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Tarifas do Trump

Mais de 4 mil produtos brasileiros podem enfrentar tarifaço de até 37,5% nos EUA

Publicado 15/07/2026 • 06:43 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Agência de Representação Comercial dos EUA (USTR) acusou o Brasil de realizar práticas que prejudicam empresas norte-americanas no país.
  • Setor de metalurgia será o mais impactado pelo novo tarifaço norte-americano, seguido do agroindustrial.
  • CNI aponta que preços de produtos nos Estados Unidos vão subir caso a sobretaxa entre em vigor.
Tarifaço

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Termina nesta quarta-feira, 15, o prazo para os Estados Unidos definirem se novas tarifas sobre produtos brasileiros entrarão ou não em vigor. As novas taxas podem atingir até 37,5% caso Washington aprove as duas propostas de sobretaxas em discussão bilateral, de 25% e de 12,5%. Segundo projeções detalhadas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um total de 4.187 produtos brasileiros poderá enfrentar a tarifa máxima.

A escalada protecionista está ancorada na aplicação da Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O processo, originalmente instaurado em julho de 2025 para analisar práticas comerciais brasileiras, avançou em junho deste ano, quando a Agência de Representação Comercial dos EUA (USTR) acusou o Brasil de realizar práticas que prejudicam empresas norte-americanas no país. Paralelamente, uma segunda investigação sobre trabalho forçado ameaça somar uma barreira extra de impostos, de 12,5%.

Leia também: Às vésperas de decidir sobre tarifaço, EUA podem ampliar exceções à sobretaxa de 25% contra o Brasil

Setores e Produtos Mais Impactados

Os dados de importação do Brasil para os Estados Unidos de 2024, coletados pela CNI, dão a dimensão financeira e a relevância das categorias sob o risco do “tarifaço”:

  • Metalurgia (Ferro-Gusa): é o segmento no topo da lista de exposição. O principal produto brasileiro impactado individualmente é o ferro-gusa não ligado, cujas exportações para os EUA somaram US$ 1,53 bilhão em 2024 (representando 14,17% de todas as exportações afetadas do país).
  • Alimentos: o setor agroindustrial de alimentos também enfrenta ameaças maciças. O açúcar de cana em forma sólida bruta lidera a categoria com US$ 439,59 milhões exportados (4,05% de peso), seguido de perto pelo sebo não comestível (US$ 345,88 milhões) e pelo álcool etílico não desnaturado (US$ 194,05 milhões).
  • Madeira: a categoria será altamente penalizada, com destaque para as molduras de madeira de pinho (US$ 186,17 milhões), molduras de pinho com juntas (US$ 164,34 milhões) e compensados de pinus (US$ 149,13 milhões).
  • Químicos e Outros: Produtos químicos como as peptonas e seus derivados (US$ 152,03 milhões) e o hidróxido de alumínio (US$ 119,38 milhões) figuram entre as dez principais exportações sob ameaça de sobretaxa.

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Impacto nos EUA

A forte dependência norte-americana em relação a esses insumos é o argumento central que a CNI e as associações industriais têm defendido em Washington. Entre as 13 principais mercadorias da lista de sobretaxa, o Brasil é o fornecedor líder do mercado dos EUA em 11 delas.

“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, afirmou Ricardo Alban, Presidente da CNI.

A participação de mercado do Brasil nesses produtos atinge patamares em que fornecedores alternativos a curto prazo são praticamente inexistentes para a indústria norte-americana:

  • Compensado de pinus: o Brasil detém 99,6% das importações dos EUA;
  • Ferro-gusa não ligado: o Brasil fornece 73,3% do total importado pelos EUA;
  • Álcool etílico não desnaturado: o país responde por 72,3% do mercado norte-americano;
  • Tabaco curado por fumaça: a fatia de mercado brasileira é de 72,0%.

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