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Conflito no Oriente Médio

Acordo entre EUA e Irã enfrenta primeiro obstáculo após negociações na Suíça não avançarem como previsto

Publicado 19/06/2026 • 10:14 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • As negociações de acompanhamento organizadas pela Suíça foram canceladas, aumentando as incertezas sobre o acordo.
  • Analistas afirmam que o pacto representa apenas o primeiro passo para um entendimento mais amplo.
  • “Este é um acordo realmente ruim”, disse David Roche, estrategista da Quantum Strategy.

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Bandeiras do Irã e dos Estados Unidos

A notícia de que os Estados Unidos e o Irã haviam alcançado um acordo provisório trouxe algum alívio inicial aos mercados. No entanto, uma nova onda de incertezas surgiu nesta sexta-feira (19), após o cancelamento das negociações de acompanhamento previstas na Suíça, destacando os desafios para transformar o entendimento em um acordo de paz duradouro.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça informou que as conversas entre EUA e Irã, que estavam programadas para acontecer em Bürgenstock nesta sexta-feira, não ocorreriam conforme planejado.

A Casa Branca também informou que o vice-presidente JD Vance não viajaria mais para a Suíça, citando questões logísticas ainda não resolvidas envolvendo as negociações.

“Os planos para as próximas conversas técnicas ainda não foram finalizados, e a delegação americana estava preparada para partir na primeira oportunidade disponível”, afirmou um porta-voz da Casa Branca.

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“Mas a logística dessas negociações nunca foi simples ou previsível.”

Os acontecimentos ocorreram um dia depois de o presidente Donald Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian assinarem um memorando de entendimento com o objetivo de desenvolver um acordo permanente de paz para encerrar o conflito que já dura meses.

Pelo memorando de 14 pontos, os dois lados concordaram em estender o cessar-fogo, incluindo no Líbano, e reabrir o estrategicamente importante Estreito de Ormuz.

O jornal Financial Times, no entanto, informou que as negociações de sexta-feira foram canceladas de forma abrupta após Israel lançar uma série de ataques aéreos letais contra o Líbano, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto.

O Ministério da Saúde do Líbano afirmou que 18 pessoas morreram no sul do país após uma série de ataques israelenses durante a noite. Israel informou que quatro de seus soldados também foram mortos.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que ordenou que as Forças de Defesa de Israel atacassem o Hezbollah “com força total”, afirmando que a ação foi uma resposta a um “ataque hediondo” realizado pelo grupo apoiado pelo Irã.

“Minha orientação é clara: Israel não tolerará ataques contra nossos soldados ou nosso território e cobrará um preço muito alto do Hezbollah por esses ataques”, afirmou Netanyahu em uma publicação nas redes sociais.

“Como deixei claro de forma inequívoca, inclusive ontem: Israel permanecerá na zona de segurança no sul do Líbano pelo tempo que for necessário para proteger os assentamentos no norte”, acrescentou.

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Desafios pela frente

Analistas alertaram que o acordo entre Estados Unidos e Irã representa apenas um primeiro passo em direção a um entendimento mais amplo.

“Embora seja um avanço importante, este acordo marca o início, e não o fim, do processo para tentar encerrar a guerra e lidar com as capacidades nucleares do Irã”, afirmou o banco UBS em um relatório.

Ainda existem vários “pontos difíceis” a serem resolvidos, como a campanha militar de Israel no Líbano, disse Adel Abdel Ghafar, pesquisador sênior do Australian Strategic Policy Institute, ao programa “The China Connection”, da CNBC.

“Caso contrário, existe a possibilidade de voltarmos a um conflito, embora neste momento ambos os lados queiram evitar isso”, afirmou.

Apesar das incertezas, o acordo ajudou a reduzir as interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, onde as operações haviam sido afetadas tanto por ataques iranianos quanto pelo bloqueio da Marinha dos EUA aos portos e áreas costeiras do Irã, sob determinação de Trump.

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A redução das interrupções no transporte marítimo pode beneficiar economias altamente dependentes da importação de petróleo, já que preços mais baixos da commodity podem ajudar a conter a inflação e diminuir a pressão sobre bancos centrais para elevar juros, afirmou David Roche, estrategista da Quantum Strategy, ao programa “Squawk Box Asia”, da CNBC.

Leia também: Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz; memorando prevê fim imediato do conflito

“Além disso, este é um acordo realmente ruim”, disse Roche, argumentando que o pacto coloca o Irã em uma posição mais forte no Golfo e limita interferências externas nos assuntos internos do país.

“O Irã tornará o Oriente Médio muito instável, e isso será ruim no longo prazo”, afirmou.

Ele acrescentou que Israel provavelmente não aceitará o acordo. “Os iranianos, posso prever com confiança, nunca, nunca abandonarão suas ambições nucleares”, declarou.

O acordo provisório também recebeu críticas de pessoas que afirmam que os Estados Unidos fizeram concessões “demais” ao Irã, levando Trump e Vance a defenderem o pacto.

“Os Estados Unidos não estão entregando um centavo de dinheiro ao Irã”, disse Vance ao defender a abordagem de Trump.

Trump também respondeu aos críticos em sua rede social Truth Social na quinta-feira.

“Esses tolos, que acham que eu não fui duro o suficiente com o Irã, enquanto o mercado de ações acaba de atingir um RECORDE HISTÓRICO e os preços do petróleo estão ‘despencando’, são pessoas invejosas, ruins ou estúpidas”, escreveu Trump.

Leia mais: Trump defende cessar-fogo total no Oriente Médio e cita avanços diplomáticos com Irã

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