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Guerra no Oriente Médio completa 100 dias com impacto direto nos mercados globais
Publicado 07/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 1 minuto
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Publicado 07/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 1 minuto
KEY POINTS
Cem dias após o início da guerra no Oriente Médio, os mercados financeiros globais seguem sob pressão direta do conflito. Petróleo, títulos soberanos, inflação e câmbio acumulam distorções que analistas descrevem como as mais persistentes desde a crise financeira de 2008. A guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã ainda não tem prazo para terminar.
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Wall Street surpreendeu. Apesar do conflito, o S&P 500 atingiu novos recordes desde o início das operações militares, sustentado pelo otimismo em torno da inteligência artificial e pela resiliência dos lucros corporativos americanos.
“Os mercados de ações subiram com força, mas liderados pelas empresas americanas e asiáticas vistas como beneficiárias diretas dos investimentos em IA”, disse Iain Barnes, diretor de investimentos da Netwealth.
O desempenho das bolsas europeias foi bem mais discreto. O aumento dos custos de energia pesa de forma mais direta sobre as economias do continente, que dependem de importações para abastecer a indústria e os serviços.
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Os mercados de renda fixa reagiram com mais nervosismo. Os rendimentos dos Treasuries americanos de 30 anos atingiram o nível mais alto desde antes da crise financeira global, refletindo apostas em inflação mais alta e política monetária mais restritiva.
Os gilts britânicos, títulos do governo do Reino Unido, registraram perdas ainda mais acentuadas, afetados tanto pela guerra quanto por instabilidades políticas internas.
Neil Birrell, diretor de investimentos da Premier Miton Investors, avaliou que os mercados de títulos precificam “algo real para se preocupar”. Para ele, a duração de uma inflação elevada importa mais do que o pico absoluto das taxas.
“Com a situação atual parecendo duradoura, o crescimento econômico vai sofrer e os rendimentos dos títulos devem continuar elevados”, disse Birrell.
O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado do Golfo Pérsico, permanece fechado desde o início do conflito. O bloqueio gerou oscilações bruscas nos preços do petróleo ao longo dos 100 dias.
Os preços recuaram em relação às máximas da guerra, mas ainda operam em níveis muito acima dos registrados antes do conflito. O Brent, referência global, está cerca de 36% acima do preço pré-guerra. O WTI americano acumula alta de quase 50% no mesmo período.
Para absorver parte do impacto, importadores buscaram fornecedores alternativos. Os Estados Unidos ampliaram as exportações de petróleo bruto, e alguns países receberam isenções temporárias para importar petróleo iraniano e russo.
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Seguir no GoogleTamas Varga, analista da PVM Oil Associates, alertou que se os estoques continuarem caindo ao longo de junho e atingirem níveis operacionais mínimos, “uma volta acima de US$ 100 será iminente”.
Os dados econômicos já registram o impacto da guerra além dos mercados financeiros. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor chegou a 3,8% em abril, a taxa anual mais alta em quase três anos. O petróleo caro encarece gasolina, querosene de aviação e gás — insumos que atravessam toda a cadeia de consumo.
Outros países adotaram intervenções diretas para conter a alta de preços. Alemanha e Índia anunciaram medidas específicas para amortecer o choque energético sobre a população.
Paul Surguy, diretor-executivo do Kingswood Group, questionou se os mercados desenvolveram uma “indiferença coletiva à guerra global”. Para ele, a combinação de gastos militares em alta e suporte popular ao conflito em queda indica que “ambos os lados buscam uma saída que preserve a imagem”. É esse cálculo, segundo Surguy, que molda as perspectivas de longo prazo para o petróleo.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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