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Publicado 11/05/2026 • 16:53 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
Foto: Canva
Solução para dívida dos EUA pode deixar milhões sem trabalho, diz estudo
A inteligência artificial pode ajudar os Estados Unidos a reduzir sua dívida pública de US$ 39 trilhões, mas o impacto social, como a falta de trabalho, pode ser profundo.
Um estudo divulgado pelo Yale Budget Lab afirma que os ganhos de produtividade gerados pela IA têm potencial para desacelerar o crescimento da dívida americana nas próximas décadas.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertam que esse cenário dependeria de cortes nos gastos destinados a trabalhadores afetados pela automação.
O relatório foi publicado em meio à corrida bilionária das grandes empresas de tecnologia para expandir a infraestrutura de inteligência artificial.
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A análise avalia como o aumento da produtividade poderia alterar as contas públicas americanas em um momento em que o governo enfrenta despesas crescentes com juros da dívida.
Os pesquisadores destacaram que a adoção moderada da inteligência artificial poderia elevar o crescimento anual da produtividade do trabalho para 2,5% entre 2025 e 2030.
Com mais produtividade, a economia tende a crescer mais rápido, aumentando a arrecadação de impostos e reduzindo a pressão da dívida em relação ao Produto Interno Bruto.
A dívida americana atingiu recentemente o equivalente a 100% do PIB. Hoje, os Estados Unidos desembolsam cerca de US$ 88 bilhões por mês apenas para pagar juros, valor próximo da soma dos gastos federais com defesa e educação.
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O estudo afirma que os ganhos provocados pela I.A poderiam desacelerar a escalada da dívida e até reduzir sua proporção na economia ao longo do tempo.
No entanto, os pesquisadores ressaltam que isso não seria suficiente para estabilizar totalmente as contas públicas caso o governo amplie programas de assistência social para trabalhadores substituídos pela tecnologia.
O relatório simulou diferentes cenários para medir o impacto dos custos sociais da automação. Em uma hipótese mais ampla, o governo destinaria aos trabalhadores desempregados valores equivalentes aos gastos atuais com aposentados americanos, cerca de US$ 42,4 mil por pessoa.
Em outro cenário, o suporte seria semelhante ao custo médio anual destinado a desempregados, aproximadamente US$ 5,5 mil.
Mesmo com os ganhos econômicos da inteligência artificial, os dois modelos aumentariam as despesas federais e impediriam que a dívida permanecesse estável nos níveis atuais.
O estudo aponta ainda um efeito considerado contraditório. Historicamente, períodos de crescimento acelerado da produtividade costumam elevar as taxas de juros.
Isso ocorre porque uma economia mais forte tende a pressionar o mercado financeiro e aumentar o custo dos empréstimos.
Na prática, juros maiores encarecem o pagamento da dívida pública e reduzem parte dos benefícios fiscais criados pela expansão econômica. Outro ponto levantado pelos pesquisadores envolve a arrecadação de impostos.
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Com a substituição gradual de trabalhadores por sistemas automatizados, parte da renda deixaria de vir do trabalho humano e passaria a ser gerada por capital e tecnologia, que normalmente recebem tributação menor nos Estados Unidos. Esse movimento poderia diminuir a receita federal no longo prazo.
O impacto real da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho ainda divide especialistas e executivos do setor.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, chegou a afirmar anteriormente que a IA poderia eliminar metade das vagas de entrada em escritórios. Mais recentemente, ele passou a defender que a tecnologia também pode criar novas funções e transformar profissões existentes.
Já empresários como Elon Musk têm defendido que os ganhos de produtividade da inteligência artificial podem ajudar a enfrentar a crise fiscal americana.
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O relatório, porém, faz um alerta semelhante ao de outras revoluções econômicas do passado. Para os pesquisadores, avanços tecnológicos costumam gerar crescimento, mas também produzem custos sociais elevados quando governos não conseguem administrar as mudanças no mercado de trabalho.
Segundo Martha Gimbel, a experiência da Revolução Industrial no trabalho mostra que grandes saltos de produtividade não acontecem sem consequências para milhões de trabalhadores.
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