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Petróleo acima de US$ 80 reacende temor de inflação global e amplia incerteza sobre energia
Publicado 15/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 15/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 50 minutos
A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo, elevando o barril para mais de US$ 80 e ampliando as incertezas sobre inflação, custo da energia e crescimento econômico. A leitura é de Adriano Pires, economista e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Para o executivo, o cenário permanece altamente volátil e sem direção clara, refletindo tanto os desdobramentos do conflito quanto a imprevisibilidade das decisões políticas envolvendo Washington e Teerã.
Segundo o especialista, o mercado tem reagido de forma imediata a cada nova sinalização do presidente Donald Trump. Ele cita a proposta de cobrar uma taxa de 20% sobre as embarcações que atravessassem o Estreito de Ormuz, medida posteriormente descartada, mas que chegou a impulsionar temporariamente as cotações do petróleo.
“O mercado está muito confuso. O presidente Trump dorme de um jeito e acorda de outro. Quando falou na cobrança de 20%, o petróleo quase voltou para US$ 90. Depois recuou quando retirou a proposta”, exemplifica.
Além das tensões geopolíticas, Adriano Pires destaca que a redução dos estoques estratégicos de petróleo e derivados em diferentes países também contribui para sustentar os preços em patamares elevados. Ele afirma que Europa, China e outras economias consumiram parte das reservas formadas durante os períodos mais críticos do conflito, reduzindo a margem de proteção do mercado.
Outro fator de pressão vem do diesel. O economista afirma que a interrupção das exportações russas, após ataques a refinarias no país, tende a restringir a oferta internacional e elevar ainda mais os preços do combustível nas próximas semanas.
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Siga o Times | CNBCPara o especialista, o cenário representa um desafio adicional para os Estados Unidos. Embora o conflito pressione o mercado de energia, preços elevados dos combustíveis podem ampliar a inflação e afetar o ambiente econômico às vésperas das eleições americanas.
“Nos Estados Unidos você não controla preço. O Trump não tem a Petrobras para poder controlar o preço da gasolina na refinaria. Lá é mercado”, diz.
Na avaliação de Adriano Pires, o Estreito de Ormuz permanece como principal ponto de atenção do mercado global. Pela região passam aproximadamente um quarto do petróleo comercializado internacionalmente, além de gás natural e fertilizantes, tornando qualquer instabilidade um fator de pressão não apenas para o setor energético, mas também para os custos de produção agrícola.
Segundo ele, esse cenário tende a manter a inflação pressionada em diferentes países, inclusive no Brasil, que além da questão com os combustíveis, pode sofrer impactos por meio da alta dos fertilizantes, causada pela dependência das importações de produtos utilizados pelo agronegócio.
Apesar desse ambiente de incerteza, Adriano Pires avalia positivamente a decisão do governo brasileiro de elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. Segundo ele, a medida reduz a necessidade de importação de gasolina, amplia o uso de biocombustíveis e fortalece o setor sucroenergético.
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