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China cobra até US$ 4 mil para “corrigir” adultos em centros de detenção forçada

Publicado 16/08/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Na China, instituições privadas de disciplina cobram até 26.800 yuans (cerca de R$ 20.805), por seis meses de permanência de adultos em programas de “correção” comportamental.
  • As próprias famílias contratam os estabelecimentos e, em alguns casos relatados, as instituições mantêm as pessoas isoladas contra a vontade delas.
  • O modelo ganhou força depois que instituições conhecidas por aplicar disciplina de estilo militar e punições físicas passaram a enfrentar reação pública.
China cobra até US$ 4 mil para “corrigir” adultos em centros de detenção forçada

Foto: unsplash

China cobra até US$ 4 mil para “corrigir” adultos em centros de detenção forçada

Na China, instituições privadas de disciplina cobram até 26.800 yuans (cerca de R$ 20.805), por seis meses de permanência de adultos em programas de “correção” comportamental. As próprias famílias contratam os estabelecimentos e, em alguns casos relatados, as instituições mantêm as pessoas isoladas contra a vontade delas.

O modelo ganhou força depois que instituições conhecidas por aplicar disciplina de estilo militar e punições físicas passaram a enfrentar reação pública. Com isso, parte do setor mudou de nome e passou a se apresentar como centros de educação familiar, programas de intervenção comportamental ou organizações de desenvolvimento juvenil.

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Apesar da mudança, o modelo de negócios também passou a incluir adultos cujas escolhas pessoais entram em conflito com as expectativas dos pais. Segundo o The Times Of India, relacionamentos amorosos, excesso de jogos eletrônicos, desemprego, escolhas profissionais consideradas fora do padrão e horários irregulares de sono podem ser apontados como motivos para intervenção.

Jovem foi levada para instituição em Henan

Um dos casos envolve uma estudante de música de 21 anos, de Pequim. Em março, ela foi a um condomínio para dar uma aula de piano. No local, entretanto, estavam seu pai, sua tia e dois funcionários de uma instituição disciplinar privada.

Os familiares disseram à jovem que os dois homens eram policiais que investigavam um assunto familiar. Em seguida, eles a colocaram à força em um veículo, pegaram seu celular e a levaram para uma instituição na província de Henan, a centenas de quilômetros de distância.

Segundo o relato, a estudante permaneceu no local por 11 dias. O Southern People Weekly, afirma que os pais desaprovavam o relacionamento da filha e consideravam que ela, antes mais obediente, havia se tornado mais difícil de controlar.

Por isso, eles contrataram a instituição para isolá-la, acompanhar suas atividades diárias e tentar convencê-la a terminar o relacionamento. O estabelecimento cobrava 26.800 yuans (R$ 20.805) por seis meses e 36.800 yuans (R$ 28.385) por um ano, com os valores incluindo despesas de moradia e alimentação.

China amplia “correção” comportamental para adultos

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O caso da estudante não aparece de forma isolada. Uma investigação publicada em julho pela China Newsweek documentou outros adultos que foram colocados em instituições semelhantes pelas próprias famílias.

Um homem de 21 anos, por exemplo, relatou que seus pais pagaram por uma instituição para tentar “corrigir” seus hábitos de sono. Além disso, uma investigação do veículo chinês Jiemian News identificou uma escola de correção comportamental que mantinha adultos junto de adolescentes.

Havia adultos de até 33 anos nesse tipo de instituição. Dessa forma, estabelecimentos que historicamente atendiam jovens passaram a receber também pessoas adultas cujos comportamentos ou escolhas desagradavam às famílias.

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Restrição da liberdade pode levar à prisão

A atuação dessas instituições também levanta uma questão jurídica. A legislação chinesa criminaliza a restrição ilegal da liberdade pessoal de uma pessoa. Os responsáveis podem enfrentar pena de até três anos de prisão.

Além disso, um comentário publicado em junho pelo Beijing News destacou a questão dos contratos de “gestão de estilo militar”. Segundo o jornal, esse tipo de documento não constitui uma defesa válida para restringir a liberdade.

Assim, embora famílias na China contratem essas instituições para tentar modificar comportamentos, os casos relatados mostram que algumas intervenções envolvem isolamento e retirada de adultos de seu ambiente habitual contra a própria vontade. O valor cobrado pode chegar a R$ 20.805 por seis meses, enquanto os estabelecimentos ampliam o atendimento para além do público juvenil.

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