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Anthropic tem seu próprio OpenClaw, se chama Conway e ela não queria que você soubesse ainda
Publicado 04/04/2026 • 13:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/04/2026 • 13:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Imagem gerada por inteligência artificial com Google Gemini / Imagen 4
Conway em ação: o agente opera a noite toda, sem precisar que você esteja lá
A gente pisca e já tem muita coisa nova saindo. Tem uma semana, a Anthropic acidentalmente publicou o código-fonte do Claude Code, com meio milhão de linhas em TypeScript e 44 funções escondidas dentro. Agora, quatro dias depois, vazou outra coisa: a empresa está testando internamente um agente chamado Conway, e ele promete ser mais um grande salto no que se entende por inteligência artificial utilizada no dia a dia.
O Conway não será uma atualização do chat, mas um ambiente independente que aparecerá como uma opção de barra lateral na interface da Anthropic, abrindo uma página dedicada chamada de "instância Conway", que deve funcionar como um espaço de trabalho autônomo, e não como uma janela de conversa comum.
A diferença parece pequena no papel, mas na prática, é como ter um assistente que responde quando chamado e ter um que trabalha enquanto você dorme. Quem leu nossa edição inicial da AI-451 sobre o OpenClaw já conhece essa lagosta. Conway é ela, mas com crachá da Anthropic.
Leia também: OpenClaw: tudo o que você precisa saber mas tinha vergonha de perguntar (parte 1)
O apelido "lobster" circula nos fóruns de tecnologia desde que o vazamento veio a público. Quando escrevemos sobre o OpenClaw, encerramos com uma frase: "A lagosta está na sala. E ela não veio para conversar." O Conway é a resposta da Anthropic a essa mesma provocação, só que desta vez vindo de dentro da empresa que desenvolve o Claude. A referência ao animal que não para, que não tem um estado de repouso reconhecível, ganhou um nome, uma interface e um formato de extensão próprio.
O usuário não precisa digitar nada. O agente já está lá.
O Conway pode ser ativado por eventos externos, como o recebimento de um e-mail, uma chamada de API (quando um sistema avisa outro automaticamente, sem intervenção humana) ou uma atualização de dados, por meio de um mecanismo de Webhook (aviso automático disparado quando um evento externo acontece), sem que o usuário precise iniciar nenhuma ação. Isso é o que separa Conway de tudo que a Anthropic oferecia até agora, pois o modelo deixa de reagir a perguntas e passa a observar o ambiente e agir por conta própria.
A Anthropic também está desenvolvendo uma área de extensões dentro das configurações do Conway, que permitirá instalar ferramentas personalizadas, abas de interface e manipuladores de contexto. O formato suportado são arquivos .cnw.zip, um novo padrão para extensões que pode facilitar complementos de terceiros, algo parecido com uma loja de aplicativos.
O paralelo com o ecossistema de extensões do Chrome não é acidental. Conway pode rodar o Claude Code, suportar webhooks externos, trabalhar com o Chrome e enviar notificações, o que sugere que a Anthropic está explorando uma estrutura de agente muito mais ampla do que a experiência desktop atual.
Há ainda uma referência interna a algo chamado Epitaxy, que seria a interface do operador dentro do Conway, uma camada para quem desenvolve produtos em cima do sistema. O nome foi encontrado nos arquivos do Claude Code durante o vazamento da semana passada. Os dois lançamentos, portanto, estão mais conectados do que pareciam à primeira vista.
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A newsletter Magna, publicação especializada em IA, colocou o dedo na questão mais delicada ao dizer que o Conway é um ambiente fechado, onde a execução, os plugins e os dados do usuário ficam dentro do sistema da Anthropic.
Isso inclui sessões de browser, contas e potencialmente dados financeiros ou pessoais. O OpenClaw, plataforma de agente autônomo de código aberto que a Anthropic claramente observou de perto, roda localmente ou em infraestrutura controlada pelo usuário.
Não é uma diferença técnica menor, mas uma escolha sobre quem detém o que você faz no computador.
Com maior autonomia vem maior responsabilidade e risco. Um sistema de IA sempre ativo levanta preocupações sobre privacidade e segurança. O potencial para vazamento e uso indevido de dados aumenta quando o agente tem acesso contínuo a informações pessoais e confidenciais. Ao contrário de um chatbot, onde os erros aparecem na tela e podem ser corrigidos passo a passo, um agente que opera em segundo plano por horas torna muito mais difícil identificar onde as coisas saíram dos trilhos.
Enquanto Conway ainda é um teste interno, outro produto da Anthropic está no mercado e crescendo. O Chief Business Officer da empresa, Paul Smith, disse à Bloomberg que a velocidade de adoção do Cowork nas primeiras semanas superou o desempenho do Claude Code no mesmo período, um ano atrás.
O Cowork foi construído para os 95% das empresas que não são engenheiros, o pessoal de finanças, RH, operações e marketing que vive dentro do Excel, do Outlook e do PowerPoint. Conway seria a camada seguinte, um agente que opera mesmo quando esse pessoal está em reunião, no almoço ou dormindo.
A Anthropic não confirmou nem negou os detalhes vazados. Mas o padrão da semana é o mesmo, primeiro o código, depois o Conway. A empresa está mostrando suas cartas uma a uma, mesmo quando não planeja mostrar nada.
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