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EUA retomam bloqueio naval a portos do Irã nesta terça-feira e ameaçam uso da força contra embarcações

Publicado 13/07/2026 • 21:27 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Bloqueio será aplicado a navios de qualquer bandeira que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras do Irã.
  • Embarcações que descumprirem ordens poderão ser interceptadas, desviadas de rota, apreendidas ou atingidas pelas forças americanas.
  • Cargas humanitárias poderão chegar ao país após autorização e inspeção da Marinha dos Estados Unidos.
Trump

AFP

As Forças Armadas dos Estados Unidos vão retomar nesta terça-feira (14) o bloqueio naval aos portos e às áreas costeiras do Irã, em uma nova escalada das tensões entre Washington e Teerã no Estreito de Ormuz.

A operação deve começar às 17h (horário de Brasília), segundo comunicados do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) e do Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC).

O bloqueio será aplicado a todas as embarcações, independentemente da bandeira, que tenham como origem ou destino portos, terminais de petróleo e outras áreas da costa iraniana. Navios neutros que estejam dentro da região bloqueada foram orientados a deixá-la antes do início da operação.

Navios poderão ser interceptados e apreendidos

O aviso do JMIC afirma que qualquer embarcação suspeita de entrar ou sair da área sem autorização poderá ser interceptada, desviada de rota e apreendida.

Segundo o documento, navios que não cumprirem imediatamente as determinações das forças americanas poderão ser alvo de disparos para desabilitar ou destruir a embarcação. O centro recomendou que os comandantes priorizem a segurança das tripulações e mantenham contato pelo canal marítimo de emergência.

As embarcações que permanecerem na região também foram orientadas a manter distância mínima de 30 milhas náuticas, cerca de 55 quilômetros, das unidades militares americanas para reduzir o risco de serem identificadas como uma ameaça.

A área considerada de risco inclui o Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e o norte do Mar Arábico. O JMIC manteve a classificação de ameaça marítima regional no nível “severo” e alertou para a possibilidade de novas ações hostis.

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Trânsito para outros países seguirá permitido

O bloqueio não deverá impedir a passagem pelo Estreito de Ormuz de navios que tenham como origem ou destino países diferentes do Irã.

No entanto, essas embarcações poderão ser paradas e revistadas para que as forças americanas verifiquem a carga e confirmem que não pretendem atracar em território iraniano.

Navios suspeitos de transportar produtos considerados utilizáveis no conflito também poderão ser abordados, revistados e apreendidos, mesmo fora da costa do Irã.
O documento também alerta que transferências de carga entre navios poderão ser interpretadas como uma tentativa de contornar o bloqueio. Embarcações envolvidas nessas operações ficarão sujeitas a abordagem.

Alimentos e remédios terão exceção

Cargas de alimentos, medicamentos e outros produtos considerados essenciais à sobrevivência da população civil poderão receber autorização para atravessar o bloqueio.

Os responsáveis pela embarcação terão de enviar previamente à Marinha americana informações como nome e bandeira do navio, localização, portos de origem e destino, descrição da carga e conhecimento de embarque.

Mesmo depois da autorização, os navios vão continuar sujeitos a abordagem e inspeção. A permissão também não autorizará a embarcação a retirar mercadorias de portos iranianos, além de combustível e provisões necessárias para a viagem de retorno.

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Trump anuncia cobrança de 20%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que Washington pretende cobrar o equivalente a 20% do valor das cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz para custear a segurança da navegação.

Trump declarou que os Estados Unidos passarão a atuar como “guardiões” da passagem marítima e serão reembolsados pelas despesas militares envolvidas na operação.

Os comunicados operacionais divulgados pelo Centcom e pelo JMIC não detalham como essa cobrança seria realizada, a quais embarcações seria aplicada ou qual seria a base jurídica.

Bloqueio anterior durou dois meses

Os Estados Unidos já haviam mantido um bloqueio semelhante entre 13 de abril e 18 de junho deste ano.

Segundo o Centcom, durante os dois meses da operação, mais de 140 embarcações que cumpriram as determinações foram desviadas. Outras nove, classificadas como não cooperativas, foram desabilitadas pelas forças americanas.

Mais de 50 navios comerciais que transportavam ajuda humanitária receberam autorização para atravessar a área bloqueada no período.

A retomada ocorre após o fim do entendimento provisório assinado por Estados Unidos e Irã em 17 de junho, com mediação de Paquistão e Catar. O acordo previa um cessar-fogo e estabelecia um prazo de 60 dias para a negociação de um compromisso mais amplo. As hostilidades foram retomadas em 7 de julho, quando o Centcom atribuiu ao Irã ataques contra três petroleiros no Estreito de Ormuz e respondeu com bombardeios contra mais de 80 alvos militares iranianos.

Leia também: EUA iniciam a terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã

Ormuz é rota central para petróleo e gás

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é considerado a passagem marítima mais importante para o comércio mundial de petróleo.

Em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passaram diariamente pela rota, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial e a mais de um quarto do comércio marítimo global do produto.

A passagem também concentrou cerca de um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito, principalmente por causa das exportações do Catar.

As rotas alternativas têm capacidade limitada. Apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos operacionais capazes de desviar parte relevante das exportações sem atravessar Ormuz, segundo a Agência Internacional de Energia.

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