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Mercado teve recordes desde a eleição de Trump; resultados aconteceram apesar das incertezas da política tarifária
Publicado 17/05/2026 • 21:30 | Atualizado há 24 minutos
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Publicado 17/05/2026 • 21:30 | Atualizado há 24 minutos
KEY POINTS
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Uma foto do Charging Bull, o touro de Wall Street é o maior símbolo de poder da Bolsa de Valores de Nova York
Donald Trump consolidou sua imagem como um presidente profundamente ligado ao desempenho do mercado financeiro, capaz tanto de impulsionar máximas históricas quanto de desencadear fortes turbulências em Wall Street.
Nos primeiros meses de seu segundo mandato, o S&P 500 sofreu uma das quedas mais rápidas rumo ao território de correção desde a Segunda Guerra Mundial, em meio às incertezas geradas por sua política tarifária. Poucas semanas depois, o índice quase entrou oficialmente em bear market após o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação”. No mercado, uma correção representa queda entre 10% e 20% em relação ao pico recente, enquanto o bear market ocorre quando as perdas ultrapassam 20%.
Ao mesmo tempo, porém, o mercado americano também tem mostrado uma capacidade incomum de recuperação sob Trump.
Segundo a CFRA Research, os dois recuos entre 5% e 9,9% registrados desde o começo de 2025 foram revertidos em menos tempo do que a média histórica de 34 dias. O desempenho marca o ritmo de recuperação mais rápido registrado sob qualquer presidente americano desde Ronald Reagan, em 1981.
“O mercado de alta sobe degrau por degrau, enquanto os mercados de baixa despencam de elevador”, afirmou Sam Stovall, estrategista-chefe da CFRA Research. “No Trump 2.0, vemos uma combinação de volatilidade relativamente menor com recuperações mais rápidas após movimentos bruscos de venda.”
A recuperação mais recente foi particularmente impressionante. O S&P 500 conseguiu apagar uma queda de 9,1% em apenas 16 dias corridos, um dos retornos mais rápidos desde a Segunda Guerra Mundial, empatando como o nono mais veloz já registrado.
Segundo Stovall, o principal combustível para esse otimismo continua sendo o crescimento dos lucros corporativos.
Dados da FactSet mostram que os lucros das empresas do S&P 500 avançaram mais de 20% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, perto do maior crescimento desde o fim de 2021.
Esse ambiente de resultados fortes, somado ao entusiasmo em torno da inteligência artificial em Wall Street, ajudou a sustentar a recente recuperação das ações. Mas o movimento ganhou força inicialmente pela expectativa de um possível fim da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.
No mês passado, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo, reduzindo temores de uma escalada nos preços do petróleo. Ainda assim, a trégua passou a ser vista como frágil após Trump afirmar nesta semana que o acordo estava “por aparelhos”.
“As manchetes passaram a valer mais do que os gráficos”, afirmou Ryan Detrick, estrategista-chefe da Carson Group. “Vivemos um mercado completamente guiado pelo noticiário, e os investidores tiveram simplesmente de apertar os cintos e acompanhar essa montanha-russa.”
Para Detrick, o mercado global de ações ainda vive um ciclo de alta e talvez esteja apenas em sua fase inicial. A estratégia mais adequada, na visão dele, continua sendo aproveitar quedas para comprar ações.
“Nunca vimos um mercado tão obcecado pelas notícias que saem diariamente da Casa Branca”, disse. “Sob Trump, a volatilidade virou parte permanente do jogo.”
Essa dinâmica também reflete uma mudança geracional em Wall Street. Muitos investidores, especialmente os que começaram a operar após a crise financeira global, passaram a encarar grandes quedas como oportunidades de compra.
“O medo de ficar de fora é muito real para investidores institucionais”, afirmou Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers.
Segundo ele, quem vendeu ações após o anúncio das tarifas de Trump no ano passado e demorou a recomprar os papéis acabou tendo desempenho inferior ao de quem permaneceu investido. Isso criou uma resistência maior das instituições em desmontar posições de forma agressiva.
“Talvez o mercado esteja confiando demais nas sinalizações positivas vindas do governo”, afirmou Sosnick à CNBC.
A influência de Trump sobre os mercados se tornou tão intensa que, segundo a Fundstrat, ele esteve diretamente ligado aos cinco melhores e aos cinco piores pregões do S&P 500 desde sua volta ao poder.
O melhor dia do índice ocorreu em 9 de abril de 2025, quando o S&P 500 disparou mais de 9% após Trump suspender parte de suas tarifas globais. Já o pior pregão aconteceu poucos dias antes, em 4 de abril, quando a China respondeu às medidas americanas impondo novas tarifas sobre produtos dos EUA.
De acordo com a Fundstrat, nenhum presidente americano em quase 50 anos exerceu tamanho impacto sobre os movimentos extremos do mercado financeiro. Sem os cinco pregões positivos impulsionados por Trump, o S&P 500 teria avançado apenas 1% desde sua posse, em vez dos atuais 23,5%.
“Nenhum outro presidente teve tamanho controle sobre os ganhos e perdas do mercado acionário”, afirmou Hardika Singh, estrategista econômica da Fundstrat Global Advisors.
“A única estratégia que os investidores precisam seguir é não enfrentar a Casa Branca, porque você vai perder dinheiro”, disse ela. “O antigo manual de investimentos já não serve mais.”
O estilo de comunicação de Trump, marcado por postagens frequentes e instantâneas nas redes sociais, também ampliou os movimentos bruscos do mercado e pode redefinir a relação entre futuros presidentes e Wall Street, segundo Matt Gertken, estrategista geopolítico-chefe da BCA Research.
“As redes sociais passaram a comandar o jogo”, afirmou Gertken. “Mesmo um presidente que tente manter uma comunicação mais previsível talvez acabe precisando adotar parte do estilo de Trump.”
Na avaliação dele, independentemente de quem esteja no poder no futuro, a volatilidade veio para ficar. Se os próximos presidentes forem mais silenciosos, o mercado oscilará alimentado por especulações. Se seguirem o modelo hiperativo de Trump, as reações continuarão acontecendo em tempo real, a cada nova declaração.
“Não existe mais caminho de volta”, concluiu.
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