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Inflação causada pela guerra virou “tempestade em copo d’água”, diz professor da UnB
Publicado 12/05/2026 • 21:24 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 12/05/2026 • 21:24 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A aceleração recente da inflação global provocada pela alta do petróleo não deve ser tratada como uma deterioração estrutural da economia mundial, na avaliação de José Luis Oreiro, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília. Para o economista, o choque atual está diretamente ligado à guerra no Oriente Médio e tende a perder força nos próximos meses.
“Essa questão da aceleração da inflação está se transformando em uma ‘tempestade em copo d’água’”, afirmou Oreiro ao comentar os impactos da crise envolvendo o Iran e o Golfo Pérsico sobre os preços globais, em entrevista ao Fast Money, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (12).
Segundo ele, o avanço da inflação já era esperado diante da disparada do petróleo causada pelas tensões geopolíticas na região, responsável por mais de 20% das exportações mundiais de petróleo. O professor destacou que o barril saiu de um patamar abaixo de US$ 70 (R$ 343,7) antes da crise para cerca de US$ 100 (R$ 491) após a escalada do conflito.
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“Toda vez que o preço do petróleo aumenta, há impactos diretos nas bombas de gasolina e impactos indiretos sobre transportes e fertilizantes”, explicou, ao destacar os efeitos da crise sobre os preços dos alimentos e da energia.
Apesar disso, Oreiro avalia que o cenário não deve permanecer pressionado indefinidamente e que a tendência é de normalização gradual das tensões geopolíticas ao longo dos próximos meses. “Esperamos que em talvez mais uns dois ou três meses a situação esteja normalizada”, ressaltou o economista, acrescentando que o barril pode voltar para algo próximo de US$ 70 (R$ 343,7) até o fim de 2026.
Na avaliação do professor da UnB, discutir mudanças mais agressivas de política monetária por causa de um choque temporário de oferta seria uma reação exagerada. “Ficar discutindo impacto sobre política monetária por causa de um choque de oferta temporário me parece algo desproporcional”, pontuou.
Para José Luis Oreiro, os efeitos econômicos da guerra já começam a atingir diretamente o bolso do trabalhador americano, especialmente por meio da inflação elevada e da perda de poder de compra.
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Segundo o economista, a deterioração da renda real nos United States tende a gerar consequências políticas importantes para o presidente Donald Trump, principalmente porque a inflação elevada já afeta diretamente a base eleitoral republicana. Para Oreiro, Trump acabou contrariando uma das principais promessas feitas durante a campanha presidencial. “O Trump fez um ‘estelionato eleitoral’ porque disse em campanha que não iria começar uma guerra, e começou”, afirmou.
Oreiro destacou ainda que a inflação elevada já corrói o ganho salarial dos trabalhadores americanos, justamente entre os eleitores que ajudaram Trump a derrotar Kamala Harris. Na avaliação do professor, esse cenário deve provocar desgaste político relevante para o governo republicano nas próximas eleições legislativas. “O impacto político disso com certeza se dará nas eleições de midterm nos Estados Unidos”, avaliou.
Na análise do economista, uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas pode reduzir drasticamente a capacidade política de Trump nos próximos anos de mandato. “Se perderem as duas casas, o resto do mandato do Trump deixará de existir”, destacou, ao afirmar que o presidente americano se transformaria no que chamou de “Lame Duck”.
O professor da UnB avalia que os efeitos econômicos da guerra não se limitam apenas ao preço da gasolina e devem continuar afetando a atividade econômica americana nos próximos meses.
Segundo ele, a destruição de instalações de refino no Golfo Pérsico e os problemas logísticos envolvendo o Strait of Hormuz dificultam uma normalização rápida da oferta global de petróleo. “Você não reconstrói isso da noite para o dia”, destacou, ao comentar os danos provocados pela guerra.
Para Oreiro, o resultado será uma combinação negativa entre desaceleração econômica, aumento do desemprego e perda de renda real dos trabalhadores americanos. “Com maior desemprego, os trabalhadores terão menos poder de barganha e não conseguirão aumentos salariais tão grandes”, explicou.
Segundo o economista, a combinação entre inflação elevada e crescimento mais fraco dos salários deve continuar reduzindo o poder de compra da população americana até o fim do ano. “Se você combina um crescimento menor do salário com uma inflação mais alta, o poder de compra continuará caindo”, concluiu.,
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