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Inflação mais persistente nos EUA reduz espaço para cortes de juros e pressiona mercados globais, diz estrategista
Publicado 18/03/2026 • 23:09 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/03/2026 • 23:09 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A sinalização de inflação mais persistente nos Estados Unidos e o aumento das incertezas globais tendem a reduzir o espaço para cortes de juros e pressionar os mercados, avalia o estrategista-chefe da Avenue, Will Castro Alves. A leitura ocorre após o Federal Reserve (Fed) manter os juros inalterados nesta quarta-feira (18), decisão já amplamente esperada.
Segundo Alves, embora o resultado da reunião não tenha surpreendido, o conteúdo das projeções econômicas trouxe um sinal mais relevante para os investidores. “Quando você olha as projeções, está muito evidente que os dirigentes veem mais inflação, inclusive no núcleo, para 2026. Isso mostra uma inflação mais resiliente do que se imaginava”, afirmou, em entrevista nesta quarta-feira (18) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Na avaliação do estrategista, esse cenário reduz as expectativas de cortes mais agressivos na taxa de juros americana. “O cenário de inflação mais alta praticamente elimina apostas mais fortes de queda de juros, e isso ajuda a explicar a piora dos mercados”, disse.
Outro fator central é o impacto do conflito no Oriente Médio, que amplia a incerteza sobre o comportamento da inflação. “O Fed reconhece que existe um risco importante, que é o conflito no Irã. Ele adiciona incerteza, especialmente sobre o preço do petróleo. Nesse cenário, o melhor é não fazer nada agora”, explicou.
Leia também: Ibovespa recua 0,21% com Fed no radar e expectativa pelo Copom
Alves destaca que a duração da guerra será determinante para os efeitos econômicos. “Se for algo mais curto, o impacto pode ser temporário. Mas, se afetar a capacidade de produção do Irã, pode pressionar os preços por mais tempo e mudar o cenário de inflação”, afirmou.
Para ele, o ambiente atual reforça a recorrência de choques de oferta. “A inflação que seria transitória deixa de ser, porque novos choques vão surgindo e sustentando os preços em níveis mais altos”, disse.
No Brasil, o cenário externo ocorre em meio à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a Selic, e à atuação do Tesouro Nacional, que recomprou R$ 3,6 bilhões em títulos públicos para conter a alta dos juros futuros.
Leia também: Fed mantém mediana das projeções para juros dos EUA em 2026, 2027 e 2028; estimativas para inflação aumentam
Mesmo assim, Alves avalia que a decisão do Fed não altera de forma relevante o caminho do Banco Central brasileiro. “Não deveria mudar o que o Copom vai fazer, porque não houve surpresa relevante. Mas o mercado já vem ajustando para um corte menor, próximo de 0,25 ponto percentual”, disse.
Embora veja espaço para uma redução mais intensa da Selic, o estrategista pondera que a autoridade monetária deve agir com cautela. “Um corte mais agressivo poderia gerar questionamentos e comprometer a credibilidade que o Banco Central vem construindo”, afirmou.
Alves também destacou que o Fed tem evitado classificar o cenário atual como estagflação. “Powell deixou claro que não estamos em um ambiente como o dos anos 70. Hoje, são ajustes marginais, não um colapso econômico”, disse.
Segundo ele, diante desse contexto, a prioridade da autoridade monetária americana voltou a ser o controle da inflação. “A ênfase agora está nos preços, mesmo com sinais mistos no mercado de trabalho”, concluiu.
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