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Surto de hantavírus em cruzeiro leva Espanha a montar esquema de isolamento nas Ilhas Canárias
Publicado 09/05/2026 • 13:20 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 09/05/2026 • 13:20 | Atualizado há 5 dias
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Misper Apawu / AP / Estadão Conteúdo
Vista do navio de cruzeiro MV Hondius que está ancorado em um porto em Praia, Cabo Verde
As autoridades da Espanha iniciaram nesta sexta-feira (8) uma operação especial para receber os mais de 140 passageiros e tripulantes de um cruzeiro atingido por um surto de hantavírus e que segue em direção às Ilhas Canárias. A embarcação deve chegar no domingo (10) à ilha de Tenerife, onde os ocupantes serão desembarcados sob um rígido protocolo sanitário.
Segundo Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência da Espanha, os passageiros serão levados para uma “área completamente isolada e cercada”. Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido já concordaram em enviar aeronaves para repatriar cidadãos que permanecem a bordo do navio holandês MV Hondius.
Embora o surto já tenha provocado três mortes e cinco passageiros que deixaram o cruzeiro tenham recebido diagnóstico de hantavírus, a operadora Oceanwide Expeditions afirmou que atualmente não há passageiros com sintomas suspeitos na embarcação.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta sexta-feira que uma comissária de bordo que teve contato com uma passageira infectada testou negativo para hantavírus, reduzindo preocupações sobre uma possível transmissão mais ampla da doença.
“O risco continua absolutamente baixo. Isso não é uma nova Covid”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da OMS.
O hantavírus costuma ser transmitido pela inalação de partículas contaminadas por fezes de roedores e, normalmente, não apresenta transmissão fácil entre humanos. No entanto, a variante Andes, identificada no surto do cruzeiro, pode, em situações raras, ser transmitida entre pessoas. Os sintomas geralmente aparecem entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.
Autoridades sanitárias em quatro continentes monitoram mais de duas dezenas de passageiros que deixaram o navio antes da confirmação oficial do surto. Equipes de saúde também tentam localizar outras pessoas que possam ter tido contato com esses viajantes.
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Em entrevistas à Associated Press, dois passageiros espanhóis disseram, sob anonimato, que a rotina a bordo segue relativamente tranquila, apesar da tensão causada pelo surto.
Segundo os relatos, parte dos passageiros tenta manter atividades diárias, como leitura em áreas comuns, participação em palestras e observação da paisagem, sempre utilizando máscaras e mantendo distanciamento social. Ainda assim, ambos disseram temer a reação da população quando desembarcarem na Espanha.
“Estamos assustados com todas as notícias que estão saindo, com a forma como as pessoas vão nos receber”, afirmou um dos passageiros. “Somos pessoas normais. Ouvimos que esse seria um cruzeiro de milionários, mas isso está longe da realidade.”
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As autoridades espanholas afirmaram que os passageiros serão retirados do navio em pequenas embarcações e transportados em ônibus isolados apenas quando os voos de repatriação estiverem prontos para decolar. As áreas dos aeroportos utilizadas para o embarque também serão temporariamente interditadas.
No dia 24 de abril, mais de 20 passageiros de ao menos 12 países deixaram o navio sem monitoramento sanitário, quase duas semanas após a primeira morte registrada a bordo. A confirmação do hantavírus em um passageiro ocorreu apenas em 2 de maio, segundo a OMS.
A comissária da KLM que testou negativo trabalhava em um voo entre Joanesburgo e Amsterdã no dia 25 de abril. Na ocasião, uma passageira holandesa cujo marido havia morrido no navio chegou a embarcar, mas precisou deixar a aeronave ainda em Joanesburgo após piora do quadro de saúde. Ela morreu posteriormente.
Autoridades holandesas rastreiam passageiros que tiveram contato com a mulher antes da retirada dela do voo.
No Reino Unido, autoridades sanitárias informaram que um terceiro cidadão britânico que esteve no cruzeiro é suspeito de ter contraído hantavírus. Ele está na ilha de Tristan da Cunha, território britânico no Atlântico Sul onde o navio fez escala em abril. Não há informações sobre seu estado de saúde.
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Na Espanha, uma mulher da província de Alicante apresentou sintomas compatíveis com hantavírus e passa por exames. Ela viajou no mesmo voo da passageira holandesa que morreu em Joanesburgo, informou o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla.
Outros dois britânicos que estiveram no navio já tiveram infecção confirmada. Um está hospitalizado na Holanda e outro, na África do Sul.
Autoridades sul-africanas também monitoram contatos de passageiros que desembarcaram anteriormente do cruzeiro, especialmente pessoas ligadas a um voo realizado em 25 de abril entre a ilha de Santa Helena e Joanesburgo.
Nos Estados Unidos, autoridades acompanham um pequeno número de americanos que retornaram do cruzeiro e pessoas que tiveram contato com eles. Até o momento, nenhum apresentou sintomas.
O governo americano enviará uma aeronave para retirar cerca de 17 cidadãos que permanecem no navio. Eles serão colocados em quarentena na Unidade Nacional de Quarentena da Universidade de Nebraska e do Nebraska Medicine. Segundo o hospital, nenhum apresenta sintomas.
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A duração da quarentena será definida posteriormente pelos médicos. A unidade especializada, localizada em Omaha, já foi utilizada no tratamento de pacientes com Ebola e de alguns dos primeiros casos de covid-19 nos Estados Unidos.
“Estamos preparados exatamente para situações como esta”, afirmou Michael Ash, diretor-executivo do Nebraska Medicine.
O governo britânico também informou que irá fretar um avião para retirar cerca de duas dezenas de cidadãos do Reino Unido que seguem a bordo do cruzeiro.
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