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Em Davos, líderes europeus reagem a ameaças de Trump sobre a Groenlândia
Publicado 20/01/2026 • 07:40 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 20/01/2026 • 07:40 | Atualizado há 10 meses
Reuters
Davos 2026 termina sob pressão geopolítica e corrida global por IA e energia
Líderes europeus tomam a palavra nesta terça-feira (20) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem chacoalhado a ordem global e agora ameaça tomar a Groenlândia.
As atenções da semana estarão voltadas para Trump na tradicional estação de esqui suíça, que sedia todos os anos um encontro dedicado ao multilateralismo – conceito que vem sendo cada vez mais desafiado.
Além da Groenlândia, outros focos de tensão na agenda do Fórum incluem as crises em Gaza, Ucrânia, Irã e Venezuela, semanas depois de os Estados Unidos terem capturado e retirado do país o agora deposto presidente Nicolás Maduro.
Leia também: Davos 2026: Brasil enfrenta o desafio de se apresentar como porto seguro
Pela América Latina, participam do encontro o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e o presidente do Equador, Daniel Noboa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, discursam nesta terça-feira, ao lado do vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney – países que também mantêm disputas com a atual administração americana.
Trump deve discursar na quarta-feira (21) e participar de outros eventos ao longo da quinta-feira (22).
Enquanto isso, a Europa estuda possíveis represálias depois que o presidente americano ameaçou impor novos aranceles a oito países europeus – entre eles Reino Unido, França e Alemanha – em meio ao impasse sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Leia também: Com temor de turbulências, incerteza domina Davos e mercado volta ao modo defensivo
Na segunda-feira (19), Trump afirmou que não acredita que líderes europeus irão “se opor demais” ao seu desejo de comprar a vasta ilha do Ártico. “Temos que conseguir isso”, declarou a jornalistas.
O presidente americano disse ainda que teve “uma conversa telefônica muito boa sobre a Groenlândia” com Mark Rutte, secretário-geral da OTAN, e que pretende se reunir em Davos com “as diferentes partes envolvidas”.
Trump argumenta que é necessário proteger a Groenlândia de possíveis ameaças da Rússia e da China. Analistas, no entanto, avaliam que o papel de Pequim na região é limitado e destacam que o principal interesse dos Estados Unidos está nas reservas de terras raras e minerais da ilha.
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Siga o Times | CNBCO secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que lidera a numerosa delegação americana em Davos, alertou que uma eventual retaliação da União Europeia “seria muito pouco sensata”.
Na segunda-feira (19), Ursula von der Leyen reuniu-se em Davos com uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos e afirmou nas redes sociais que havia “destacado a necessidade de respeitar de forma inequívoca a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca”.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que tentará se reunir com Trump na quarta-feira e afirmou que Alemanha e outros países europeus concordam que “é preciso evitar qualquer escalada dessa disputa na medida do possível”.
Já Macron, que deixará Davos nesta terça-feira (20) sem se encontrar com Trump, propôs ao presidente americano a realização de uma cúpula do G7 na quinta-feira, em Paris. O francês sugeriu convidar, à margem do encontro, representantes da Dinamarca, Ucrânia, Síria e Rússia.
As relações entre Trump e Macron se deterioraram ainda mais na segunda-feira, quando o presidente dos EUA ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após a França sinalizar que não participaria do chamado “Conselho da Paz” proposto por Trump.
Analistas comparam o conselho, criado para resolver conflitos internacionais, a uma espécie de versão paga do Conselho de Segurança da ONU. Trump confirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está entre os líderes convidados.
Os líderes da União Europeia devem se reunir na quinta-feira, em Bruxelas, para decidir como responder à crise envolvendo a Groenlândia – considerada uma das mais graves para as relações transatlânticas nos últimos anos.
Em entrevista coletiva em Davos, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou que ameaças de tarifas entre aliados são “inaceitáveis”, pois “enfraquecem a relação transatlântica” e podem gerar um ciclo de retaliações.
Questionado sobre a possibilidade de Trump usar força militar, Stubb respondeu que “não acredita que os Estados Unidos tomariam o controle da Groenlândia por via militar”.
A Dinamarca, por sua vez, propôs que a OTAN inicie operações de vigilância na Groenlândia.
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