ex-chanceler e o governo de Pequim, construído ao longo das negociações que levaram a fábrica da BYD à Hungria.
Em publicação recente, Szijjarto escreveu ter recebido uma oferta de uma companhia líder mundial e afirmou que seguirá a carreira como executivo responsável pelas relações externas do grupo. O aliado do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán ocupou o cargo de chanceler durante o período em que o governo húngaro aproximou o país da China, atraindo investimentos nos setores de veículos elétricos e baterias automotivas.
A BYD está construindo uma fábrica no território húngaro e prevê início de operações ainda em 2026.
Szijjarto atuou como negociador direto nas tratativas com Pequim. Na última quinta-feira (16), o primeiro-ministro húngaro Péter Magyar declarou existir suspeita de conflito de interesses envolvendo o ex-chanceler e indicou que uma investigação deve avançar sobre o caso.
Sem dar mais detalhes, o chefe do executivo húngaro afirmou que estão investigando “documentos confidenciais” do ministério que passou Szijjarto, e prometeu que todas as informações sobre o caso serão divulgadas assim que houver conclusões preliminares.

Leia também: Cota para elétricos que favorece a BYD expõe contradição do governo com plano de nova indústria
Szijjarto recebeu em 2021 a Ordem da Amizade Russa das mãos de Vladimir Putin, uma das honras concedidas por Moscou a cidadãos estrangeiros. Ao longo dos 12 anos no cargo, o ex-chanceler nunca escondeu a proximidade com o presidente russo e com Lavrov.
À época, o então ministro húngaro chamou de “falsas” as notícias sobre espionagem pró Rússia, ao mesmo tempo em que explicava ao interlocutor russo como influenciava decisões tomadas nas reuniões europeias a favor do Kremlin, segundo o site “euro news”.
Um responsável europeu, sob anonimato, comentou à época que, se forem retirados os nomes das gravações, qualquer investigador vai concluir tratar-se de um agente dos serviços secretos a trabalhar para seu informante.
O acesso prévio de Szijjarto a informações diplomáticas reservadas abre espaço para que dados relacionados à União Europeia tenham chegado à China. Sob a legislação chinesa, empresas privadas não podem recusar pedidos do governo relacionados a segurança nacional.
Szijjarto também é apontado como fonte de vazamentos para a Rússia. No fim de março, vieram à tona registros de ligações telefônicas entre ele e o chanceler russo Sergey Lavrov.
De acordo com o The Insider, veículo russo de jornalismo investigativo independente, Szijjarto relatou a Lavrov, durante intervalos de reuniões do Conselho de Relações Exteriores da União Europeia, detalhes das discussões do colegiado e repassou informações sobre propostas de sanções contra a Rússia.
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Siga o Times | CNBCO The Insider opera fora do território russo e é conhecido por apurações sobre bastidores do governo de Vladimir Putin e sobre a guerra na Ucrânia.
Leia também: Governo cede à pressão da BYD e recria cota de importação que beneficia apenas a montadora
Não há precedente na Hungria de um ex-ministro assumir cargo em empresa com a qual manteve relação direta durante o exercício do governo. Para o analista de política externa István Szent-Iványi, a contratação de Szijjarto pela BYD ultrapassa o risco de corrupção.
Szent-Iványi afirmou ao portal euro news que Szijjarto supervisionou o Gabinete de Informação, serviço de inteligência externa da Hungria, e reúne uma base de dados sobre assuntos internos da União Europeia e da Otan.
Segundo o analista, a legislação de segurança nacional chinesa obriga grandes empresas a cooperar com os serviços secretos do país, o que estenderia essa obrigação ao ex-chanceler dentro da nova estrutura.
O diretor jurídico da Transparência International Hungria, Miklós Ligeti, avaliou que a contratação de um ex-ministro de país da Otan por uma companhia chinesa pode envolver o próprio Estado chinês, dado o controle exercido por Pequim sobre empresas do país.
Ligeti afirmou que o caso seria preocupante mesmo em uma companhia como BMW ou Mercedes, e que o histórico de Szijjarto à frente da política de aproximação com a China e das negociações que trouxeram a indústria automotiva chinesa à Hungria agrava o problema de incompatibilidade.
Os dois teriam discutido estratégias para dificultar o apoio da União Europeia à Ucrânia. Em um dos trechos, Szijjarto teria dito a Lavrov estar sempre à disposição dele.
Magyar classificou os episódios de vazamento como um ato de traição e afirmou que autoridades húngaras investigam o caso.
Szijjarto não é o único ex-diplomata húngaro contratado por companhias chinesas. Előd Tasnády, que serviu nos consulados-gerais de Xangai e Cantão, comanda hoje um centro de desenvolvimento de negócios criado pela CCTA em Cegléd.
Csaba Wolf, ex-diretor de estratégia para instituições financeiras internacionais do Ministério do Desenvolvimento Econômico, é vice-presidente da filial húngara da Semcorp. Lóránd Dióssi, ex-cônsul-geral em Chongqing, responde pela gestão estratégica da filial húngara da fabricante de baterias CATL.
A reportagem de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC procurou a BYD, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço está aberto.
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