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Tarifa do Trump ameaça paralisar mais da metade das usinas de ferro-gusa no Brasil
Publicado 15/07/2026 • 10:46 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/07/2026 • 10:46 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Sindifer/Reprodução
A indústria mineira de ferro-gusa, que já enfrenta os impactos da tarifa de 10% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025, pode sofrer um novo golpe caso seja confirmada a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
O ferro-gusa, insumo essencial para a siderurgia, é o segundo produto mais exportado por Minas Gerais para o mercado norte-americano, atrás apenas do café.
Principal matéria-prima para a fabricação de aço e ferro fundido, o ferro-gusa abastece toda a cadeia da metalurgia. O Brasil está entre os principais exportadores do produto no mundo, tendo os Estados Unidos como seu principal comprador.
Leia também: Ferro-gusa preocupa indústria mineira após tarifa dos EUA
Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), entidade filiada à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a implementação da nova tarifa poderá provocar a paralisação de cerca de 55% das usinas brasileiras produtoras de ferro-gusa.
A especialista em gestão financeira Adriana Melo considera o caso da indústria brasileira do ferro-gusa um dos mais sensíveis. “Os produtos de aço e seus derivados que já estão sujeitos às tarifas da Seção 232 foram excluídos da nova sobretaxa de 25%. Assim, a vulnerabilidade imediata não está em todo o aço semiacabado brasileiro, mas principalmente em produtos que ficaram fora das exceções, como o ferro-gusa, além de madeira processada, calçados, pescados, café solúvel e determinados insumos industriais”, disse Melo.
No ano passado, os Estados Unidos importaram 5,3 milhões de toneladas do produto. Segundo dados oficiais, 3,3 milhões vieram do Brasil. “A indústria norte-americana praticamente não dispõe de um mercado doméstico aberto para esse insumo, porque os produtores integrados consomem internamente o que fabricam”, afirmou.
“Por isso, siderúrgicas como Nucor e Steel Dynamics apoiam a isenção do produto: a tarifa atingiria o exportador brasileiro, mas também elevaria o custo do aço produzido nos Estados Unidos”, afirmou.
Minas Gerais é o principal polo produtor de ferro-gusa do país. O estado reúne 48 usinas e 63 fornos, com capacidade instalada de aproximadamente 420 mil toneladas por mês, o equivalente a cerca de 70% da produção nacional.
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Siga o Times | CNBCSete Lagoas, na região Central de Minas, concentra 21 dessas unidades industriais, reforçando sua importância estratégica para o segmento.
Na avaliação de Adriana Melo, os maiores impactos devem atingir empresas com forte dependência do mercado norte-americano.
“Os maiores perdedores serão empresas brasileiras com três características: alta dependência dos Estados Unidos, produtos fabricados segundo especificações do comprador americano e margens insuficientes para absorver 25%. Nesses casos, redirecionar a produção para a Ásia ou Europa não acontece apertando um botão”, diz.
Ela também alerta para os efeitos diretos sobre a atividade industrial.
“Em Brasília [o tarifaço] pode parecer um arranhão estatístico que pode ser trabalhado a favor da imagem política do governo. Já em uma fábrica de ferro-gusa, madeira ou calçados essa pode ser a diferença entre operar e fechar as portas”, afirma.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) define nesta quarta-feira (15) seu parecer sobre a imposição de uma tarifa de importação de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
A medida é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301, que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos, tendo como foco o sistema Pix, as regras de comércio digital e a propriedade intelectual.
Além dessa medida, uma investigação global sobre trabalho forçado poderá acrescentar mais 12,5% de imposto para determinados produtos, elevando a barreira tarifária combinada para 37,5%.
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