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Relatório do Fórum Econômico mostra como a cooperação global está se reinventando
Publicado 08/01/2026 • 12:15 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 08/01/2026 • 12:15 | Atualizado há 10 meses
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A cooperação global não está recuando, está mudando de forma. É o que mostra o Global Cooperation Barometer 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês), que aponta resiliência da colaboração internacional mesmo diante da crise do multilateralismo e de um cenário geopolítico mais fragmentado.
Em seu terceiro ano, o Barômetro, desenvolvido em parceria com a McKinsey & Company,utiliza 41 métricas para medir a cooperação global em cinco pilares: comércio e capital; inovação e tecnologia; clima e capital natural; saúde e bem-estar; e paz e segurança.
Segundo o relatório, embora os níveis gerais de cooperação tenham permanecido praticamente estáveis nos últimos anos, eles seguem insuficientes para enfrentar desafios críticos nas áreas econômica, ambiental e de segurança. A pressão sobre instituições multilaterais tradicionais levou países e empresas a buscar arranjos mais flexíveis e regionais.
O estudo mostra que, enquanto mecanismos multilaterais perderam força, coalizões menores e mais ágeis, muitas vezes entre países alinhados, passaram a sustentar a cooperação global. Em alguns casos, empresas privadas também assumiram papel relevante nesses novos formatos.
Entre os cinco pilares analisados pelo Barômetro, os resultados foram desiguais:
Comércio e capital: a cooperação estagnou, embora permaneça acima dos níveis de 2019. O perfil, porém, mudou: volumes de bens cresceram abaixo do ritmo da economia global e os fluxos migraram para parceiros mais alinhados. Serviços e alguns fluxos de capital ganharam tração entre economias afins, sobretudo quando reforçam capacidades domésticas. Com mais barreiras no sistema multilateral, coalizões menores avançam por iniciativas como a FIT (Future of Investment and Trade).
Inovação e tecnologia: a cooperação avançou, mesmo com controles mais rígidos. Serviços de TI e fluxos de talentos cresceram; a capacidade internacional de banda larga é hoje quatro vezes maior que no pré-pandemia. Restrições a recursos críticos, tecnologias e conhecimento aumentaram — especialmente entre EUA e China, mas novos formatos surgem em IA, 5G e tecnologias de ponta entre países alinhados.
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Siga o Times | CNBCClima e capital natural: houve crescimento, ainda aquém das metas globais. Mais financiamento e cadeias globais impulsionaram a adoção de tecnologias limpas, que atingiu recordes em meados de 2025. A China respondeu por dois terços das novas instalações de solar, eólica e veículos elétricos, enquanto outros emergentes ampliaram esforços. Diante de negociações multilaterais mais difíceis, blocos como a European Union e a ASEAN combinam descarbonização com segurança energética.
Saúde e bem-estar: a cooperação se manteve, com resultados ainda resilientes, mas a ajuda enfrenta forte pressão. Indicadores não recuaram em parte porque os desfechos de saúde seguiram melhorando após a COVID-19. Por trás da estabilidade, porém, há fragilidade: apoio a organizações multilaterais caiu e a assistência ao desenvolvimento em saúde contraiu fortemente, afetando sobretudo países de baixa e média renda.
Paz e segurança: a cooperação continuou a cair. Todos os indicadores ficaram abaixo do pré-pandemia. Conflitos se intensificaram, gastos militares subiram e mecanismos multilaterais tiveram dificuldade para desescalar crises. Ao fim de 2024, o número de deslocados forçados atingiu 123 milhões, recorde global. A pressão crescente, contudo, pode estimular novos esforços regionais, inclusive em missões de paz.

Para o Fórum Econômico Mundial, o atual ambiente global exige diálogo aberto, pragmatismo e novos modelos de cooperação. O relatório destaca que avanços mais consistentes ocorrem quando a colaboração internacional se alinha a interesses nacionais claros, especialmente em áreas estratégicas como energia, tecnologia e inovação.
A conclusão do Barômetro é que países estão reescrevendo as regras da cooperação internacional. Isso inclui novos acordos, alianças por padrões técnicos e parcerias público-privadas. Segundo o relatório, reconstruir canais de diálogo eficazes será essencial para destravar interesses comuns em um mundo mais fragmentado.
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