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NYT: Trump transforma Justiça em arma de retaliação pessoal e ataca a imprensa
Publicado 18/01/2026 • 11:45 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 18/01/2026 • 11:45 | Atualizado há 10 meses
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Wikimedia Commons
Em um editorial recém-publicado, o jornal The New York Times afirma que o presidente Donald Trump está enfraquecendo o Estado de Direito ao transformar o Departamento de Justiça em um instrumento de vingança política durante este seu segundo mandato. De acordo com o texto, essa postura tornou-se ainda mais evidente com a proximidade de 20 de janeiro, data que marca o primeiro aniversário de seu retorno à Casa Branca.
O periódico argumenta que o mandatário passou a tratar as estruturas do departamento como uma extensão de seus desejos pessoais, mencionando episódios como a abertura do que descreveu como uma “investigação criminal forjada” contra o presidente do Federal Reserve, além de medidas hostis direcionadas à imprensa e a implementação de uma unidade de combate a fraudes operada sob a supervisão direta da Presidência.
Ao descrever a relação do mandatário com o sistema de aplicação da lei, o The New York Times sustenta que Trump não apenas admite o uso político dessa estrutura, como o faz de maneira deliberada. Segundo o jornal, o presidente não demonstra interesse em ocultar o emprego de seus poderes de execução legal para fins de vingança, chegando a demonstrar glória em tal postura. O editorial menciona ainda uma reportagem do Wall Street Journal, a qual indica que Trump teria cobrado pessoalmente promotores federais para que agissem com maior celeridade na punição de adversários e críticos.
A publicação ressalta que essas ações produzem efeitos diretos sobre as instituições e a economia nacional. No entendimento do jornal, a pressão exercida sobre o Federal Reserve compromete a autonomia da autoridade monetária e abala a confiança econômica. Nesse contexto, o editorial recorda que, no último domingo, o presidente do Fed, Jerome Powell, comunicou ter sido alvo de intimações em uma investigação criminal sobre os custos de reformas na sede da instituição — procedimento que Powell classificou como infundado. Para o periódico, o episódio representa um sinal claro de intimidação, afirmando que o ataque a Powell serve para recordar a seu sucessor que a independência institucional possui um custo.
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Siga o Times | CNBCO editorial aborda ainda as repercussões sobre a liberdade de imprensa, mencionando a operação de busca realizada na residência da repórter Hannah Natanson e o confisco de seu telefone celular no âmbito de uma investigação sobre vazamento de informações. Segundo o periódico, tal medida representa um rompimento com práticas tradicionais e tem o potencial de intimidar o exercício do jornalismo crítico.
Outro acontecimento ressaltado pela publicação é a morte de Renee Good, atingida por disparos efetuados por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega durante uma manifestação em Minneapolis, ocorrida em 7 de janeiro. O jornal afirma que houve obstrução ao socorro médico imediato e que o presidente propagou uma versão enganosa sobre o incidente. Além disso, o texto aponta que foram impostas restrições à atuação de investigadores estaduais e que, posteriormente, uma investigação foi aberta contra a própria vítima devido ao seu ativismo político.
Na avaliação do jornal, esses episódios provocaram uma erosão generalizada na credibilidade do Departamento de Justiça. O editorial relata que mais de 200 advogados de carreira foram exonerados e outros milhares se desligaram do órgão, configurando um ambiente descrito por uma ex-integrante como a transformação da pasta no “escritório de advocacia pessoal de Trump”.
Ao analisar o panorama institucional, o periódico alerta que, um ano após o início do segundo mandato, os Estados Unidos enfrentam o risco de abdicar de um pilar fundamental de sua democracia: a garantia de que o país é regido por leis, e não pela vontade de um único homem.
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