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Em visita aos EUA, Xi pode explorar fragilidade de Trump e pressionar por concessões
Publicado 23/09/2026 • 20:15 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 23/09/2026 • 20:15 | Atualizado há 55 minutos
KEY POINTS
Xi Jinping pode aproveitar a posição política mais frágil de Donald Trump para tentar extrair concessões dos Estados Unidos, especialmente em temas estratégicos como Taiwan. A avaliação é de Carlos Gustavo Poggio, doutor em Relações Internacionais e especialista em Política dos EUA, ao analisar o encontro entre os dois líderes durante a visita do presidente chinês a Washington.
Em entrevista nesta quarta-feira (23) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Poggio destacou como sinal incomum a decisão de Trump de receber pessoalmente Xi no aeroporto. Segundo ele, o gesto representa uma deferência significativa ao presidente chinês, especialmente porque Xi não fez o mesmo quando Trump esteve na China.
“O fato de Donald Trump ir pessoalmente receber o Xi Jinping no aeroporto é algo raríssimo de acontecer. Se não me engano, o único outro líder que ele recebeu no aeroporto foi quando ele encontrou o Vladimir Putin no Alasca”, disse Poggio.
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O especialista chamou atenção ainda para o contraste entre o tratamento dispensado a Xi e acusações recentes feitas por Trump contra a China, inclusive de interferência nas eleições norte-americanas. Para Poggio, a aparente contradição também deve ser analisada a partir da postura pessoal do presidente dos Estados Unidos diante de líderes de regimes autoritários.
Na avaliação de Poggio, uma das principais diferenças entre os dois presidentes está no tempo político com que cada um trabalha. Enquanto Trump está na segunda metade de seu mandato e busca resultados capazes de produzir impacto imediato, Xi Jinping opera com uma perspectiva de longo prazo.
“Donald Trump é alguém que gosta muito de obter vitórias no curto prazo. Ele gosta de obter algum tipo de vitória, algum tipo de acordo para poder anunciar nas redes sociais”, explicou. Segundo Poggio, mesmo entendimentos de alcance limitado podem ser apresentados pelo presidente norte-americano como grandes conquistas.
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Já Xi Jinping teria condições de negociar sem a mesma pressão por resultados imediatos, o que, na leitura do especialista, fortalece sua posição diante de um presidente americano que enfrenta dificuldades políticas domésticas e ainda precisa lidar com a guerra envolvendo o Irã.
“O Xi Jinping vai poder extrair do Donald Trump, aproveitando justamente que ele se encontra numa posição de fragilidade, em meio à guerra do Irã, impopular domesticamente, enfrentando uma eleição de meio de mandato, o máximo de concessões”, avaliou Poggio.
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Siga o Times | CNBCApesar da importância diplomática da reunião, Poggio demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de o encontro produzir acordos de grande alcance. Ele lembrou que, tradicionalmente, reuniões entre chefes de Estado encerram processos de negociação conduzidos previamente pelas equipes diplomáticas.
Trump, porém, tenderia a inverter essa lógica ao apostar no encontro pessoal como instrumento de negociação e projeção política. Na análise de Poggio, a cerimônia preparada para Xi e a atenção internacional em torno da reunião também têm importância para o presidente americano.
“Ele é alguém muito preocupado com a questão da imagem, a razão pela qual ele está fazendo toda essa pompa e circunstância”, observou. Poggio acrescentou que manter um canal aberto entre os líderes das duas maiores potências é relevante, mas não acredita que a reunião, isoladamente, seja capaz de destravar questões de grande dimensão.
Entre os temas capazes de ganhar peso nas conversas, Taiwan aparece como uma das questões mais sensíveis. Poggio avalia que Xi deve aproveitar o encontro em Washington para pressionar Trump por uma sinalização favorável à posição chinesa, justamente porque uma declaração presidencial americana pode produzir efeitos políticos e simbólicos.
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O especialista lembrou que os Estados Unidos mantêm em relação a Taiwan uma política conhecida como “ambiguidade estratégica”, sem um acordo formal de defesa com a ilha, ao mesmo tempo em que adotam a política de uma só China.
“Me parece que o Xi Jinping deve aproveitar esse encontro para deixar isso claro para o Donald Trump”, ressaltou Poggio. Para ele, uma declaração do presidente americano sobre Taiwan poderia ter mais valor para Pequim do que compromissos que dependam de negociações prolongadas ou da atuação do Congresso dos Estados Unidos.
Na avaliação do especialista, o encontro durante a passagem de Xi por Washington pode, portanto, funcionar como uma oportunidade para a China explorar a diferença entre os horizontes políticos dos dois líderes. Enquanto Xi trabalha com uma perspectiva de longo prazo, Trump está na segunda metade de seu último mandato e enfrenta pressões políticas internas.
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