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Tarifas do Trump

Tarifas dos EUA devem ampliar pressão sobre exportações brasileiras

Publicado 15/07/2026 • 12:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Governo brasileiro deve se preparar para novas tarifas dos EUA, que podem atingir diferentes setores da economia, avalia especialista.
  • Investigação americana envolve temas que vão além do comércio, incluindo propriedade intelectual, desmatamento, corrupção e o Pix.
  • Negociações diplomáticas devem continuar após o prazo desta terça-feira (15), mas setores exportadores podem enfrentar impactos no curto prazo.

A expectativa de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reflete uma disputa que vai além do comércio internacional e envolve questões regulatórias, geopolíticas e diplomáticas, afirmou Lígia Maura Costa, professora da FGV EAESP, em entrevista nesta quarta-feira (15) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“Nós podemos esperar como quase certo que vai vir mesmo esse adicional de tarifa. O que está em jogo não é apenas o comércio internacional, mas também soberania regulatória, modelos de inovação financeira e o papel do Estado na economia”, disse.

Impacto para exportadores

Segundo a professora, além da tarifa de 25% em discussão na investigação conduzida pelo USTR, alguns segmentos ainda podem ser atingidos por uma cobrança adicional de 12,5% relacionada ao trabalho forçado, elevando a carga para até 37,5% em determinados casos.

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Ela destacou que esse cenário aumenta a preocupação para empresas exportadoras e reforça a necessidade de uma estratégia diplomática por parte do governo brasileiro. “Mesmo depois de cinco rodadas de negociação pelo Brasil, continuamos achando que o governo norte-americano vai de fato impor essas tarifas”, afirmou.

Negociação continua

Na avaliação de Lígia Maura Costa, a investigação aberta pelos Estados Unidos reúne temas bastante distintos, o que demonstra que a discussão extrapola questões estritamente comerciais.

Ela lembrou que, além do Pix, o processo aborda temas como tarifas preferenciais, etanol, desmatamento ilegal, propriedade intelectual e corrupção.

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“Quando você coloca corrupção ao lado de etanol e de desmatamento, percebe que não se trata apenas de um instrumento de política comercial. Há objetivos de política geral e, principalmente, de geopolítica”, explicou.

Segundo a professora, o caminho mais adequado é manter as negociações para compreender quais interesses efetivamente movem o governo americano e buscar eventuais contrapartidas.

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“O Brasil deve tentar negociar e entender qual é, de fato, o interesse do governo norte-americano. Caso contrário, vários setores serão muito afetados por essa medida, pelo menos inicialmente”, destacou.

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Ela observou que alguns produtos estratégicos para o mercado americano tendem a permanecer fora das tarifas, como ocorreu em outras disputas comerciais.

“Produtos que os Estados Unidos não conseguem substituir, como parte do agro, carne bovina e combustíveis fósseis, devem continuar na lista de exceções. O restante, porém, tende a sofrer bastante com essas medidas”, ressaltou.

Pressão geopolítica

Para a especialista, o foco dos Estados Unidos sobre o Brasil no segundo mandato de Donald Trump é explicado principalmente por fatores geopolíticos.

Segundo ela, o peso regional do Brasil e os recentes atritos diplomáticos ajudam a entender o endurecimento da postura americana.

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“Em uma única palavra, a justificativa é geopolítica. O Brasil é o maior país da América Latina e sempre despertou grande interesse dos Estados Unidos. Além disso, algumas provocações do governo brasileiro acabaram irritando o governo norte-americano”, concluiu.

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