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China mira autossuficiência em chips após restrições dos EUA

Publicado 27/05/2026 • 23:58 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Especialista em Ásia diz que China busca reduzir dependência de tecnologias americanas após restrições aos chips da Nvidia.
  • Controle chinês sobre terras raras segue como vantagem estratégica, mas outros países começam a buscar alternativas.
  • Taiwan permanece no centro da disputa tecnológica, com peso estratégico na produção global de semicondutores.

A China deve acelerar sua busca por autossuficiência em semicondutores após as restrições dos Estados Unidos ao acesso de empresas chinesas aos chips mais avançados da Nvidia. É o que afirmou Alexandre Uehara, coordenador do curso de relações internacionais da ESPM e especialista em Ásia.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Uehara disse que a tentativa americana de limitar o avanço chinês em inteligência artificial levou Pequim a ampliar investimentos próprios em tecnologia.

“No primeiro momento, os Estados Unidos tentaram evitar que a China avançasse e utilizasse os chips mais avançados. Mas o que nós vemos neste momento é a China preocupada exatamente com sua dependência, ou sobredependência, em relação às tecnologias norte-americanas”, afirmou.

Segundo o especialista, a China ainda não está no mesmo patamar da Nvidia, mas já adota políticas para estimular o uso de processadores nacionais, mesmo que estejam abaixo da tecnologia americana mais avançada.

“Logicamente, eles não estão no mesmo patamar da Nvidia neste momento. Mas o governo chinês tem uma política de incentivo à utilização de processadores chineses, mesmo que seja um pouco abaixo”, disse.

Leia também: A Nvidia afirma que sua previsão para o mercado de CPUs de US$ 200 bilhões inclui a China

Uehara afirmou que a estratégia busca dar escala e receita às empresas chinesas, para que elas tenham mais recursos de pesquisa e desenvolvimento e possam competir no médio e longo prazo.

“A China está olhando para o futuro. A China não está muito preocupada com curto prazo, está preocupada com longo prazo”, afirmou.

O especialista também destacou o peso das terras raras e dos ímãs na estratégia chinesa. Segundo ele, o controle dessa cadeia ainda dá vantagem relevante a Pequim em negociações comerciais e tecnológicas.

Apesar de países como o Brasil começarem a discutir exploração e regulamentação de terras raras, Uehara afirmou que a China está muito à frente por ter investido há mais tempo em pesquisa, processamento e capacidade industrial.

“A China vem investindo nisso já há muito tempo. As empresas chinesas e as universidades chinesas têm investido muito em pesquisa e desenvolvimento, enquanto o Brasil e outros países vão começar praticamente do zero”, disse.

Para o professor, a dependência global da China nesse setor expôs vulnerabilidades de uma cadeia produtiva organizada durante o período de maior globalização, quando muitos países concentraram em Pequim a produção desses minerais por razões de custo e impacto ambiental.

“Agora se mostra que foi um plano com vulnerabilidades”, afirmou.

Uehara também analisou a atuação do Quad, grupo formado por Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália. Segundo ele, a construção de um porto em Fiji e os pactos envolvendo minerais críticos e segurança energética têm objetivo estratégico no Pacífico.

“As ilhas Fiji ficam no coração do Pacífico Sul. É uma região onde a China tem avançado bastante em termos de poder de influência”, disse.

Segundo o especialista, a China ampliou presença econômica e estratégica no Sudeste Asiático e no Mar do Sul da China, área importante para o comércio global. Esse avanço levou os países do Quad a buscar maior presença na região.

“É uma posição importante, não apenas pelas terras raras, mas pela questão geopolítica”, afirmou.

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Taiwan também permanece no centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Uehara afirmou que a ilha é relevante para o mundo pela produção de chips e que essa importância funciona, ao mesmo tempo, como fator de risco e de proteção.

“Da mesma maneira que Taiwan é ameaçada pela China, alguns dizem que exatamente porque tem essa importância estratégica na produção desses componentes, isso faz de Taiwan um seguro para que a China não invada”, afirmou.

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Segundo ele, uma ação militar chinesa poderia gerar sanções e instabilidade suficientes para prejudicar o próprio projeto econômico de Pequim, ainda dependente das exportações para Estados Unidos, Europa, Japão e outros parceiros.

O professor afirmou, porém, que Taiwan segue sendo uma “linha vermelha” para a China. Pequim não aceitaria uma declaração formal de independência nem sinais internacionais nesse sentido.

“A China não vai aceitar de maneira alguma que Taiwan se declare independente ou que outros países sinalizem nesse sentido”, disse.

Para Uehara, os Estados Unidos precisam manter a chamada diplomacia ambígua: reconhecer Pequim como governo chinês, mas preservar sinais de proteção e segurança a Taiwan.

“Neste momento, esse é o ponto de preocupação para Taiwan. No governo Trump, esses sinais de proteção dos Estados Unidos para Taiwan não deixam Taiwan seguro”, afirmou.

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