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Petróleo registra queda de quase 9% com eleições nos EUA e cenário no Oriente Médio
Publicado 04/11/2026 • 17:48 | Atualizado há 53 minutos
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Publicado 04/11/2026 • 17:48 | Atualizado há 53 minutos
KEY POINTS
Foto: Divulgação / U.S. Navy
Embarcações da Marinha e da Guarda Costeira dos Estados Unidos atravessam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo do mundo
Os preços internacionais do petróleo encerraram a sessão desta quarta-feira (4) com perdas expressivas. A movimentação do mercado foi influenciada pela repercussão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e pela avaliação de que o resultado pode reduzir as possibilidades de agravamento do conflito envolvendo Washington e Irã.
Na Bolsa de Londres, o contrato futuro do Brent para janeiro terminou o dia com desvalorização de 8,66%, equivalente a US$ 8,98, sendo negociado a US$ 94,62 por barril. Durante a sessão, a commodity chegou a acumular queda de aproximadamente 10%.
Já o petróleo WTI, referência no mercado americano, com vencimento em dezembro, recuou 8,29%, ou US$ 7,97, encerrando a US$ 88,12 por barril na Bolsa de Nova York (Nymex).
A pressão sobre as cotações começou ainda nas primeiras horas do pregão, quando investidores passaram a incorporar os resultados eleitorais americanos às suas avaliações sobre o cenário geopolítico. Ao longo do dia, as perdas aumentaram e o Brent voltou a ficar abaixo da marca de US$ 100.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato trouxe novas perspectivas para a condução da política externa americana. O resultado pode ampliar a fiscalização do Congresso sobre as decisões do governo Donald Trump, especialmente em relação às operações militares no Oriente Médio.
Nesta quarta-feira, Trump e o vice-presidente JD Vance reconheceram que as derrotas republicanas tiveram relação com o desgaste provocado pela guerra contra o Irã. Na avaliação do Swissquote Bank, a nova composição do Legislativo poderá aumentar a pressão sobre a Casa Branca a partir de janeiro, quando os parlamentares eleitos assumirão seus cargos.
Entre as possibilidades estão questionamentos sobre os gastos militares e cobranças por uma solução diplomática para o conflito. Esse cenário contribuiu para reduzir parte dos temores do mercado em relação a uma nova escalada militar.
Os analistas do banco também destacaram que negociações consideradas confiáveis entre Washington e Teerã, acompanhadas de melhores condições de navegação pelo Estreito de Ormuz, poderiam favorecer uma queda mais duradoura nos preços do petróleo.
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Siga o Times | CNBCLeia mais: Estoques de petróleo nos EUA caem em 865 mil barris, aponta DoE
Apesar da reação negativa das cotações, as perspectivas para o conflito continuam dividindo especialistas do mercado financeiro. O Rabobank demonstrou cautela em relação à possibilidade de um entendimento entre Estados Unidos e Irã. Para a instituição, as diferenças entre os dois governos dificultam uma negociação e mantêm aberta a possibilidade de aumento das tensões nas próximas semanas.
A consultoria Kpler, por sua vez, avalia que eventuais mudanças na política americana não devem produzir efeitos imediatos. Isso porque o governo Trump ainda terá aproximadamente dois meses para conduzir iniciativas de política externa sob a atual composição do Congresso.
Dessa forma, embora o resultado eleitoral tenha alterado as expectativas dos investidores, os desdobramentos concretos dependerão das decisões adotadas por Washington e Teerã.
O governo iraniano também comentou o desempenho eleitoral nos Estados Unidos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou o resultado como uma mensagem clara enviada pelos eleitores americanos.
Baghaei advertiu que Washington poderá enfrentar consequências caso ignore o recado das urnas. Enquanto isso, a Rússia manifestou expectativa de que os Estados Unidos mantenham os esforços para encontrar uma solução para o conflito envolvendo Moscou e Ucrânia.
Além dos acontecimentos políticos e das tensões internacionais, os investidores acompanharam os dados sobre os estoques de petróleo nos Estados Unidos.O Departamento de Energia americano (DoE) informou, nesta quarta-feira, uma redução nas reservas da commodity superior à esperada pelo mercado.
A diminuição dos estoques costuma ser acompanhada de perto pelos operadores, pois oferece indicações sobre a oferta e a demanda no maior consumidor mundial de petróleo.
Mesmo com esse fator, a preocupação com os possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as novas perspectivas políticas em Washington prevaleceram no comportamento dos preços durante a sessão.
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